quinta-feira, 31 de maio de 2012

A dramática história do meu antigo celular

 Essa eu tive que compartilhar.
 Recebi um e-mail do meu amigo Tardelli, contando o que andou acontecendo com um aparelho de celular que eu havia vendido pra ele. Esse celular era bem moderno e estava novinho quando saiu nossa mudança pra cá. Por isso, eu o tinha aqui na gaveta, novinho, brilhando. Quando ele esteve aqui nos states nos visitando, fizemos um combinado e o aparelho ficou sendo dele. Não vou contar mais nada da história porque as palavras dele são melhores que as minhas. Eis o texto:

Ah! O celular está protestando: quer a antiga dona de volta. O coitado não está aguentando mais apanhar.
Aliás Simone, isso sim é um celular! Sério, está aguentando bravamente a árdua missão de ser meu. A Samsung é uma empresa que eu respeito depois dessa.
O ocorrido: no sábado fui andar de bicicleta na hora do almoço... Pois bem, nesse momento eu estava falando com a K. pelo celular. Nisso, a margem desbarrancou, e eu cai no lago de bicicleta. O celular foi junto (lógico). Ele abriu todo.
Daí eu fiquei procurando as partes dentro do lago. Achei a bateria, a parte de trás, e a parte principal - tudo encharcado de lama.
Quando cheguei em casa, peguei o celular completamente encharcado de lama por dentro (o visor só dava para ver água e barro) e ainda sujo de sangue (porque eu machuquei a mão).
Aí não tive outra alternativa a não ser jogá-lo no lixo. Mas a minha persistência de virginiano... Não, que frase gay. Corrigindo: a minha cabeçadurisse de macho me fez tentar consertá-lo.
Desmontei, com muita dificuldade, porque a lama entrou nos buracos dos parafusos e emperrou tudo... Além do mais, eu estava abrindo com uma faca e um martelo (coitado dele, um objeto de alta tecnologia nas mãos de um ogro). Enfim, consegui desmontá-lo.
Ele tem duas placas e mais o visor. É um aparelho bem complexo.
Joguei essa complexidade toda debaixo da pia e mandei água para tirar a lama.
Para secar, resolvi escutar os conselhos da minha consultora para assuntos de alta tecnologia: a Nega (a empregada lá de casa).
O conselho foi: "coloca no arroz que ele seca." E lá foi o coitado, todo desmontado, para dentro do saco de arroz. Só que eu não sabia, mas o arroz solta uma coisa branca meio grudenta, então não deu certo.... Então por isso, ele voltou para pia.
Coloquei para secar, passei a escova de engraxar sapatos (era a única que eu tinha) para tirar o resto de lama. E montei novamente (faca e martelo).
Vc acredita que ele voltou a funcionar perfeitamente?!!!!
A única diferença é que o visor ficou manchado de água.
Ontem, eu estava descendo aquelas escadas dos anexos do Ministério e o celular cai da minha mão.... (pensando bem pode ter sido uma tentativa desesperada de suicídio) e saiu caindo pela escada e, claro, abriu todo. Nisso, ouço um cara lá embaixo falando: "Jogaram uma bateria aqui." Ha ha, era a bateria dele que tinha caído.
Pensei: tanto trabalho para consertá-lo e não serviu para nada, porque essa última queda foi bem feia mesmo.
Ainda assim montei e tentei ligar.... E para minha surpresa, ele voltou a funcionar perfeitamente. Tanto que, na hora que eu liguei, ele já começou a tocar, já que estavam me ligando. Ah! Com uma diferença: depois da queda, aquelas manchas de água do visor sumiram!
Dá para acreditar?!!!!

Kkkkk... Estou rindo dessa história aqui até agora... E se alguém quiser saber o modelo do celular, eu até procuro saber direitinho. Porque esse sim passou no teste!!!

