sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Pra rir ou pensar...

"Nunca saia da sala durante a formação de um comitê - você vai terminar sendo eleito."




"O álcool não vai resolver seus problemas. Mas leite quente também não."




"Um homem resolveu não dar parte do cartão de crédito roubado. O ladrão estava gastando menos que a mulher dele."

"Um banco é um lugar que empresta dinheiro aos que provarem que não estão precisando."


"Não seja insubstituível. Se você não puder ser substituído, nunca será promovido."

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Um pouco de Joseph Campbell

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Um dia você intevitavelmente se pergunta: quem ou o que sou eu? Sou apenas o veículo ou a própria consciência? Será que eu sou esse corpo, que é o veículo da vida, ou será que sou a própria vida?
Joseph Campbell tem uma metáfora maravilhosa para explicar o que seria a consciência e a vida sob a ótica budista. Ele o convida a, dentro de uma sala, olhar para cima. A partir daí você pode dizer que “as luzes estão acesas” no plural ou que “a luz está acesa” no singular – e esse são dois modos de dizer a mesma coisa. A diferença é que no primeiro caso a ênfase está em cada uma das lâmpadas, e no segundo caso a ênfase está simplesmente na luz. Aí temos o individual versos o geral. Continuando, se uma das lâmpadas da sua casa queima, você não vai chegar lá e dizer “mas puxa, queimou a minha lâmpada favorita!”. Claro que não. Você simplesmente vai lá, tira a lâmpada queimada e coloca uma nova. Por quê? Porque o importante não é o veículo mas sim a luz.
E você? É o veículo ou é a consciência? No momento em que você se identifica com a consciência, você deixa de ficar apegado. Porque agora você vai ter se identificado com aquilo que é eterno, com aquilo que nunca acaba. E vai perceber que é uno com a consciência que está em todos os seres. E nesse momento, a morte perde o sentido, já que o que acaba são os veículos, e não a consciência ou a vida.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

15 coisas que você nunca deveria deixar de fazer

A Cosmopolitan americana trouxe esse mês uma lista de 50 coisas que nunca deveríamos deixar de fazer num relacionamento amoroso. Eis os quinze itens que tirei da lista com os quais concordo mais, do menos ao mais importante:


15. Trocar beijos no cinema.



14. Fazer um mimo como a sobremesa preferida dele sem motivo especial.



13. Chegar a um consenso vez ou outra sobre o que vão assistir juntos na tv, em vez de ir cada um para um cômodo.



12. (Ao menos tentar) rir das piadas dele.



11. Andar de mãos dadas.



10. Falar com ele com sua voz de adulta. Nada de ficar fazendo voz de criança na esperança de passar por bonitinha.



9. Comprar lingerie bonita em datas que não sejam aniversários ou dia dos namorados.



8. Mesmo morando juntos, manter um pouco daquela privacidade saudável.



7. Poupá-lo de seus dramas femininos, como ficar falando horas sobre quem-terminou-com-quem-por-conta-do-quê.



6. Ocasionalmente, planejar montes de atividades no fim de semana para fazer sem ele para que ele possa ter tempo de respirar (e sentir saudade).



5. Nunca relaxar só porque está em casa. Por mais simples que estiver vestida, procurar sempre estar arrumadinha e cheirosa.



4. Procurar uma maneira nova para seduzí-lo. Tudo bem que você já sabe o que funciona, mas todo mundo gosta de novidade.



3. Deixar seu telefone na bolsa e no silencioso quando estiverem num restaurante.



2. Elogiá-lo, em particular e em público.



1. Dizer que o ama, e explicar as razões para isso.


A lista vale também para os rapazes, não é meninas?

sábado, 24 de setembro de 2011

Receita de creme gelado

Vai aqui a receita para uma sobremesa deliciosa. Não a negligenciem - eu fiquei tentando deduzir essa exata receita por quinze anos da minha vida. Comi isso na casa dos amigos dos pais de uma amiga minha quando tinha 13 anos, e desde então fiquei tentando descobrir como fazer. Procurava receitas, testava, mas nunca ficava exatamente o que eu queria. E então ontem, eis que eu acertei a mão e descobri exatamente o que estava faltando ou sobrando. Vai o tesouro, de bandeja:





Creme gelado bicolor




Ingredientes:

