terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Em férias!

Meninos e meninas, estou tirando uns dias de folga do blog pra voltar ano que vem a todo vapor. Como já tinha dito num post anterior, o nome do blog vai mudar e os posts, um tiquinho. Mas a autora é a mesma, então por mais que eu diga que tudo vai mudar, não deve ser uma mudança assim tãããão radical.



É como essa coisa de ano novo. A gente diz que ano que vem vai ser diferente. A gente faz planos, resoluções, propostas, acredita que tudo vai se transformar. E a mudança acontece? Sim. Radicalmente? Geralmente não. Mas é assim que as coisas, as pessoas (e os blogs) vão evoluindo. De passinho em passinho.



Espero que continuem comigo.



Tenham todos uma virada de ano animada, cheia de planos, sonhos e resoluções, que é como uma virada de ano deve ser. Façam todas as simpatias, e todas as orações, e todos os rituais. Festejem, agradeçam, acreditem. Se a nostalgia bater, espante. O ano novo será melhor que o que passou pelo simples motivo de que será o ano em que estaremos vivendo. E isso já é pra lá de um bom motivo! O presente é o único tempo concreto e real, melhor que qualquer futuro imaginado ou algum passado idealizado. Entrem 2012 com tudo!








Feliz ano-novo!!!

(que no sentindo de "réveillon" vem assim, escrito com hífen!)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Contagem regressiva!

Última segunda-feira do ano. Que tal fazer hoje algum planejamento para esta última semaninha de 2011? O meu é:


Hoje: Faxina nos armários de comida da casa. Organizar. Jogar fora o que estiver fora da validade. Fazer compras do que estiver faltando.



Terça: Arrumação dos armários de roupas. Tirar o que for para doar. Lavar o sujo. Passar o amassado.



Quarta: Balanço de 2011. Pensar na vida. O que foi bom? E ruim? O que quero manter? O que precisa mudar?



Quinta: Dia de fazer a lista de resoluções para o ano que se inicia. Um bom dia também para procurar minha nova agenda e um calendário bonito de 2012.



Sexta: Dia de organizar as simpatias para a hora da virada - importantíssimo.



Sábado: Último dia do ano. Sessão de beleza para entrar o ano bonita e cuidada. Colocar champagne na geladeira. Adeus ano velho. Feliz ano-novo!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Feliz Natal!

sábado, 24 de dezembro de 2011

Onde quer que você esteja e quem quer que você seja, que o seu Natal seja um momento de amor. De abrir seu coração tanto para amar como para receber o amor. De deixar para lá os sentimentos ruins e cultivar os bons. De aproveitar e agradecer. De ficar bem, com você, com o mundo e com a vida. Não importam as circustâncias, só o amor é real. Feliz Natal!

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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

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Uma piadinha natalina em inglês:

Why did Santa´s Little Helper feel bad? He had low elf esteem.


ha ha.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Malas prontas!

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E mais uma vez Nova York nos aguarda para o Natal! Ano passado, nesta mesma época, pegamos lá a maior nevasca dos últimos não-sei-quantos-anos. E meu sapato de todo dia, que era a bota de montaria que costumava usar nas aulas de equitação, resolveu pedir arrego justo na noite em que começou a nevar. E meu sobretudo era lindo mas, "sobre tudo", fino e permeável. Dessa vez estou indo com um casaco tipo os que costumava usar nos Alpes e botas feitas para enfrentar até -20C. Just in case.
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Marido e eu no Rockefeller Center no Natal do ano passado.

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Hipocondríacos: este post tem contra-indicações!

Comecei a ver Grey´s Anatomy tem pouco tempo, mas já foi tempo suficiente para me apaixonar pela série. Além de muito bem escrita, os personagens são cativantes e as histórias de cada um, muito interessantes. Além disso, cada capítulo tem seu mini-enredo que se resolve no próprio episódio, que são as histórias do hospital. E é aí que eu digo que os hipocondríacos de plantão devem manter distância desse seriado. Como a história toda é focada num grupo de residentes candidatos a cirurgiões de um importante hospital de Seattle, você vê na série casos do arco da velha. É tanta coisa que pode dar errado num corpo humano que a gente termina achando que é quase um milagre estar saudável - até lembrar que na verdade essa é a regra geral. (Mas quem não conseguir chegar nessa conclusão pode facilmente ficar paranoico.) Mas tirando isso é só alegria. Estou adorando!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011



Precisamos de alimentar a alma porque temos espírito. Assim como precisamos comer porque temos estômago. Quem não alimenta um dos dois fica eternamente faminto. Alguns até terminam alimentando demais o estômago porque os falta alimento no espírito.

É a minha teoria.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Um pouco de classe

Lembra na 1a série, quando a tia acusava a turma toda de estar fazendo bagunça e passava o maior sermão, mas você, que estava quietinho o tempo todo, sabia que não era com você que ela estava falando? Pois então. Este post é a mesma coisa. Eu não estou falando com você, pessoa educada, fina, polida. Agora, caso você não seja, então é com você mesmo que eu estou falando. Estou indignada com o comportamento de certo seres agora pouco no mercado. Então, pra evitar ter que xingá-los e perder a classe, trabalho a ira com um pequeno curso de etiqueta express, lembrando também alguns outros comportamentos que me tiram do sério.



Boas Maneiras 101 - ou o que toda pessoa com mais de 12 anos já devia ter aprendido:

(alguns conselhos são específicos para garotas)







  1. Se o supermercado estiver lotado, NÃO LARGUE SEU CARRINHO DE COMPRAS NO MEIO DO CAMINHO E VÁ PASSEAR LONGE DELE. (ufa, pronto, falei.) Isso atrapalha muito!!!







  2. Não seja escravo do celular. Se estiver sentado à mesa, seu celular não deve estar no seu campo de visão. No caso de uma emergência, avise a todos que está esperando uma ligação. Atenção, eu disse EMERGÊNCIA. Ou seja, gente morrendo, nascendo ou se você estiver esperando ser chamado pra um transplante. E só.





  3. Meninas, atenção em como vocês vão vestidas para a academia. Se a sua roupa de malhar pudesse também ser usada pra dançar num clube de strip tease, tem algo errado.





  4. Viagem longa de avião não é festa do pijama. Então não vá vestida com algo que lembre um.





  5. Se estiver usando saia ou short em qualquer comprimento acima do joelho (mesmo que um dedinho), faça um favor a si mesma e não cruze os joelhos. Cruze os calcanhares, please.





  6. Não use palavrões. Nunca. Fim. Pense que cada palavra que sai da sua boca diz muito sobre quem você é.




  7. Não diga que "está cheio", peloamordedeus. Diga que está satisfeito ou que já comeu o suficiente. Muito melhor.




  8. Não destrate ninguém. Reclamar e fazer valer seus direitos é uma coisa. Destratar ou querer esnobar só porque você está se achando melhor é outra bem diferente - e deprimente.




  9. Pare de postar cada pensamento bobo que você tem no Facebook ou no Twitter. Para isso já existem os blogs. (risos)




  10. À mesa, assuntos proibidos: dinheiro, doença, desastres, problemas, política & religião (com pessoas que não compartilham da sua visão).




  11. Nunca, jamais boceje durante uma conversa. Para evitar, respire bem fundo pelo nariz - resolve.




  12. Não interrompa uma pessoa. Espere ela terminar o que estava falando para informar que precisa ir, pretende desligar o telefone etc. Se for absolutamente imprescidível interromper, EXPLIQUE por que o fez. E é bom que o motivo seja sério.




  13. Se estiver num show, lembre-se de que os outros foram lá pra ouvir o cantor e não você cantando a plenos pulmões. Acompanhar a música é uma coisa. Achar que está no chuveiro de casa é outra.




  14. Maquiagem é pra realçar sua beleza natural, não pra te confundirem com drag queens.




  15. Faça outro favor a si mesma e não se deixe ser fotografada sem roupa, ou com pouca roupa, e muito menos filmada. Em nenhuma ocasião e por pessoa nenhuma.





  16. Não beba direto da garrafa, não escolha para si o pedaço maior e não tire a parte mais doce da melancia e deixe o resto para os outros.





  17. NÃO ABRA A GELADEIRA NA CASA DOS OUTROS. Só se for na casa de alguém da família - e olhe lá.




  18. Não tire a cadeira do lugar arrastando-a e fazendo aquele barulhão.




  19. NÃO COMA FAZENDO AQUELE BARULHÃO!!!





  20. Seja uma pessoa discreta. Se quiser saber algo, insinue ou demonstre interesse, mas deixe a pessoa te dizer por iniciativa própria. Não pergunte qual é o salário de alguém, qual é a marca, quanto custou, se é de verdade ou falsificado ou se o bebê foi planejado ou "acidente" (o fim da picada).




  21. Não minta que leu tal livro ou viu tal filme. Se quiser falar que leu algo, então leia!




  22. Use roupas que caibam no seu corpo. Parece óbvio, mas tem gente que não entende esse conceito. Não é pecado nenhum ter barriga, peito bem grande, pneuzinhos etc. Pecado é sair com essas coisas pra fora da roupa.




  23. Não pegue histórias dos outros "emprestadas" e conte como se fossem suas. Já aconteceu algumas vezes de contarem para mim a minha própria história. Além de ser ridículo, dali em diante, a pessoa perde a credibilidade.




  24. Não tente sempre superar os outros em suas histórias. Mesmo que você ache que tem uma história no mesmo assunto "muito melhor", deixe os outros aparecerem também.




  25. Certas coisas são boas para quem está envolvido na prática, mas terríveis para quem vê. Nessa vão: beijos ardentes e amassos, piadas internas, cochichos, uso do fio dental, poses para o espelho, corte e limpeza de unhas, discutir a relação, espremer espinhas. Faça longe do olhar de qualquer pessoa não-envolvida.




  26. Invade o espaço do outro quem: toma banho de perfume, fala alto, ri alto, fala ao celular dentro de elevadores, ônibus etc, dá detalhes escandalosos da própria vida para estranhos.