2 latas de leite condensado

1 xícara de leite

2 latas de creme de leite

3 colheres (sopa) de chocolate em pó

3 gemas

1/2 colher (sopa) de maisena

1 colher (sopa) de manteiga



Preparo:

Numa panela média, misture 1 lata de leite condensado com a xícara de leite, as 3 gemas e a 1/2 colher de maisena. (Lembre-se de dissolver a maisena num pouquinho d´água antes de adicionar na mistura!) Leve ao fogo alto mexendo sempre. Quando começar a engrossar, abaixe o fogo e continue mexendo por mais 1 minuto. Tire do fogo e acrescente a lata de creme de leite. Reserve.


Em outra panela média, misture 1 lata de leite condensado com 3 colheres de chocolate em pó, 1 lata de creme de leite a 1 colher de manteiga. Misture bem até o ponto de brigadeiro de panela (que é, mais ou menos, o que você vai ter feito com essa mistura).


Em um pirex redondo médio/pequeno coloque o "brigadeiro" no fundo e com cuidado, espalhe o creme claro por cima. Leve ao freezer por algumas horas. Tire uns 20min antes de servir.


Delícia! Tem um assim no meu freezer neste exato momento! = )

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Você o ama? Você se ama? Tem certeza?



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Eis uma definição de amor bem interessante e que dá o que pensar. Li no Sream Free Marriage, um dos últimos livros sobre relacionamento que caiu nas minhas mãos. Lá o autor definia amor como: querer absolutamente o que for melhor para aquela certa pessoa - e aqui vai o twist - mesmo que isso não inclua você.


Ah?


E ele continua: só que você vai querer que essa pessoa seja você! Afinal, você quer ficar com ele! Logo você terá que estar sempre tentando se melhorar: para que a pessoa com quem você estiver possa ter sempre a melhor das companhias.


Continuando nesta lógica, aquela pessoa que diz "eu sou assim mesmo e ele que me aceite" não ama seu companheiro já que não está procurando ser para ele a melhor das pessoas. E também não ama a si mesmo. Mais uma vez, porque quem ama quer o melhor para aquela pessoa - mesmo que ela seja você próprio.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Como dobrar seu dinheiro

Quer aprender uma maneira fácil e rápida de dobrar seu dinheiro? Pegue a nota, junte as pontas da direita com as da esquerda e a devolva ao seu bolso.


ha ha




(Piadinha - com um fundo de verdade - inspirada por estar assistindo o programa da Suze Orman na TV. Ela é ótima e tem dicas reais e muito boas para lidar com dinheiro - recomendo!)

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Gostei muito do livro The everygirl´s guide to life (itbooks: 2011) por Maria Menounos. Ela é jornalista, atriz e uma graça de pessoa. Filha de imigrantes gregos que vieram para os Estados Unidos tentar a vida, ela começou como faxineira de bar, e com muita força de vontade e determinação foi subindo os degraus até chegar ao que é hoje: apresentadora de um dos programas de entretenimento mais assistidos (e glamurosos) dos Estados Unidos. Nesse livro, ela fala sobre suas filosofias de vida e dá conselhos e dicas práticas sobre moda, beleza, organização, bem estar etc. Algumas partes interesssantes do livro:

"Sonhos vs. Fantasias. Quando você estiver traçando planos para sua carreira, aprenda a reconhecer a diferença entre sonhos e fantasias. Sonhos se realizam; fantasias, não. Seu objetivo final deve ser um sonho, e como tal, algo possível de acontecer. Um sonho é: eu quero começar a investir em imóveis para aumentar meu patrimônio. Uma fantasia é: eu quero ganhar um milhão na loteria. Um sonho para mim é ser repórter para a NBA, e uma fantasia seria ser jogadora da NBA."

"O que você quer vs. o que você de fato quer. Você quer se casar com um cara incrível que vai te tratar como uma princesa, mas o que você de fato quer é aquele bonitinho que é egoísta e te trata igual lixo. Você quer viver uma vida longa e saudável, mas o que você de fato quer é fumar e beber um monte. Você quer ficar em forma mas o que você de fato quer é comer montes de fast-food e fugir do exercício físico. Você quer ser rica mas o que você de fato quer é gastar todo o seu dinheiro suado com coisas fúteis. Já deu pra entender. Perceba o que é que você quer e então faça isso ser também o que você realmente quer!"