  27. Sapatos são coisas feitas para facilitar a locomoção, e não o contrário. O sapato pode ser lindo, mas se você não conseguir caminhar normalmente com ele, esqueça.




  28. Cuide para ter ao menos um pouco de cultura. E respeite os ditos "nerds" - é provável que você trabalhe ou vai trabalhar para um deles.




  29. Seja breve em suas visitas. Deixe as pessoas com a sensação de que gostariam que você tivesse ficado mais, não comemorando porque você finalmente foi embora.




  30. E se tudo isso acima tiver soado como novidade, que tal um livro de etiqueta?


[aaahh... alívio...]

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Então é Natal

Época de Natal.

Chuva, correria, lojas lotadas. Enfeites lindos, confraternizações, amigo-oculto. Montar a árvore, pendurar a guirlanda, armar o presépio, enfeitar a casa, encontrar o cd (ou o disco!) que tem um sino na capa. Comprar panetone, nozes, figo, revistas de Natal e papai noel de chocolate (ainda me encanta). Embrulhar presentes, escrever cartões, escolher receitas, esperar o recesso, ver os especiais de fim de ano na tv. Reunir com a família ou com amigos, ganhar abraços, presentes, carinho e calor humano. Esquecer por uma noite da dieta e se deliciar com peru, tender, chester, salpicão, farofa, creme de milho e sobremesas mil. Olhar para trás e ver que o ano que passou pode ter tido seus percalços mas que terminou sendo foi bom demais. Olhar pra frente e ver que o ano que se aproxima guarda novas oportunidades que a gente já tem notícia e outras que ainda nem ousamos sonhar. Olhar para o lado e se ver cercado de pessoas que a gente ama e que nos amam também, e que podem não ser perfeitas mas que combinam perfeitamente com a gente. Olhar pra dentro e sentir que crescemos um pouquinho mais no ano que passou, e que com isso estamos um pouquinho mais maduros e um tiquinho mais sábios e que isso já faz uma diferença enorme na nossa felicidade e nossa paz de espírito. Olhar para tudo isso e gostar muito. Olhar para cima e agradecer.

Amo Natal.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sobre a rotina

Sobremesa é um dos prazeres da vida. Fast food, gosto também. Amarula então, que delícia. Mas se alguém dissesse que eu só poderia comer isso para o resto da vida, seria terrível. Por quê? Porque para matar a fome e ter saúde a gente precisa da comida de verdade. Dos nutrientes. Das fibras. Mesmo que num primeiro olhar, um prato da sobremesa mais linda e mais cremosa chame muito mais a atenção, é do franguinho com arroz e salada que a gente precisa.



A vida também é assim. Existem viagens fantásticas, shows maravilhosos, festas incríveis. Mas o que nutre mesmo uma vida são as coisas rotineiras e comuns.



Quem fica esperando os grandes acontecimentos para "finalmente viver", não está vivendo nem no dia-a-dia, nem quando o tal acontecimento chegar. Sim, porque é preciso um corpo saudável para apreciar uma boa sobremesa. Assim como é preciso uma mente saudável pra apreciar uma boa ocasião fora do normal. Você consegue imaginar um doente totalmente anêmico, debilitado no hospital, sendo capaz de degustar um canapé? Exatamente.



Abra sua janela. Arrume sua cama. Tome seu banho. Lave suas louças. Estude. Trabalhe. Dirija com cuidado. Compre o pão. Assista ao jornal. Vá ao correio. Cumprimente o vizinho. E veja a felicidade imensa que reside nisso. Quando as coisas fora do normal vierem, aproveite. E quando a vida estiver comum e rotineira, aproveite mais ainda.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Em falta no mercado

Vira e mexe a gente escuta alguma mulher reclamando que homens bons andam em falta no mercado. A reclamação é antiga. O caso é que cada vez mais ando ouvindo também de homens que não anda fácil encontrar mulheres legais por aí. Afinal, o que é que está em falta? Homens bons ou mulheres legais? Na verdade, nenhum dos dois. Minha teoria é que o que anda em escassez na verdade são os casais "pra valer".


A impressão que tenho é que o mercado está cheio de solteiros e solteiras. Pessoas boas, até bem intencionadas, com seus empregos, salários, círculos de amizades, gostos e opiniões. E essas pessoas até chegam a se encontrar. Mas daí a fazer um encontro virar relacionamento, e um relacionamento virar casamento, e de uma bela cerimônia conseguir se comemorar as bodas de ouro, vai uma boa dose de energia e comprometimento. E muitas vezes nenhum dos dois está disposto a investir. As pessoas querem um relacionamento maravilhoso mas esperam que ele venha pronto. Aí não tem Santo Antônio que ajude. Acrescente a isso uma mistura de imediatismo e egoísmo e o resultado não vai ser nunca uma relação sólida e duradoura. As pessoas já querem morrer de amores na primeira noite, se apaixonar loucamente em questão de horas e depois simplesmente esperam que o outro seja perfeito e que o relacionamento venha pronto para o consumo, no máximo precisando dar uma esquentadinha de 5 minutos no microondas.



E não é assim que as coisas acontecem. Para se ter um relacionamento muito bom não é preciso que a mulher perfeita encontre o homem perfeito. Até porque, nenhum dos dois existe. Relacionamentos precisam é sim de duas pessoas interessadas em fazer dar certo. Precisa de uma atração gostosa, claro, mas também de investimento, paciência, tempo, espaço, alguma surpresa, maturidade, calma, negociação, sinceridade, cumplicidade. Precisa de duas pessoas realmente investidas em alimentar o amor. E precisa muito mais da gente, antes de querer encontrar a pessoa certa, cuidar para ser a pessoa certa.



[E um último adendo para as meninas: não é verdade que falte homens no mercado. Aliás, se eu estivesse solteira e afim de conhecer alguém bem legal, meu plano seria o seguinte: passar a frequentar algum supermercado bom lá pelas dez da noite. Afinal, quem é que faz compras assim tarde da noite? Os solteiros bem sucedidos. Os que precisam fazer compras porque já moram sozinhos. Os que ficaram até tarde no escritório porque se dedicam à carreira e também porque não tinham alguém os esperando em casa. Se estiverem bem vestidos, sem aliança e passeando na sessão de congelados - bingo. Menina, jogue seu melhor sorriso e boa sorte. Ou seja, não venham me dizer que não há homens bons no mercado. Você é que deve estar indo na hora errada. Rs.]

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

10 ideias de presentes para si mesmo

Se você já estiver na típica correria de fim de ano, provavelmente deve estar tentando lembrar de todas as pessoas para quem vai dar presentes, certo? Então não esqueça da pessoa mais importante da sua vida: você mesmo! Eis uma listinha para ajudar na inspiração. Trate-se bem, sem culpa. Você merece!




Dê a si mesmo:




  1. Uma hora de massagem num spa.



  2. Um dia inteiro sem fazer nada. Se alguém quiser marcar alguma coisa, você diz que não pode. Estará ocupado(a) porque já marcou de ficar à toa.



  3. Um chocolate delicioso daquela caixa de bombons maravilhosa, que você nunca compra porque custa três vezes o preço da caixa normal.



  4. Uma tarde no cinema!



  5. Uma aula experimental daquele curso que você já pensou em fazer mas por qualquer motivo ainda não começou. Só para ter o gostinho.



  6. Uma foto sua de rosto que você realmente ame. Mesmo que você tenha que tirar 67 outras fotos antes de gostar de uma.



  7. Uma ida àquele restaurante delicioso com alguém especial.



  8. Uma ida à igreja (ou outro local que te traga paz) para pensar em tudo o que você tem a agradecer.



  9. Aquele negócio que você quer, já deu a dica, mas já sabe que não vai ganhar no natal.



  10. Os parabéns! Pela pessoa que você é e que vai continuar se tornando. = )

domingo, 11 de dezembro de 2011

Eis um texto maravilhoso tirado do blog da Ticcia, que fala sobre o que pode acontecer quando não se cuida do amor que se tem.


Texto de Patrícia Antoniete Ferreira



"A despeito do que poderiam os desavisados pensarem, amor e cansaço não são incompatíveis. As pessoas cansam de amar, cansam mesmo. Cansam de amar no vácuo, no vazio, a contra-gosto, na marra, na mão única, com esforço, no amor à camiseta, cansam de amar quando amar é uma luta inglória, é uma sede saciada a conta-gotas. As pessoas cansam de nos amar apesar de nos amarem muito, as pessoas cansam de nos amar quando o amor é à custa de teimosias, defeitos, desaforos, desatenções, estupidezes, falhas de caráter, falta de tempo, descuidos, TPM, stress, chatice, drama, descaso, reclamações, egoísmo, omissões, negligências, filhadaputices, prioridades outras, grosserias, inaptidões, incapacidades, má administração, indiferença, cronograma insano, sacanagens, ingratidões, desídia, pouco caso, desconsideração, intolerância. O amor suporta muito e não espera um escambo de atenção e sentimento, mas o amor tem ida e vinda, tem mão dupla, tem uma razão outra que não é puro altruísmo e desapego. Não pense que quanto mais o outro suporta, quanto mais o outro luta, maior é o seu amor. Isso é uma sabotagem imbecil de quem não se sente merecedor ou capaz de retribuir. Pai dedicado cansa. Filho devoto cansa. Irmão parceiro cansa. Amigo de fé cansa. Até o grande amor cansa. As pessoas cansam e desamam e se perdem e vão embora e não voltam mais. Amor não é para sempre, não, não se engane. O que é para sempre é saudade. E a gente fica triste e fica infeliz e fica miserável e fica com a vida besta e vazia depois que quem nos ama desiste, a gente fica com a vida oca, fica tudo preto e branco e a gente acha que tudo bem, que vai ficar tudo bem e a gente se engana que supera, paciência, não era pra ser, não era forte o suficiente, não era verdadeiro o suficiente, mas não fica tudo bem, não supera coisa nenhuma, não era pra ser uma ova. Nananinanão, senhor. Porque a gente também cansa da tristeza e do vazio, a gente também cansa da solidão e da miséria, a gente também cansa da infelicidade, mais cedo ou mais tarde, e aí ó, babaus, já cansaram de nós. Portanto, não ponha o amor à prova. Não se proponha a testar até onde ele suporta. Amor não é gincana, não é rali, não é prova de resistência. Amor é pra amar e cuidar muito bem. Já chega o fato de que tem todo o resto do mundo para criar problema, para dar trabalho, para dificultar as coisas. Lute por e não contra. Lute muito, lute bastante. Mereça o seu amor enquanto ele ainda é seu e ainda está aqui. E que o próximo ano nos encontre de frente e braços abertos, cheios de coragem para amar e deixar-se ser amado."