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Rapidinhas

Aqui nos EUA é possível comprar coisas de qualidade a preços tão bons que acho que estou curada da minha síndrome de Che Guevara. Antigamente eu era mão fechada. Afinal, tremia só de ver os preços. Era uma consumidora convulsiva.
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Esse país é cheio de pessoas exemplares. Você dá uma olhada em volta nas praças de alimentação e vê aquele povo que mal cabe na cadeira comendo porções enormes. Um belo exemplo... do que não fazer.

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Se você estiver pensando em suspender seu tratamento de acupuntura, pense de novo. Afinal, seria o fim da picada.
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Hoje eu peguei o Tide (uma espécie de bonde moderninho) pra ir ao shopping. Uma mulher começou a falar comigo ainda na estação enquanto aguardávamos - e foi falando o caminho inteiro (umas 6 paradas). No meio do falatório ela contou que o casamento dela não tinha dado certo e que ela tinha certeza que era porque ela gostava de dormir tarde e o marido, cedo. Tive que me segurar pra não apresentar minha própria teoria.
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O coitado deve ser aquele cara que não fala com a mulher há seis meses - porque ela não gosta de ser interrompida.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

As coisas de que sentimos falta

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Se tem uma coisa que eu sinto saudades quando não estou no país é de ver Bom Dia Brasil de manhã. Não sei exatamente por quê, mas cada jornal da Globo pra mim tem uma "cara". Jornal Hoje, por exemplo, tem cara de férias de julho. Jornal Nacional tem cara de hora de ir pra cama. E o Bom Dia Brasil tem cara de dia feliz, tomar Nescau na mamadeira e ver meu pai fazer a barba. Como vocês podem perceber, a infância é uma coisa que eu já superei totalmente.
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Seja por qual motivo for, eu adoro ver Bom Dia Brasil. Por conta disso, quando fui morar na Suíça assinei a Globo.com pra poder assistir. O problema é que aquela época (2007) o jornal na íntegra só era disponibilizado com um dia de atraso. E uma vez que o Bom Dia Brasil é o primeiro jornal do dia, naturalmente vai falar das notícias do dia anterior. Logo, eu estava sempre assistindo o jornal de anteontem.


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O que até combinava com aquele clima antigo da Europa. Me sentia naqueles tempos em que se esperava as notícias chegarem de navio.


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Mas agora tudo mudou. Minutos depois do jornal terminar aí ele já está disponível pra mim aqui. E com a ajudinha do fuso horário, eu estou assistindo os jornais do dia na hora em que eles passariam mesmo. Assim dá pra continuar informada e indignada - pro dia nascer feliz!

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pudim de chocolate americano

Uma receitinha americana se alguém quiser variar.

Chocolate Pudding

Ingredientes:
¼ copo de açúcar, ¼ copo de achocolatado, 2 colheres (sopa) maisena, 1 pitada de sal, 2 copos de leite, 1 ovo, 1 barra de chocolate meio-amargo



Preparo:
Misture o açúcar, o chocolate em pó, a maisena e o sal numa panela grande. Adicione aos poucos o leite. Leve ao fogo alto mexendo constantemente até ferver (de 3 a 5min). Tire do calor. Imediatamente, bata o ovo com uma batedeira numa tigela grande de vidro (ou resistente a calor). Quando o ovo estiver bem batido, vá adicionando aos poucos a mistura quente de chocolate ao ovo, mexendo sempre. Coloque numa tigela e leve à geladeira. Decore com chantily.
Rezar e meditar são dois lados da mesma moeda.

As pessoas tem essa ideia de que rezar é para católicos, orar para evangélicos, meditar para budistas etc. Na verdade, somos todos humanos em busca de transcendência. E eu vejo assim: rezar é falar com Deus. E meditar é ouvir. E como em qualquer conversa, ambas as partes são importantes.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Não vá pela cabeça da Edith Piaf

A letra você conhece:

"Non, rien de rien
Non, je ne regrette rien
Ni le bien qu'on m'a fait
Ni le mal; tout ça m'est bien égal..."

A música pode até ser bonita. Já a ideia de não ter arrependimentos...

As pessoas parecem gostar de dizer "não me arrependo de nada", como se isso significasse: tenho a alma leve.



Mas que leveza é essa? Saber que errou bastante e fazer pose de nem aí dá por acaso paz de espírito a alguém? A mim não dá.



Não tenho nada contra o arrependimento. Aliás, acho fundamental - um sinal de crescimento. Ruim é sentir culpa. Culpa é um sentimento que nos paraliza, enquanto que o arrependimento nos move. Nos faz querer reparar o dano, ser diferente, tentar de novo, ir por outro caminho. Acho tudo de bom.


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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

A sua alma sabe a verdade.


Se você insiste em dizer a ela qualquer coisa que não seja a mais pura e espontânea verdade, ela sente. Ou seja, você mesmo sente. E aí você vive em conflito.


Seja corajoso o suficiente para dizer a verdade a si mesmo. Sobre toda e qualquer situação. Por mais que você pense que vá doer, a verdadeira dor é viver em iusões.


"A verdade vos libertará."



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domingo, 11 de setembro de 2011

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Um ótimo domingo a todos, com a promessa de posts diários novamente semana que vem!


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Beleza pura

Seguem algumas das minhas descobertas de beleza aqui nos States. Todos esses produtos foram testados - e mais que aprovados!






O creme moroccan argan oil faz parte de uma linha que tem shampoo, condicionador e afins. Experimentei várias coisas da linha. A máscara para banho de creme é campeã. O cabelo fica pesado sem ficar oleoso, brilhante e muito cheiroso. E é bem prático usar, já que ele é desses de deixar apenas 3 minutos no banho mesmo!





O Mega Shine de Sally Hansen é para passar depois do esmalte. Ele serve como uma cobertura que não só faz as unhas brilharem intensamente como ajudam a prolongar a vida do esmalte. Dá pra passar também quando o esmalte até dura mas vai ficando sem vida. Basta uma camada e as unhas ficam com aquele ar de "acabei de vir da manicure".












Para quem tem os poros aparentes, o pore refining sollutions da Clinique é maravilhoso. Ele funciona como primer então além de dar uma boa disfarçada nos poros, ainda faz a maquiagem durar sem brilhar por bastante tempo. Aprovei!


















Esse rímel é fantástico. É da Maybelline e se chama The Falsies. Na propaganda eles dizem que ele veio para acabar com a necessidade de usar cílios postiços. De fato. Minha impressão ao usar foi que meus cílios ficaram mais longos e bem marcados, o que fez toda a diferença!










Esse aqui foi a segunda descoberta que eu fiz, logo após a chocante descoberta nº 1 de que as americanas estavam todas mais bronzeadas que eu, recém-chegada de um país tropical. Tratei logo de me arranjar um bronze - e a Victoria Secret me ajudou. O Beach Sexy Adjustable Self-tan lotion é muito legal. Além de ser rápido e prático, ele ainda permite que você escolha o tom que quer seu bronzeado, deixando a cor bem mais natural.










Sabe aqueles fiozinhos que ficam meio arrepiados nas pontas do cabelo assim que você seca? Ou aquela franja que insiste em ir para o lado errado em vez de cair pesada do jeito que você quer? Ou aqueles fios arrepiados por toda a extensão do cabelo? Estão todos com os dias contados se depender do Frizz-ease do John Frieda. Um pouquinho já é suficiente para dar o maior efeito cabelo-de-comercial. Gostei demais!



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Back to basics

Ontem à tarde estava com meu marido na fila de uma sorveteria tentando decidir entre mil opções de sorvete, quando resolvi escolher um que há muito não pedia: chocolate. Não o "chocolate triplo com caramelo e camadas de marshmallow" nem o de "chocolate cremoso com pedaços de brownie e amêndoas colhidas na patagônia". Esses eu vinha pedindo sempre. Mas de repente, naquela fila de sorveteria, tendo que decidir não só se era casquinha ou copinho ou se uma ou duas bolas, mas sim qual entre os cinco formatos de casquinha, e depois escolhido o formato, qual confeito naquele formato, e qual dentre os cinco tamanhos disponíveis, ou se por peso com coberturas determinadas por mim, ou se com coberturas pré-determinadas já incluídas no preço, e se quero extra-isso ou extra-aquilo... E de repente você se vê tendo que tomar seis ou sete decisões... somente para tomar um sorvete.