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011



Estou pensando em dar uma mudadinha no blog ano que vem (já que até o fim do ano já tenho diversos posts programados). A começar pelo nome. Pra quem não lembra (ou não chegou a ver) esse blog nasceu com o nome de Entre, sente, fique à vontade. Depois virou Entre sem bater. Agora estou pensando em Bata antes de entrar.

Lendo os títulos na sequência dá a impressão de que estou cada vez mais fechada (e antipática, ha ha). Mas na verdade é o contrário. "Entre, sente, fique à vontade" é uma coisa que você diz a visitas e pessoas com as quais vai manter uma certa formalidade. "Entre sem bater" é um convite aberto e geral, feito a quem aparecer. "Bata antes de entrar" é um convite mais específico, a um lugar mais reservado que não é pra qualquer um.



Isso para seguir na linha mais pessoal e confessional.



Estou temporariamente cansada de pensar e filosofar. E bastante interessada em sentir e expressar.



Claro que eu continuo a mesma, então não é que a mudança seria tão drástica. Quem disse que eu consigo sentir sem racionalizar? Ou expressar sem filosofar? Ou ficar sem publicar uma receitinha? You get the picture.



Manifestações, alguém?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Receita sueca

Essa receita é o arroz com feijão sueco. No meu ano em Estocolmo experimentei diversas variações de massa com pedaços de salmão. Essa é uma versão fácil de reproduzir e deliciosa. (Foi o que fiz para o jantar ontem!)


Talharim ao salmão

Ingredientes:


Massa do tipo talharim
4 colheres de azeite
1 colher de farinha
1 xícara de salsinha
1 xícara de vinho branco
1 lata de creme de leite
400gr de salmão
½ cebola ralada
Sal a gosto

Preparo:
Coloque água para ferver com um pouco de sal e óleo. Cozinhe o talharim. Corte o salmão em cubos de 2cm. Doure a cebola no azeite. Refogue o salmão na cebola, junto com sal e o vinho branco. Tampe a panela e cozinhe em fogo baixo por uns 5min. Adicione o creme de leite, farinha e salsinha. Deixe ferver. Misture na massa. Tcharãm!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Eu sabia que ia casar com ele

Muitas vezes a gente escuta pessoas casadas dizendo que num certo momento, geralmente bem no começo de tudo, eles simplesmente sabiam que iriam se casar com seus maridos e esposas. Eu não posso dizer que eu sabia. Pelo contrário, minha história deu tanta volta que uma vez uma cartomante me disse: "Pois é com esse Marcelo que você vai casar." E a minha resposta, depois de um longo suspiro de bem-que-eu-queria: "Impossível."


Eu não sabia - mas a minha intuição, sim. E desde muito cedo.



Acho que pouca gente sabe dessa história:


O ano era 2002. Marcelo morava na Alemanha, onde fazia seu mestrado e trabalhava. Mas naquela tarde de abril ele estava em Brasília, almoçando comigo. Naquele ponto, para mim, ele era um amigo diferente e interessante. Alguém que eu admirava por ser inteligente e fazer certas coisas que simplesmente não cabiam na minha lógica. Como morar fora do país, por exemplo. (talk about irony...) E encontrar pessoas "para almoçar". Tão adulto tudo isso, eu achava. Com 19 anos, almoço pra mim era na cozinha de casa, comendo o que colocassem na mesa. Naquela época a gente não "encontrava amigos para almoçar". De qualquer forma, ele convidou e eu, naturalmente, aceitei.


Então lá estávamos, naquela tarde quente, conversando. Braços apoiados na toalha branca da mesa, que insistia em querer voar. Foi quando eu fiz a pergunta que ele deve ter ouvido umas mil vezes naquela visita ao Brasil:


- Mas então, você vai ficar por lá mesmo ou pensa em voltar?


Eu não estava só puxando conversa. Eu realmente queria saber. A resposta (que eu lembro, palavra por palavra, como se fosse ontem):


- É difícil dizer. Não sei ainda... Se eu soubesse, por exemplo, com quem eu fosse casar... Se já tivesse escolhido A mulher, aí seria mais fácil dizer. Então... Não sei.


E naquele momento, uma certeza dentro da minha cabeça simplesmente gritou:


"O que você está dizendo? Você vai me escolher."


Na ocasião, eu apenas balancei a cabeça naquele "sei, entendo", e continuei a conversa. E nem tive tempo de questionar a mim mesma dizendo: o que é que você está pensando, sua maluca? Como assim ele vai querer casar com você? Vocês nunca nem se beijaram!

Mas naquele momento, algo me disse. Eu simplesmente sabia que a mulher com quem ele iria querer se casar seria eu. Apesar de, ao mesmo tempo, não ter a menor ideia do que aconteceria sete anos depois.







Feliz aniversário de casamento, meu amor. Foram dois anos de uma felicidade profunda e sincera.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Versatilidade verbal

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Tire essa cara amarrada, tire suas mãos da enchada, tire umas férias pra variar. Tire a carteira de motorista, tire de letra a entrevista, tire a etiqueta antes de usar. Tire a prataria boa dos armários, tire não somente um mas vários, tire uma noite pra relaxar. Tire as melhores notas que conseguir, tire o semestre pra refletir, tire um dia para pensar. Tire par ou ímpar e cara ou coroa, tire seu cavalinho da garoa, tire tudo do lugar. Tire uma música de ouvido, tire uma foto com um amigo, tire o esmalte quando descascar. Tire o que houver de ruim de seu coração, tire de ouvido as notas de uma canção, tire o foco de si mesmo quando ficar sem ação. Tire da cabeça o que não for positivo, tire proveito de ainda estar vivo, tire o melhor do que tiver que passar. Tire do armário um novo look, tire da cartola um novo truque, tire a lição que a vida te apresentar. Tire a sorte grande de saber bem lá no fundo que neste mundo a sua vida, quem comanda, é você.

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Você sente falta de você mesmo?

Já vai para cinco meses que marido e eu chegamos aqui nos states, e já há algum tempo tenho me sentido tão bem aqui. O começo foi terrivelmente difícil, o que me surpreendeu bastante. Afinal, eu já havia morado fora do país antes outras duas vezes, em lugares mais esquisitos, mais caros, mais complicados, nos quais me faltava fluência na língua nativa, e mesmo assim tudo tinha corrido bem. Por que era então que a transição para cá estava sendo tão difícil, tão sofrida, e meu começo aqui, quase enlouquecedor?




Eu descobri por quê.

E descobrir o real motivo não foi fácil. Sim, porque havia vários outros motivos que alguém poderia racionalizar que seriam perfeitamente aceitáveis para explicar a razão para eu me sentir mal: a mudança de país, a saudade dos que ficaram, o início de uma vida nova, a falta das minhas coisas, o não saber me locomover na cidade, a falta de conhecidos por aqui, a noção de que a mudança era definitiva, o não saber dirigir por aqui ainda, as diferenças culturais, o fuso horário, o calor do alto verão no qual chegamos, etc etc etc.

Por um tempo (um mês e meio, mais ou menos) eu fiquei querendo resolver o mal estar cuidando de todos os aspectos práticos que mencionei acima. Aspectos com os quais, não me entendam errado, eu teria que lidar mesmo de qualquer jeito - mas que não eram a causa do mal estar. Achava que não me sentia em casa porque faltavam enfeites e alguma decoração na casa e lá ia o marido me levar pra comprar porta-retratos, almofadas e plantinhas. Achava que era porque me sentia presa em casa e lá ia o marido descobrir como faríamos para conseguir o tal do documento que estavam pedindo pra que eu pudesse tirar carteira de motorista. Achava que era porque não estava fazendo nada e lá ia o marido me matricular na aula de piano, me comprar um teclado, e me incentivar a tocar.

(Ainda bem que meu marido é uma dessas raras pessoas sãs e equilibradas, senão era capaz dele ter ficado doido junto comigo.)

Então eu fazia que fazia coisas... E claro, cada coisa que eu resolvia melhorava aquele aspecto da minha vida - mas não meu sentimento interior. O mal estar continuava. Eu ouvia um silêncio interminável dentro do apartamento e me sentia eternamente incomodada.

Até que numa madrugada... Eu abri os olhos totalmente desperta às 3:33am. (um horário bem simbólico, mas isso é assunto pra outro post) Então caminhei até minha mesinha, liguei a luminária, abri meu diário e comecei a escrever frenéticamente.

Ah, sim. Também tinha essa: eu, que sempre escrevi diários desde os 7 anos de idade, não vinha conseguindo escrever desde um mês antes da mudança pra cá. Uma coisa significativa isso, e vocês já vão ver por quê.

No meio da madrugada, debruçada na escrivaninha eu escrevi, escrevi e escrevi por quase duas horas sem parar. O conteúdo? Todas as coisas nas quais vinha me proibindo de pensar.


O caso é que meu processo de mudança para cá foi um tantinho sofrido. Tínhamos mil providências a tomar e muito pouco tempo, então tive que entrar num modo "resolvedor de coisas", e me recusei a me deixar sentir preguiça de fazer as coisas, canseira de passar dias inteiros de fila em fila resolvendo burocracias, ou até raiva dessas coisas serem tão chatas. Me recusei a reclamar de qualquer coisa porque não ajudaria ninguém, e como esta estava sendo uma oportunidade tão boa para marido e eu, não me permiti achar qualquer coisa que envolvesse a mudança ruim.