Então eu pedi o de chocolate. Pequeno, chocolate, só. E estava fantástico.


Lembram-se quando os sabores de sorvete eram morango, chocolate, baunilha e flocos?


Às vezes as coisas simples são as mais deliciosas.

sábado, 3 de setembro de 2011

A Mentira

Uma crônica que adoro, para alegrar o domingo!


A Mentira - Luis Fernando Verissimo

João chegou em casa cansado e disse para a mulher, Maria, que queria tomar um banho, jantar e ir direto para a cama. Maria lembrou a João que naquela noite eles tinham ficado de jantar na casa de Pedro e Luísa. João deu um tapa na testa, disse um palavrão e declarou que de maneira nenhuma, não iria jantar na casa de ninguém. Maria disse que o jantar estava marcado há uma semana e seria uma falta de consideração com Pedro e Luísa, que afinal eram seus amigos, deixar de ir. João reafirmou que não ia. Encarregou Maria de telefonar para Luísa e dar uma desculpa qualquer. Que marcassem o jantar para a noite seguinte.
Maria telefonou para Luísa e disse que João chegara em casa muito abatido, até com um pouco de febre, e que ela achava melhor não tirá-lo de casa naquela noite. Luísa disse que era uma pena, que tinha preparado uma Blanquette de Veau que era uma beleza, mas que tudo bem. Importante é a saúde e é bom não facilitar. Marcaram o jantar para a noite seguinte, se João estivesse melhor.
João tomou banho, jantou e foi deitar. Maria ficou na sala vendo televisão. Ali pelas nove bateram na porta. Do quarto, João, que ainda não dormira, deu um gemido. Maria, que já estava de camisola, entrou no quarto para pegar seu robe-de-chambre. João sugeriu que ela não abrisse a porta. Naquela hora só podia ser um chato. Ele teria que sair da cama. Que deixasse bater. Maria concordou. Não abriu a porta.
Meia hora depois, tocou o telefone, acordando João. Maria atendeu. Era Luísa querendo saber o que tinha acontecido.
- Por quê ? - perguntou Maria.
- Nós estivemos aí há pouco, batemos, batemos e ninguém atendeu.
- Vocês estiveram aqui?
- Para saber como estava o João. O Pedro disse que andou sentindo a mesma coisa há alguns dias e queria dar umas dicas. O que houve?
- Nem te conto - contou Maria, pensando rapidamente. - O João deu uma piorada. Tentei chamar um médico e não consegui. Tivemos que ir a um hospital.
- O quê ? Então é grave.
- A febre aumentou. Ele começou a sentir dores no corpo.
- Apareceram pintas vermelhas no rosto - sugeriu João, que agora estava ao lado do telefone, apreensivo.
- Estava com o rosto coberto de pintas vermelhas.
- Meu Deus! Ele já teve sarampo, catapora, essas coisas?
- Já. O médico deu uns remédios. Ele está na cama.
- Vamos já para aí.
- Espere!
Mas Luísa já tinha desligado. João e Maria se entreolharam. E agora? Não podiam receber Pedro e Luísa. Como explicar a ausência das pintas vermelhas?
- Podemos dizer que o remédio que o médico deu foi milagroso. Que eu estou bom. Que podemos até sair para jantar - disse João, já com remorso.
- Eles iam desconfiar. Acho que já estão desconfiados. É por isso que vem para cá. A Luísa não acreditou em nenhuma palavra que eu disse.Decidiram apagar todas as luzes do apartamento e botar um bilhete na porta. João ditou o bilhete para Maria escrever.
- Bota aí: "João piorou subitamente. O médico achou melhor interná-lo. Telefonaremos do hospital".
- Eles são capazes de ir ao hospital à nossa procura.
- Não vão saber que hospital é.
- Telefonarão para todos. Eu sei. A Luísa nunca nos perdoará a Blanquette de Veau perdida.
- Então bota aí: "João piorou subitamente. Médico achou melhor interná-lo na sua clínica particular. O telefone lá é 236 - 6688".
- Mas esse é o telefone do seu escritório...
- Exato. Iremos para lá e esperaremos o telefonema deles.
- Mas até que a gente chegue ao seu escritório...
- Vamos embora!
Deixaram o bilhete preso na porta. Apertaram o botão do elevador. O elevador já estava subindo. Eram eles!
- Pela escada, depressa!
O carro de Pedro estava barrando a saída da garagem do edifício. Não podiam usar o carro. Demoraram para conseguir um táxi. Quando chegaram ao escritório de João, que perdeu mais tempo explicando ao porteiro a sua presença ali no meio da noite, o telefone já estava tocando. Maria apertou o nariz para disfarçar a voz e atendeu:
- Clínica Rochedo."Rochedo?!" espantou-se João, que se atirara, ofegante, numa poltrona.
- Um momentinho, por favor - disse Maria.
Tapou o fone e disse para João que era Luísa. Que mulherzinha! O que a gente faz para preservar uma amizade. E não passar por mentiroso. Maria voltou ao telefone.
- O Sr. João está no quarto 17, mas não pode receber visitas. Sua senhora? Um momentinho por favor.
Maria tapou o fone outra vez.
- Ela que falar comigo.
Atendeu com a sua voz normal.
- Alô, Luísa? Pois é. Estamos aqui. Ninguém sabe o que é. Está com pintas vermelhas por todo o corpo e as unhas estão ficando azuis. O quê? Não. Luísa, vocês não precisam vir para cá.
- Diz que é contagioso - sussurrou João, que com a cabeça atirada para trás preparava-se para retomar o sono na poltrona.
- É contagioso. Nem eu posso chegar perto dele. Aliás, eles vão evacuar toda a clínica e colocar barreiras em todas as ruas aqui perto. Estão desconfiados que é um vírus africano que...
Uma das coisas deliciosas de se casar com alguém inteligente é poder confiar nas decisões que a pessoa vai tomar sem ter que sempre estar absolutamente a par de tudo.