A vinda pra cá era tão importante que a Simone adulta achou que muito corretamente estava colocando o que verdadeiramente importava em primeiro lugar. Só que tinha algo de muito errado no que eu fiz: ao não me permitir sentir as coisas como elas eram, eu não estava simplesmente colocando o que era importante em primeiro lugar. Eu estava colocando o que era importante em único lugar. O erro estava ali.



E aí não importava o que estivesse acontecendo, era da vinda pra cá que eu cuidaria. Por isso viajei com dengue para Recife, mal aguentando puxar minha mala pelo aeroporto, para a entrevista para o visto, me recusando até a reclamar da dor. Por isso fechei minhas caixas frenéticamente em casa, me recusando a me sentir saudosa. Por isso corri para almoços e jantares me despedindo de amigos me recusando a chorar ou sentir a tristeza da despedida. No meio de tudo, ainda tenho uma grande decepção familiar da qual, como já aconteceu antes, eu não fui a culpada (muito pelo contrário) mas ainda tive que tomar a iniciativa de ir atrás pelo bem geral da nação e porque não poderia viajar brigada etc etc. E tome de despedir de gente, tendo eu que consolá-los pela minha partida. E tome de explicar o por quê da minha partida de repente (também não tive nada a ver com isso), e tome de despedir, despedir, explicar, explicar, resolver, resolver. E com tudo isso, e por conta de eu ter um objetivo muito maior em vista, eu me recusei a trabalhar os sentimentos, a sentir as coisas, a pensar sobre tudo, a elaborar...

... e de repente, eu estava a quilômetros de distância de mim mesma.

E era disso que eu sentia tanta falta assim que tinha chegado aqui: de mim mesma.

E só vim a perceber quando cheguei, já que antes era tanta coisa pra fazer que não daria tempo mesmo de notar.

Estou contando tudo isso porque sei que tem gente que passa a vida toda indo de atividade em atividade, de distração em distração, no modo "resolvedor de problemas" e que está completamente distante de si mesmo. E meu deus, é um sentimento TERRÍVEL. Passar a vida toda assim deve ser de um vazio enlouquecedor. Eu não estive em contato comigo por uns dois meses, e quase fiquei doida. Não me admira que tenha tanto doido por aí no mundo fazendo as coisas mais esquisitas. Eu senti na pele o que é estar desconectado de sua própria essência. É horrível. É o sentimento mais solitário do mundo.






De camisola, tendo escrito por horas a fio, eu senti um grande alívio. E apesar de finalmente ter escrito com todas as letras as coisas todas para as quais eu estava com tanto medo de olhar, eu não me sentia pior por ter encarado os monstros: eu me sentia infinitamente melhor. Eu estava de volta ao meu elemento. E me sentia em paz.

Naquela noite, eu caminhei em passos lentos no silêncio do apartamento escuro de volta ao quarto. Na cama, meu marido dormia um sono profundo em sua paz habitual. Devagar para não acordá-lo, entrei na cama, abracei-o pelas costas, e caí num sono profundo. E nunca um travesseiro foi tão macio ou uma cama, tão confortável.
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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

L´amour, l´amour

Antigamente eu acreditava em tantas coisas: destino, almas gêmeas e o famoso "tinha que ser assim". Hoje essas ideias me parecem absurdas.



Há pouco tempo reparei nisso e para mim foi uma surpresa quase negativa: quando foi que me tornei tão cética? Quer dizer que não acredito mais na mágica do universo? Não acredito mais nos amores perfeitos e nos romances pré-destinados?



É, não acredito mais. Mas não que eu tenha deixado de acreditar no amor - muito pelo contrário.



O que não acredito mais é no destino e nas noções românticas de "estava escrito nas estrelas". Hoje acredito nos sentimentos, nas identificações, no querer, nas escolhas e no colocar energia para fazer acontecer.



Ou seja, essas histórias de amor inusitadas que a gente escuta tipo, ele era um soldado americano que morava no Afeganistão e ela era austríaca e se cruzaram numa estação de trem no Líbano e desde então estão juntos... Ou mesmo as histórias mais comuns mas que também são lindas como, eles eram namorados desde o colégio, casaram e já estão completando tantos mil annos de casados, e ela ainda cheira o pescoço dele e sorri quando se abraçam... Todas elas ficam mais românticas ao meu ver porque só aconteceram porque duas pessoas realmente escolheram fazer aquele relacionamento dar certo. Quiseram dar continuidade àquela história porque a paixão era tão grande ou porque encontraram no outro algo tão especial. E as histórias duram porque aquelas duas pessoas tiveram vontade de ficar juntas num primeiro momento e continuam tendo a tal vontade todos os dias porque há um sentimento muito especial que as une.



Quer uma coisa mais romântica que isso?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

O que você ganha com isso

Eu sempre insisto em certas ideias e talvez alguém se pergunte: tá, mas pra que cuidar do espírito? Pra que cuidar da mente? O que eu ganho com isso? O paraíso, quando morrer?


De jeito nenhum. Eu falo essas coisas não é pensando em pós-vida nenhum, que a gente nem sabe se vai ter, e se tiver, se são essas coisas mesmo as que nos levariam pra lá. Também não é pra fazer bonito, nem pra ganhar nenhum troféu. Não é porque eu acho chique, ou porque são ideias intelectualmente superiores ou porque o filósofo tal disse que tem que ser assim.


Eu digo pra cuidar do espírito e da mente, pra desenvolver um relacionamento bom com você mesmo e para estar em constante crescimento, para que você possa viver melhor a vida hoje. Para que você tenha um dia mais feliz, para que você almoce mais gostoso, para que você tome um banho mais em paz, e depois durma melhor, e amanhã acorde feliz. Eu falo por experiência própria e por observação aos outos. Eu falo porque realmente acredito nessas coisas. É só por isso.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Tudo é aprendido


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Se a vida de repente te colocar num caminho diferente do que você vinha planejando, se você um dia se encontrar sem referências, se como diz a canção, "o futuro não for mais como era antigamente", use a si mesmo como base. Se de repente tudo mudar, algo acontecer e você se encontrar tendo que lidar com a vida de uma forma como nunca havia experimentado antes, respire fundo: está tudo bem. Lembre-se de que tudo aquilo que você um dia considerou tão normal e familiar foi aprendido, assimilado e então posto na prateleira do "normal". Nada disso existe mais? É possível criar um novo "normal". É sempre possível.

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sábado, 26 de novembro de 2011

Esteja presente

No curso de Letras uma vez estudamos sobre a referência deslocada. O que é isso? É a capacidade que os humanos tem de falar sobre coisas que vão além das que estão presentes no momento da conversa. Um cachorro não possui essa propriedade (pelo menos, não até onde sabemos...). Eles latem sobre o que está acontecendo agora. Diferentemente, os humanos falam sobre o que aconteceu ontem, o que estão planejando para amanhã, o que eles lembram de mil anos atrás, etc.


A capacidade humana de se comunicar é extensa e evoluída. No entanto, há algo que podemos aprender com os cachorros e sua falta de referência deslocada. O que seria? A viver o momento presente.


Tanto lembrar quanto planejar podem ser ótimas coisas, mas só se não ocuparem a maior parte do seu tempo. O presente é a única vida disponível e viver o agora é a única forma de encontrar paz. É como dizem os monges budistas: quando estiver bebendo água, simplesmente beba a água. Se enquanto beber, sua mente estiver perdida em problemas, não estará bebendo a água: estará bebendo suas preocupações.






Lição de hoje: quando for se sentar, apenas se sente. Quando for caminhar, apenas caminhe.




Que o planejamento do futuro fique restrito apenas uma pequena parte de seu tempo, bem como o lembrar do passado. Assim você finalmente viverá o presente.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Das coisas simples



Tem algo de fascinante nas coisas, lugares e pessoas simples. Parece que são mais viscerais. É como se, despidos de todas as camadas de coisas e mais coisas, maquiagens, decorações, etiquetas, protocolos e tudo mais de artificial e inventado que existe, as coisas simples estão, como não poderia deixar de ser, simplesmente lá, autênticas, e tãããããããão boas.






Uma música que me traz esse sentimento é Anunciação, do Alceu Valença.



"Na bruma leve das paixões que vem de dentro

Tu vem chegando pra brincar no meu quintal

No teu cavalo, peito nu, cabelo ao vento

E o sol quarando nossas roupas no varal

Tu vens... Tu vens...

Eu já escuto os teus sinais..."



Quer algo mais simples e autêntico que roupas no varal? E o vento no cabelo? E as paixões que vem de dentro?



Tem algo de poético nas coisas mais simples do mundo. Eu sempre gostei coisas como o som de uma máquina de lavar roupa funcionando. Ou o cheiro de amaciante que fica quando você estende as roupas. O cheiro de um bolo que acabou de sair do forno. O som do trânsito lá fora no fim do dia. Essas coisas me deixam tão feliz.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dia de ação de graças

Hoje aqui nos Estados Unidos é celebrado o Thanksgiving ou Dia de Ação de Graças. Para eles este feriado tem a mesma importância do Natal, ou talvez até mais. É um dia sagrado para se passar com a família, comer bem e agradecer pelas coisas boas do ano que vai chegando ao fim. A origem do Thanksgiving vem dos rituais de agradecimento dos povos antigos pela boa colheita. Tudo a ver com o meu Thanksgiving deste ano. Sim, estou em família. E sim, tenho muito a agradecer.


Obrigada Deus, forças benéficas do universo e divindade que vive em mim por um ano tão bom. Este foi um ano de momentos fortes, nem sempre fáceis, mas definitivamente generosos. Os momentos difícies foram generosos comigo porque me mostraram a realidade de várias coisas que talvez eu não quisesse ver ou com as quais preferia não lidar. Me fizeram aprender tanto, e crescer tanto, e enxergar tanto. Os momentos bons - e foram maioria - me surpreenderam, me animaram, me maravilharam, me deixaram em êxtase, e serviram para me mostrar que eu estou no caminho certo, com a pessoa certa e que para aqueles que tem o coração bom, a intenção pura e a atitude correspondente, coisas fantásticas acontecem e continuam a acontecer.


Obrigada, obrigada, obrigada.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Receita de "chandelle"!

Sempre gostei muito de Chandelle, Danete e similares. Por isso, desde que cheguei aqui nos Estados Unidos comecei a procurar algo que fosse parecido, mas até agora não encontrei nada. Então, como eu não sou de ficar suspirando no estilo "ah, como era bom... oh, agora não tenho..." tratei de encontrar uma receita pra fazer eu mesma o tal do cremezinho de chocolate. Testei algumas e cheguei numa muuuito gostosa! E o melhor de tudo é que agora, sabendo a base da receita, posso escolher o sabor que quiser colocar! = ) Aí vai a receita, se alguém quiser tentar fazer em casa. Na verdade, vou colocar o que é meia receita, já que a receita inteira rende talvez mais do que a gente consiga comer num tempo x, e como leva ovos, nunca é bom demorar demais pra consumir, né?


Creme de chocolate parecido com Chandelle




Ingredientes:


1/2 litro de leite

1/2 lata de leite condensado

1 gema

1 barra de chocolate meio-amargo

2 colheres (sopa) de maisena

1/2 lata de creme de leite




Preparo:


Leve ao fogo alto o leite, o leite condensado, a gema, a maisena (dissolvida em água antes, para não empelotar), a gema e o chocolate. Mexa sempre até ferver e engrossar, e depois por mais 2 minutos em fogo baixo. Retire do fogo, acrescente o creme de leite e mexa bem. Leve à geladeira por algumas horas.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

E hoje tem um casal muito especial chegando aqui em casa para nos visitar! Trata-se de um dos primos do meu marido e sua esposa. Marido e eu estavávamos contando os dias para a chegada deles. É que além de família, eles são grandes amigos. Acompanham nosso relacionamento desde antes dele começar. Na famosa noite da "sala sem móveis, tv e colchão/ e um filme que não prestei atenção" (vide Simone em versos ali em cima) lá estavam eles. (Aliás, a casa era dos pais do primo, cujos móveis estavam sendo trocados.) E lá estavam eles em tantas outras ocasiões. Nos divertimos tanto em festas, jantares, noites de jogos, cinema, pizzaria, roteiro gastronômico(!) e também tantas outras vezes simplesmente ficando em casa de bobeira. E o que sempre senti com eles por perto é uma coisa tão rara pra mim: me sinto totalmente à vontade com esses dois. Sempre gostei de estar na casa deles, e sempre adorei eles na minha. Desde os tempos das nossas sessões de filmes que iam até altas horas, passando por nossos casamentos, eventos, festas, dias incríveis e dias normais, simplesmente adoro a presença desses dois. Então que bom que em algumas horas, estarei indo buscá-los no aeroporto! Teremos dias divertidíssimos, tenho certeza!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

As pérolas do caminho

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Outro dia me dei conta de que este aqui já é o quarto país onde moro. Antes, morei obviamente no Brasil, e também na Suíça e na Suécia. E se cursos de 1 mês contarem como "morei em tal lugar" (eu não considero, mas tem gente que insiste que isso é morar), vai pra lista também a Alemanha. Além desses, já visitei outros 10 países, de Austrália a Lichtenstein, passando por Singapura (assim mesmo, com S, depois do novo Acordo Ortográfico), Estônia, Finlândia, chegando a Bélgica, Irlanda, França... Com essas, várias coisas que eu sei do mundo, não são porque apenas tive notícia - eu sei porque eu vivi. E continuo vivendo. Estou fora do país, tenho um cunhado irlandês, uma grande amiga suíça, outra canadense, e uma alemã que sempre dá notícias. Morei no mesmo corredor que japoneses, dividi a cozinha com franceses e suecos. Estive em muitas casas de europeus, comemorei muitos natais e reveillons em terras estrangeiras, fiz compras nos supermercados deles, peguei os bondes, trens, balsas, enfim, sei um pouco sobre esse mundão de Deus porque já dei minhas caminhadas.
É difícil eu falar com tanta candura sobre todos os países e lugares que conheço, porque as pessoas tem a mania de achar que isso é esnobar. E olha, se tem uma coisa que eu não me tornei depois de tantas viagens (mesmo tendo tido alguns motivos que não justificariam mas explicariam) foi esnobe. Aliás, essa está entre outras coisas tão importantes que aprendi nas minhas andanças. Eu gosto de me referir a essas conclusões como as pérolas que fui recolhendo pelo caminho. Eis algumas de tantas:



  • O modo como alguém conduz a vida não é o único possível, e longe de ser o "mais certo" ou o "melhor". Existem muitos modos de se viver, e o que a gente tem como "normal" é apenas uma das mil possibilidades.



  • O Brasil não é esse paraíso todo que o povo gosta de acreditar, nem o inferno todo que dá a impressão quando a gente assiste o jornal. Mas se o povo levasse as coisas sérias a sério, poderia estar mais para paraíso que para inferno.



  • Morar num país de primeiro mundo é realmente mais confortável.



  • Enquanto as pessoas esnobes acham que estão "mandando bem demais", tem gente levando vidas tão melhores que se elas soubessem, passariam mais tempo de fato aproveitando as coisas que elas já tem e menos tempo esnobando - que é uma das coisas mais sem sentido do mundo.



  • Ninguém precisa morar no exterior para aprender bem uma língua. Meu inglês é fluente porque fiz 6 anos de Thomas Jefferson em Brasília, não porque eu morei fora. Quando eu fui morar fora, já era fluente. Inclusive, nunca teria conseguido a bolsa de estudos pra Suécia se já não fosse, já que exigiam o Michigan e o TOEFL.



  • Ver as quatro estações do ano de fato acontecerem é uma coisa fantástica, que quem nunca saiu do país está perdendo.



  • Por mais massificado que o mundo possa estar, moda continua sendo uma questão cultural. Esse relógio que fulana comprou e acha que está arrasando não faria a menor vista em outros lugares. A tal da bolsa do momento, mesmo caso. Coisas são apenas coisas.



  • Se algo parecer esquisito demais no prato, não coma. Se você já estranhou só de olhar, seu estômago provavelmente vai terminar estranhando também.



  • Os esteriótipos quase nunca são o caso, mas costumam ter um fundo de verdade.



  • A felicidade não está nos lugares, mas dentro das pessoas que lá estão. Não importa para onde você for, é com você mesmo que você vai chegar lá. Viagens podem trazer uma felicidade imensa, mas só se você já estiver nesse estado de espírito.



  • Viajar faz muito bem, mas você tem que estar atento para aprender as lições. Não acontece por osmose.



  • Tem lugares no mundo que a gente realmente gosta mais. Tem lugares muito especiais escondidos, que quando a gente encontra dá uma paz tão boa. É como um voltar para uma casa onde você já havia morado mas não se lembrava mais.



  • O slogan do Bombril devia ser o das Havaianas: mil e uma utilidades.



  • E sim. Nunca conte com um alemão para animar a sua festa.

sábado, 19 de novembro de 2011

10 ideias para o fim de semana




  1. Arrumar suas melhores fotos em álbuns;



  2. Ir a uma loja de cds e escolher alguma coisa nova e vibrante pra deixar no som do carro;



  3. Preparar um banho de espuma para você com sais e tudo o que tiver direito;



  4. Desencostar sua bicicleta, encher os pneus e dar uma volta!



  5. Sair pra procurar um abajur para sua casa para criar aquele clima aconchegante;



  6. Sair com aquele amigo que mora perto mas você não vê há séculos;



  7. Fazer um programa que você faria se estivesse visitando sua cidade como turista;



  8. Começar a escrever seu próprio blog!



  9. Colocar em dia seus e-mails e correspondências;



  10. Assistir montes de filmes deliciosos com pipoca e brigadeiro pra acompanhar!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Para quem eu escrevo o blog

Vez ou outra quando eu comento que tenho um blog ouço a pergunta: para quem você escreve? Acho o questionamento bem estranho, já que nunca me passou pela cabeça escrever "para alguém". O nome do blog diz tudo: entre sem bater. Ou seja, quem quiser chegar é bem-vindo. Escrevo para quem quiser ler. Escrevo para os leitores - sejam eles quem forem.





Claro que ao longo do tempo fico sabendo de pessoas que leem meus posts, e vou dizer: é sempre uma grande surpresa. Tem muita gente que eu diria que seria leitor assíduo, e que nunca acessou uma vez sequer. Ao mesmo tempo, há pessoas que eu nunca, em um milhão de anos, acharia que gostariam de ler minhas coisas, e que gostam. Quando descubro esses últimos, fico imensamente feliz.



Mas nunca pretendo escrever "para alguém". Até porque, acho que a coisa pararia de ser autêntica. Várias vezes estou escrevendo algo e prefiro até "esquecer" ou por um momento "desconsiderar" as pessoas que eu sei que provavelmente vão ler, para não correr o risco de querer me censurar.


Porque eu entendo esse blog assim: eu amo escrever. Se tem uma pessoa para quem eu escrevo é para mim mesma. Se hoje existe a possibilidade de permitir o acesso de quem quiser a meus pensamentos, maravilha. Se você entra aqui, que bom, volte sempre! E os que não entram, mesmo sabendo que eu tenho um blog e que adoro ser lida, respeito. Meus pensamentos não são para qualquer um mesmo. (brincadeira)

Enfim. Tem uma crônica do Luis Fernando Verissimo que diz, com palavras muito melhores, o que eu penso sobre o ofício da escrita. Deixo para vocês, escritores ou não, uma reflexão que adoro:



"Fazer dançar os ursos - Luis Fernando Verissimo

Por esses dias li uma citação do Flaubert sobre a insuficiência da linguagem, em que ele diz que a fala humana é como um caldeirão rachado no qual tiramos sons que fazem ursos dançar, quando o que queremos é mover as estrelas. A citação estava em inglês, não garanto a fidelidade ao francês original. O que Flaubert disse da fala vale para a literatura, mesmo esta pequena literatura em poções da crônica, diária ou semanal. Até os menos pretensiosos entre nós têm a secreta ambição de acordar o universo com o seu caldeirão rachado, e devem se resignar a, eventualmente, fazer dançar um urso. Ou, com sorte, dois ou três.