Marido escolheu nosso carro aqui dos EUA - e eu estou absolutamente encantada. Com ambos.

Um ótimo sábado a todos!!!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Sejamos nobres

"Pai nobre, filho rico, neto pobre." O ditado é mais verdadeiro do que muitos gostariam de acreditar.


Há toda uma geração de jovens adultos provando exatamente isso. Seus pais construíram a vida nos anos 60 e 70, beneficiados pelo Milagre Econômico (e ironicamente os mesmos que hoje atiram pedras no regime militar, esquecendo de reconhecer certos lados bons da época), e acabaram alcançando talvez mais do que suas qualificações os permitiriam em tempos normais. E como são chamados geralmente aqueles de quem o volume de dinheiro supera o de cultura? Rico (e nunca "nobre"). E quem é esse "rico"? É o cara que gasta sem critério, que não tem cultura e pior que isso, não está interessado em ter. É o cara que tem na mão múltiplas possibilidades (por ter dinheiro) mas que o máximo que consegue é transformá-las em gastos fúteis que não trazem benefícios a ninguém (nem a eles próprios). Eles tem o recurso mas não sabem o que fazer com aquilo.


Do outro lado, existem os nobres. Quem seriam? Os que lutaram para ter o que tem. Os que talvez deram a sorte de ter berço de ouro, mas que mesmo assim entenderam o valor do dinheiro. E entenderam porque eram brilhantes? Não. Porque tiveram pais que fizeram questão de os passar valores - valores que eles, pais, já tinham dentro de si. Quando digo nobre, falo de nobreza de espírito.


O que aconteceu no Brasil? Houve uma geração de pais nobres, que hoje são os avôs e avós da geração de 20-30 e poucos anos. Esses pais nobres geraram seus filhos, que em pleno Milagre Econômico, se tornaram ricos. Esses são os pais desse pessoal. E os filhos? Muitos terminarão pobres. Aliás, muitos já são pobres - só que ainda nem perceberam. São pobres porque frequentam lugares e moram em bairros que seus salários com suas qualificações não os permitiriam - mas vivem do bolso do papai. São pobres porque tiveram oportunidades e nada fizeram com elas. São pobres porque se perdem as ajudas de mamãe e papai verão que não conseguiram chegar onde os pais chegaram, tendo tido oportunidades mas com elas nada fazendo, e o pior de tudo: nem essa dinâmica, da qual são parte, conseguiriam entender.


Possível solução para o ciclo vicioso? No melhor estilo Che Guevara, há de se enriquecer, mas sem perder a ternura. Digo, a nobreza.