Seria um ofício respeitável, produzir música para ursos sem outras intenções. Os ursos, ao contrário dos cronistas, não têm a menor vontade de afetar as estrelas com a sua existência, ou com os seus ruídos. Preocupam-se com as suas circunstâncias, com o seu alimento e o seu abrigo e com os outros ursos. Contam com os nossos sons para lhes entreter e, vez que outra, iluminar, ou irritar, e não querem saber se o nosso, por assim dizer, público-alvo prioritário esteja nas esferas celestiais. Flaubert se referia à incapacidade do homem expressar tudo o que sente com um instrumento
imperfeito como a linguagem (embora "caldeirão rachado" seja perfeito), mas
também poderia estar escrevendo sobre o desencontro entre a intenção e a
percepção da linguagem, ou sobre a impossibilidade da comunicação humana
resumida na incurável assincronia entre escritor e leitor. Pois os ursos
dançarem com os sons que fazemos é o resultado, antes de mais nada, de um
tremendo mal entendido. No fundo, o que você está fazendo, lendo esta crônica, é
um ato de bisbilhotice. Ela não é para você. Nem é para dançar. Pare
imediatamente.

Não há notícia de um escritor que tenha movido as estrelas com suas palavras. Nem mesmo Flaubert. Alguns tiveram a ilusão de terem mudado a vida dos ursos, e assim de alguma maneira afetado o Universo. Mas foi só um consolo."

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

E lembrem-se meninos e meninas:






"Mil coisas pra fazer é um estado mental, não um fato. Não importa o tanto de coisas que você tiver pra fazer, nós estaremos sempre fazendo apenas aquilo que estivermos fazendo num dado momento, apenas vivendo aquele único momento de nossas vidas." Norman Fischer


Uma ótima volta de feriadão a todos!





domingo, 13 de novembro de 2011

Eyes wide open

Outro dia fui apresentada a uma brasileira que mora aqui já há algum tempo. Assim que me viu, ela fez comentários calorosos de que já havia ouvido muito falar de mim e que estava doida para me conhecer. Então me deu um abraço bem apertado. Depois, passamos a conversar e ela foi só sorrisos. Manteve uma conversa animada, na qual falou de sua vida pessoal e até compartilhou alguns detalhes íntimos. Na despedida, outro abraço forte e convites para nos reencontrarmos em breve. E eu a detestei.

Mas como assim detestou?, você se pergunta. "O modo como ela te tratou foi impecável!", você deve estar pensando.


Sim, concordo. O modo como ela me tratou foi impecável. Um show de simpatia e boas maneiras. Mas vejam: eu não disse que detestei o modo como alguém me tratou. Eu disse que detestei a pessoa.


O significado do meu nome é "aquela que ouve". E no caso desta Simone em particular, poderia ser também: aquela que presta atenção no que você está falando, aquela que é observadora, aquela que está interessada em saber quem você realmente é.


Na ocasião em que conheci a senhorita boas maneiras, fiz o que sempre faço: perguntas. Ah, sim. Porque também estou interessada em saber quem é você. Numa primeira conversa não tenho tanto interesse em falar de mim - eu já sei quem eu sou. Já conheço minhas histórias. Mas o outro, num primeiro momento, é sempre um grande ponto de interrogação.


Estou contando essa história pra falar sobre a importância de sair do superficial e ir ao que interessa. Em primeiras conversas geralmente as pessoas estão tão envolvidas em impressionar o outro ou tentar agradá-lo que se esquecem de olhar para o mais importante: quem é aquela pessoa?


E não é de cara que a gente consegue sacar todo mundo. Alguns são mais reservados, falam e mostram menos. Mas não foi o caso na minha pequena história. E o que aconteceu foi que em pouco mais de uma hora de conversa descobri na fulana de tal uma mulher egoísta, imatura, com valores invertidos, superficial, vulgar e muito, muito carente.


Tenho intenção de voltar a vê-la? Nenhuma.


O lado bom dessa história? Quanto mais rápido você entende quem é tal e tal pessoa, menos tempo da sua vida você perde com gente que não vale a pena.


ps. Este não é um post dizendo "julgue as pessoas". Este é um post dizendo: preste atenção nas pessoas!! Nem todo mundo é bonzinho. Nem todo mundo vale a pena. Tem gente que pode ser simpático mas que realmente não tem nada a ver com você e seus valores.

sábado, 12 de novembro de 2011

Utopia



"Para que serve a utopia? A utopia está no horizonte e eu sei que nunca a alcançarei. Se caminho dez passos, ela se afasta dez passos. E quanto mais eu buscá-la, menos a encontrarei, pois ela se afasta mais à medida que chego perto. Então, para que serve a utopia? Serve exatamente para isso: para eu caminhar." Fernando Birri (cineasta argentino).

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Morre-se da forma como se viveu

Tem gente que acha que depois que morrer vai chegar do outro lado, ter um estalo e simplesmente entender exatamente qual é a natureza de tudo, da vida e da morte, da existência e da não-existência. E que vai entender o que foi exatamente que ela fez em vida e o que é que precisa continuar fazendo para que seu espírito continue evoluindo. E eu me pergunto: por que essas pessoas acham que vão ficar inteligentes depois de mortas?



Falando sério, de onde é que essas pessoas acham que vão tirar todo esse conhecimento? Do além? Não deve ser só porque você foi pra lá que vai ser tão sábio quanto os que já estão lá. Ou os que estão coordenando o além. Se é que lá existe. Se é que é pra lá que vamos. Eu, na verdade, não sei de nada.



Mas ao menos eu procuro saber. Tá certo que se eu tivesse nascido menino em vez de Simone meu nome teria sido Deepak, mas tirando isso... Não sou uma pessoa religiosa, mas gosto de tentar entender o pensamento de almas iluminadas que já passaram ou estão passando por esse mundo como Jesus, Siddartha Gautama (o Buda histórico), ou Thich Nhat Hanh.



E acho que tentar encontrar um caminho espiritual em vida é fundamental. Tem gente que é bastante religioso (apegado ao ritual) mas pouco espiritual. Pra mim, você sabe que encontrou seu caminho espiritual no momento em que encontrou dogmas nos quais acredita com facilidade. Se as escrituras sagradas e ensinamentos simplesmente fazem sentido em sua cabeça, então você deve ter encontrado seu caminho. Se você frequenta um lugar ou lê coisas se não as reconhece como verdades, então procure mais um pouco.



Mas procurar é fundamental. Para o bem da sua própria alma. Eu não sei de muita coisa mas tenho certeza de que a gente é mais que o corpo físico porque sinto isso. E acredito que a gente morre da forma como viveu. Pode ser em paz, em confusão, em conflito, bem, mal ou até mesmo morre-se para que a alma dissipe em outras formas de energia e vire árvore e pedra. É o que certas tradições acreditam que acontece com quem não acredita na continuação. A pessoa passa a vida toda tão desapegado da ideia de que a vida continua, que ao morrer é isso que acontece.



Em uma coisa (bem budista) eu acredito: tudo é basicamente criação mental. A vida. E a morte. E o modo como se passa por elas, mais uma vez, só depende de nós mesmos.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Abra-se. Algo muito maior do que você pensa está acontecendo." Iyanla Vanzant









(Só não vale ler, dizer "oh, que bonito", e depois fazer absolutamente nada sobre o assunto. Aí não adianta. Seria como ler um livro de dieta e esperar emagrecer só de fazer a leitura.)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Blablabla

Cada vez tenho menos interesse ou paciência para jogar conversa fora. E olha que eu adoro conversar. Mas o caso é que gosto de conversas de verdade, nas quais se fala sobre o que de fato interessa. Gosto de falar sobre o que eu realmente estou pensando e sobre o que realmente está na sua cabeça. O básico me cansa. Se não for para falar de nós, falemos então de ideias. Se não somos capazes de produzí-las por nós mesmos, ao menos que sejamos capazes de reproduzir o que outros pensaram. E se for pra falar de outras pessoas, que elas sejam ao menos interessantes o suficiente.



Tem gente que só usa a linguagem para sua função mais básica, que é a de comunicar fatos. A pessoa diz que vai chegar tal hora. Conta o que fez ontem. Diz o que vai fazer amanhã. Okay, okay. Eu posso até ouvir essa parte, mas só se você tiver algo mais a me dizer.



A aula de Funções da Linguagem tinha tudo pra ter sido a mais filosófica do colégio. Eu daria essa aula dizendo:



  • Seja direto e use o mínimo de palavras na função referencial. É só pra me contar um fato? Please, tell me less.



  • Função fática, só se a ligação estiver falhando ou o outro for meio surdo.



  • Atenção ao apelo da função conativa! Não é porque te dizem "beba coca-cola" que é isso que você vai ter que fazer.



  • Aprimore-se na função emotiva ou expressiva, principalmente usando a propriedade da referência deslocada: é a única coisa que nos separa dos animais.



  • E sim, delicie-se com a poética.

domingo, 6 de novembro de 2011

Domingo!

O dia está aí e cada hora é preciosa. Com isso, não estou querendo dizer para você sair por aí desembestado fazendo milhões de coisas porque o tempo urge. Pelo contrário. As horas de domingo são preciosas justamente porque nelas podemos d e s a c e l e r a r...



Abra a janela e respire fundo. AMO domingos! Quase que empatado com minhas amadas terças-feiras comuns... = )


Que o seu domingo esteja sendo ótimo! Se não estiver fazendo quase nada, melhor ainda. Quase nada anda sendo fundamental e coisa rara nesses dias tão atribulados....






sábado, 5 de novembro de 2011

Sinal de que algo vai mal

Não estou dizendo que é regra (porque nada no mundo é) mas geralmente quando uma mulher diz que não gosta da companhia de outras mulheres é porque no fundo ela não se dá bem com ela mesma. No sentido mais profundo disso. Não se dá bem com o lado mais profundo, selvagem e cru da natureza feminina.


Mulheres tem fama de classe desunida. Isso porque em ambientes com muita mulher, costuma haver fofoca, um pouco de inveja, talvez alguma traíção. Acho que isso pode ser verdade até certo ponto, mas é o que acontece entre conhecidas - e não amigas.


Mulheres quando se juntam em prol de alguma causa, para se ajudarem ou simplesmente se juntam para estar umas com as outras formam uma força poderosa. Força essa que pode assustar os homens. Não é incomum a gente ver homens incomodados com grupos femininos, círculos de mulheres, locais onde as iguais vão para se fortalecer.


Os homens gostam de pregar que eles sim sabem ser amigos, quando o que acontece entre homens é mais um pacote de lealdade e camaradagem, e bem pouco mesmo de amizade. Pelo menos pelo que eu entendo como amizade. Amizade pra mim é troca. É você se abrir e ser recebido pelo outro. É mostrar a alma e ter curiosidade sobre a alma alheia. É falar de banalidades e também daquilo que realmente preocupa. É confessar, se mostrar, pedir ajuda, ouvir uma opinião, e desobrir no outro um cúmplice. Eu raramente vi homens terem esse nível de amizade.


Essa é uma coisa que eu já reparei. Mulheres que não gostam de estar na presença de outras mulheres estão desconectadas de seu lado mais selvagem. É uma coisa quase triste de se ver, já que a força que brota do feminino é tão poderosa, e tão gostosa de se estar em contato.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Você conhece o Butão?

Eu tenho um amigo que em breve irá fazer turismo no Butão.



Você sabe onde fica esse país? Chega a ser difícil até chutar em qual continente ele está.


Há pouco tempo a única informação que eu tinha sobre o Butão era que existia e onde ficava, mas só porque por vários anos eu tive um mapa mundi de todo tamanho colado na parede em frente à minha escrivaninha. E era isso. Meus conhecimentos paravam por aí.


Mas desde que esse amigo falou que iria lá, eu comecei a pesquisar sobre o lugar. Para, sabe como é, talvez tentar tirá-lo de cabeça, ou alertar a família de que ele não estava muito em suas faculdades.


(para quem não me conhece direito, estou obviamente brincando.)


Mas enfim. Comecei a pesquisar e o que descobri foram coisas interessantíssimas. Pra começar, que no Butão eles falam Butanês. E que em Butanês o nome do país significa "terra do dragão". Coisa mais mágica isso! Aliás, muita coisa sobre o Butão é meio mágica.


O Butão é um reino budista, pequeno e fechado, localizado nos Himalaias, entre a China e a Índia. Por conta de sua geografia bastante acidentada e de fatores históricos, o país viveu isolado durante séculos. Só nos últimos 60 anos é que o Butão começou a ter notícia do resto do mundo. Por isso, lá é um lugar onde as pessoas ainda se vestem com mantos e longos vestidos coloridos, onde o chefe de cada família é a pessoa da qual os outros familiares gostam mais, e onde o desenvolvimento é medido não pela renda per capita mas sim pela Felicidade Interna Bruta. A maioria das pessoas leva uma vida simples trabalhando no campo, e existe uma monarquia com rei, rainha, príncipe e princesa, adorados pelo povo. Em síntese, é como se fosse o reino encantado do Shrek mas com pessoas de verdade.

Não é interessante pensar que um lugar assim ainda exista no mundo de hoje? Eu gosto de saber que o mundo não é inteiro igual, e que existem outros jeitos de se viver bem.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Sério... Estou brincando



Essa seria uma tradução para o título do último livro que terminei de ler, Seriously... I´m kidding, da Ellen Degeneres (Grand Central Publishing: 2011, 241pgs). Foi uma leitura muito agradável, cheia de momentos nos quais eu realmente dei gargalhadas. O livro é uma espécie de biografia, na qual ela ora conta histórias pessoais, ora dá sua opinião sobre assuntos que vão dos mais sérios aos mais banais.


(E sim, o "ora" ali em cima é sem o h mesmo, como uma boa conjunção em orações coordenadas alternativas. Caso alguém tenha ficado se perguntando. Eu fiquei, pelo menos.)


O capítulo sobre a arte de presentear ("Ellen´s Guide to Gift Giving") é imperdível. Me faz rir só de lembrar os questionamentos dela. Um pedaço que estou lembrando de cabeça seria mais ou menos assim:


"É educado levar algo quando você é convidado para a casa alguém. Mas, e se você já foi à casa dessa pessoa mil vezes? Tem que continuar levando coisas? Quando é que isso termina? Na primeira vez, você leva flores. Na segunda, um bom vinho. E aí? Os presentes tem que ir ficando sempre melhores? Um dia você vai chegar na casa do pessoal com quem você joga baralho carregando uma jacuzzi embrulhada."


E essa não é a melhor parte do capítulo. Mas não vou colocar aqui, pra não estragar pra quem for ler o livro.

Mas okay. Tem um pedaço que é tão bom que eu vou fazer uma tradução livre aqui. É do capítulo Social Skills, na parte que ela está falando sobre tecnologia:


"Hoje em dia tudo ficou eletrônico e instantâneo. A gente manda e-mail, mensagem de texto, temos Facebook, Twitter, Skype, iMessage, iChat, blogs, vídeos nossos dançando no YouTube. Qualquer pessoa que tiver um pensamento, opinião, pergunta ou resposta pode se expressar imediatamente a partir de seu computador, laptop, netbook, iPhone, tablet ou outra coisa eletrônica que vai ser inventada e revolucionar o mundo das comunicações no curto espaço de tempo entre eu escrever este livro e ele ser publicado.


Bem antigamente, lá por volta de 1990, se você quisesse dizer pra todo mundo que você comeu waffles no café da manhã, você não podia entrar na internet e postar no seu Twitter. Só havia um jeito de fazer isso. Você tinha que ir lá fora, encher os pulmões e berrar "Eu comi waffles no café da manhã!". É por isso que tanta gente foi parar nos sanatórios. Eles pareciam doidos, mas quando você para pra pensar, estavam apenas à frente de seu tempo."


Me diverti muito lendo. Recomendo!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mas as pessoas da sala de jantar

Sala de estar é o mesmo que sala de visitas?


De jeito nenhum.


Em inglês só existe um jeito de se referir àquele local da casa onde ficam os sofás, que é living room. Traduzindo literalmente a gente tem: sala de viver/sala de morar. Ou seja: aquele lugar onde a gente passa a maior parte do tempo. Assim são as salas aqui, e na Europa também. No Brasil, algumas casas tem de fato salas de estar, mas em várias outras o que temos são salas de visitas. Qual a diferença? A sala de estar você usa todo dia. Na sala de "estar" é onde as pessoas geralmente estão. E a sala de visitas é aquele lugar que no dia a dia não tem muita utilidade mas que é onde você senta quando vem uma visita.


Não vejo problema em uma sala de visitas se for numa daquelas casas grandes cheias de cômodos, porque aí dá pra fazer em outro cômodo a sala de estar.


Mas realmente não gosto da ideia de que a sala (se só tiver uma), o coração da casa, geralmente bem decorado, é um local para visitas. Qual é o sentido disso? Ter coisas bonitas mas não aproveitá-las? Montar sua própria casa em função de outras pessoas? Eu ein.


Fora que a sala é um dos únicos territórios coletivos da casa, no qual as pessoas se encontram, interagem, e ocasionalmente brigam pelo controle remoto. Quer uma coisa mais "família" que isso?


Por que será que em muitos casos as pessoas acabam se reunindo na cozinha? Porque geralmente é lá que está o calor humano. É lá que tem coisas acontecendo, coisas funcionando, comida saindo, gente provando o molho, barulhos, sons, cheiro gostoso, conversas, enfim, a vida fluindo. Mas esse sentimento acolhedor não precisa ficar restrito à cozinha. Ele pode - e na minha opinião, deve - se estender pro resto da casa.


Na minha casa, a sala de estar é onde eu geralmente estou. A almofada do sofá é a que eu coloco no meu colo quando estou sozinha em casa e vou comer em frente à tv, o livro que está em cima da mesa de centro é o que eu estou lendo (e não aquele livro de capa dura que só serve pra juntar poeira), as velas que estão em cima da mesa são as que eu acendo durante o jantar, o porta-retratos que está cima tem uma foto que eu e meu marido gostamos de olhar, o cobertor que está jogado em cima do sofá é o que a gente usa pra se cobrir se está frio... Resumindo: nada ali é pra inglês ver.


Eu amo salas de estar e sempre me senti esquista em salas de visita. Até porque, se estou na casa de alguém, prefiro ver a pessoa em seu próprio elemento, e não num cenário montado pra me receber...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Conversas pra boi dormir

Quem ainda acredita nessas conversas de que o mundo vai acabar em tal dia de tal ano? Vou dizer uma coisa: o mundo já devia "quase-acabando, cuidado!!" no tempo dos egípcios. E sim, de certa forma e pra muita gente, o mundo já acabou. Só que ele sempre continua. Got it?


E aqueles que dizem que "os tempos atuais são os mais difíceis de se viver"? Que sono. Sim, tem muito mais gente no mundo hoje, os recursos naturais estão sendo consumidos, o ar está mais poluído etc, e antigamente não tinha nada disso. Sim. E também não existiam vacinas, cirurgias, anestesias, computadores, protetor solar, nem tantas outras soluções e prevenções que temos hoje. A impressão de que hoje em dia tudo é mais difícil é pra quem gosta de fantasiar com um passado que provavelmente nunca existiu. Hoje em dia tudo é diferente. Vamos lidar com as coisas que a gente tem, porque são as únicas reais.

Resmugar porque "queria não ter que aprender isso" não leva a lugar nenhum. Melhor adotar a postura "queria já saber isso logo". Se está ali e você vai ter que aprender, ficar fugindo só torna a coisa mais assustadora do que ela deve ser. Lidar com ela e aprender logo deixa tudo mais fácil muito mais rápido.


"O tempo está passando mais rápido hoje do que antigamente" é outra que não concordo. Acho que é uma impressão que vem de um cérebro acostumado com uma rotina. Cada vez que você aprende uma coisa, o cérebro fica "bom naquilo" e passa a fazer quase que sem perceber. Isso é uma coisa boa. Afinal, imagine ter que fazer um esforço e pensar cada vez que você escovasse os dentes, tomasse banho, dirigisse até o trabalho... As coisas tem que entrar numa automático mesmo. Só que os anos vão passando, e se você não mudar algumas coisas em sua vida (seja seu endereço, seu trabalho, seus hobbies) o cérebro passa a fazer tudo no automático. Se você não traz nenhuma novidade à sua própria vida, a sensação vai ser de que o tempo está voando mesmo.


"Eu não tenho tempo" é outra difícil de engolir. Tempo é tudo que temos. Todo mundo tem todo o tempo do mundo enquanto está vivo. O que você escolhe fazer com esse tempo é por sua conta. O que eu acho que acontece é que hoje em dia algumas pessoas ficam perdidas no meio de tantas opções. São muitos livros sendo lançados, muitos filmes nos cinemas, muitas revistas nas bancas, muitas "amigos" nas redes sociais, muitos e-mails bobos na caixa de entrada, etc etc etc. Então se você não consegue filtrar o que é realmente importante e o que você quer ter na sua vida, todas as outras coisas inúteis acabam consumindo seu tempo. E aí você diz "mas eu não tenho tempo!!", mas sabe direitinho o que aconteceu ontem no programa de televisão que é mais lixo que qualquer coisa, e que você na verdade nem gosta, mas nunca nem parou pra pensar nisso... porque não teve tempo.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Ouçamos a Oprah

Outro dia estava assistindo ao novo programa da Oprah chamado Oprah´s lifeclass e a lição do dia me chamou atenção. (Aliás, esse programa tem sido todo muito bom. Se no Brasil alguém tiver acesso ao canal OWN, eu recomendo demais!!) E como todas as grandes verdades da vida, era algo bem simples e ao mesmo tempo muito poderoso. A lição era:


Quando uma pessoa está te mostrando quem ela é, acredite nela.



Pare com aquela lógica boba de que "no fundo todo mundo é bonzinho", porque isso infelizmente não é verdade. "Ah, mas as pessoas podem mudar." Sim, podem. Mas só se elas quiserem mudar. Ninguém muda porque outra pessoa quer.


Sabe aquela pessoa que te mostra com ações o tempo todo do que ela é capaz? Ou aquela pessoa que realmente diz com todas as letras: eu sou egoísta, eu não sou boa pessoa, eu sou perigoso?


A-CRE-DI-TE.


Por que será que as pessoas preferem ignorar certos sinais que a vida vai dando? Talvez porque no minuto que você resolve enxergar de fato uma situação, no momento em que você resolve admitir pra você mesmo certas coisas, você sabe que terá que fazer alguma coisa sobre o assunto. Você terá de agir, talvez mudar algumas coisas em sua vida. E pode ser que esteja faltando coragem.


Okay, é natural ter medo de mudar coisas na vida. Mas fechar os olhos não vai fazer o problema ir embora. E aí em algum momento você vai ter que lidar com algo muito maior.


Isso foi outra coisa que foi discutida no programa: a tendência que os pequenos sinais tem de ir ficando maiores. A vida te manda um pequeno aviso, e aí você pode prestar atenção e fazer alguma coisa sobre o assunto, ou pode simplesmente ignorar. Aí, como você ignorou, a vida vai mandar um sinal ainda maior. E um maior, e um maior, até chegar a uma situação de caos.


Faz sentido. Até porque, um sinal é a vida mostrando que algo não está indo bem. Se você não faz nada sobre o assunto, será que aquilo que não está indo bem vai desaparecer como num passe de mágica ou será que a tendência é a coisa ir se desenvolvendo e ficando cada vez pior? Acertou. Logo, aqui vão duas lições:


Quando uma pessoa está te mostrando quem ela é, acredite.


&


Quando a vida te manda um pequeno sinal, preste atenção e faça algo sobre o assunto. Assim, a coisa pára no pequeno sinal, em vez de ter que acontecer algo muito maior e pior pra que você finalmente dê conta do problema.


Pare agora mesmo e dê uma pensada em sua própria vida. Esse post pode ser o seu pequeno sinal.


Uma ótima segunda-feira a você!

sábado, 29 de outubro de 2011

Visto por aí...

"Em toda festa tem sempre dois tipos de pessoas: os que querem ficar e os que já estão querendo ir embora. O problema é que geralmente eles são são casados."


"Fale quando estiver com raiva e fará o melhor discurso do qual se arrependerá."



"Se não der pra consertar com um martelo, então o problema deve ser elétrico."



"Se alguém te disser que é um mentiroso patológico, você acredita?"



"Se a gente aprende com nossos erros, por que é que eu não sou um gênio?"

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Girl power

Se tem um filme que toda mulher deveria assistir é Sob o céu da Toscana, com a maravilhosa Diane Lane. Além de ter uma história deliciosa, daquelas que prendem a gente desde o primeiro minuto, o filme traz uma lição poderosa de esperança. Cada um interpreta de um jeito, mas pra mim o que esse filme diz é aquele famoso "não importa o que a vida fez com a gente, mas sim o que a gente fez com isso". A história é de uma mulher que é pega de surpresa com um pedido de divórcio do marido (que já estava com outra) e que a partir daí tem que se redescobrir e arranjar um novo propósito para sua vida. Parece bobo e chato? Pode ser. Da mesma forma são as coisas que a vida nos coloca. Às vezes parecem bobas e chatas, mas na verdade escondem tesouros maravilhosos. Assitam. Eu recomendo.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

* abra a cabeça antes da boca

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Aquela pose foi pra quem?

A espontaneidade é uma coisa que sempre me encantou, talvez porque num certo sentido ela me falta. Digo que não sou espontânea no sentido de que gosto de planejar as coisas. Simplesmente para garantir de que tudo vai dar certo, vai ser bom, legal, confortável, etc. É o meu modus operandi. Claro que eu adoro quando algo que não estava no contexto acontece (algo bom, vejam bem, rs) mas simplesmente não tenho paciência de ficar esperando que as coisas aconteçam ou de ficar no "vamos-ver-como-vai-ser-e-tomara-que-seja-bom". Já houve episódios na minha vida nos quais coisas incríveis realmente vieram pra mim, sem que eu tivesse participado dos bastidores, e foi uma delícia. Mas esse não é o tipo de coisa que acontece todo dia. Então, entre uma coisa fantástica e outra cair do céu, vou eu mesma as construindo.




Esse gosto pelo planejamento, pelo saber com antecedência e pela "estrutura" é de família. E não tinha como ser diferente. Ou será que a filha do Nilson-formalidade-é-meu-segundo-nome com a Marília-eu-adoro-fazer-uma-lista seria do tipo deixa-a-vida-me-levar? Não, não seria.




[E o engraçado é que certas coisas a gente só nota quando alguém de fora as aponta. Como o fato de que lá em casa a vida toda cada um tinha seu lugar próprio na mesa. Não era assim na casa de todo mundo? Quer dizer que tinha gente que sentava em outros lugares na mesa?? Que coisa!



Toda vez que eu ia comer na casa de alguém e perguntava à dona da casa onde eu deveria sentar e me diziam "qualquer lugar" eu sempre pensei que isso era uma resposta educada, e nunca considerei que, opa, de repente lá as pessoas talvez se sentassem mesmo em qualquer lugar.




E foi meu marido que me apontou pra uma coisa curiosa lá de casa. É um momento que acontece antes de qualquer refeição que vá ser servida na mesa da sala com mais pessoas que as de casa, no qual todos param por um momento para deliberar onde cada um vai se sentar. Sendo que é sempre na mesma mesa, e com as mesmas pessoas. (Continuo rindo enquanto escrevo, principalmente do fato de que eu nunca tinha percebido isso.)]




Mas é isso. A falta de espontaneidade termina com os planejamentos. Passou disso, eu sou de uma certa transparência. Os sentimentos geralmente estão estampados no meu rosto. Eu digo o que realmente penso, rio quando acho engraçado, e se estiver muito triste, choro mesmo. É claro e infelizmente, há aquelas ocasiões em que se tem de ser educado, e sorrisinho aqui e beijinho ali, e isso eu aprendi direitinho como uma boa menina. Mas esse é o tipo de comportamento que só tolero (em mim e nos outros) entre estranhos ou conhecidos.




Afinal, qual o sentido de manter a pose entre as pessoas que são próximas a você? A troco de quê? Para que te vejam de uma certa maneira? Pode ter certeza de que essa imagem que você quer passar não é a que você passa. Porque cada um vai te ver a partir dos olhos deles mesmos, ou seja: cada um vai ter uma certa imagem diferente sua, mais baseada em quem eles mesmos são do que em quem você é.



Então, quanta inutilidade essas coisa de manter a pose, forçar o sorriso, esconder os problemas. É tão libertador você poder simplesmente ser quem você é, estar como você está, falar do que está realmente na sua cabeça... Eu gosto. E foi assim que fiz (e mantenho) grandes amizades.



Escolho, sim, atentamente quem são essas pessoas a quem vou chamar de amigos, e essa deve ser a parte do "planejamento". Mas passou dessa fase... É só alegria!

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