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Torta de liquidificador (recheio de atum)

Essa é para aquele dia que a dispensa está meio vazia mas por alguma razão você precisa tirar um prato delicioso da cartola - ou melhor, do forno! Segue essa receitinha. Simples de fazer e com ingredientes baratos, ela é garantia de se causar uma ótima impressão com o mínimo de esforço!

Torta de Atum (de liquidificador)

Ingredientes:

Para a massa:
3 ovos
2 xícaras de leite
1 xícara de óleo
4 colheres de queijo parmesão
1 colher (café) de sal
2 xícaras e 1/2 de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó

Para o recheio:
2 latas de atum
1 cebola
1 dente de alho
2 colheres (sopa) vinho branco de mesa
1 colher (sopa) de manteiga
2 tomates
Salsinha, cebolinha
Sal, pimenta do reino
1/2 lata de creme de leite
1 colher (café) de farinha de trigo 

Preparo:

Pré-aqueça o forno em temperatura média (180graus).

Comece fazendo o recheio: numa panela média, coloque a manteiga, a cebola picada e o alho e refoque. Acrescente o tomate picadinho e o vinho. Adicione o atum e refogue um pouco. Acrescente agora o creme de leite e a farinha de trigo. Tempere com sal, pimenta do reino e por fim, adicione a salsinha e a cebolinha.

Bata no liquidificador os ovos, leite, óleo, queijo e sal até misturar bem. Passe a mistura para uma vasilha e acrescente a farinha e o fermento aos poucos.

Coloque metade da massa na forma, aí despeje delicadamente o recheio e por cima e então despeje a outra metade da massa.

Levar ao forno até dourar. (cerca de 45 minutos).

Servir com salada verde.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pra começar bem a semana...

... uma pequena reflexão!

 Eis o Triângulo das Bermudas da Produtividade!

(Também conhecido como o fenômeno do "onde foram parar as horas todas de trabalho que estavam bem ali?")

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Dos milagres que aconteceram

(Este post é continuação do de ontem. Leiam o anterior primeiro, para não pegar o barco andando.)

Pois bem. Eu fiquei de contar sobre alguns dos milagres, certo? Então vamos lá. Já aconteceram muitos outros para mim, mas vou me ater nos mais recentes.

Nova York, inverno, dezembro de 2010. Estou visitando um museu com meu marido quando anunciam que vão fechar mais cedo por conta de "condições climáticas extremas". Ouvindo isso, nós dois - muito desavisadamente - começamos a rir, pensando "que exagero". Não era. Ao sair do museu, o que vemos é neve por todos os lados. Uma nevasca forte caia - a mais forte de não sei quantas décadas - junto com um vento forte. Estava difícil enxergar até mesmo placas de trânsito que estavam próximas. A situação estava tal que conseguiu impressionar a mim e a meu marido (sendo que ambos já havíamos visto muita neve na vida). Enfim. O que seguiu a isso foi um caos completo. Nova York simplesmente parou. Não havia ônibus, nem táxis, nem metrô - e muito menos aviões decolando. Precisávamos voltar para o Brasil na noite seguinte e as chances de que isso acontecessem não eram nada boas. Passamos o último dia todo da viagem dentro do hotel assistindo à televisão para ter notícias sobre quando a cidade voltaria a funcionar. As notícias não eram animadoras. Quando deu a hora de irmos para o aeroporto, a única coisa que havia voltado a funcionar era o metrô - e olhe lá. A vã que havíamos pago não iria rodar naquelas ruas ainda cheias de neve. Portanto, chegado o momento de irmos para o aeroporto, marido diz que temos que tentar ir de metrô. Estaria tudo até que mais ou menos okay não fossem as condições: como bons brasileiros turistas, estávamos com sete malas pesadas. E minha única bota para neve havia furado no dia anterior, ou seja - meu pé congelaria (de verdade) em pouco tempo andando lá fora. Mesmo assim, marido disse que tínhamos que tentar chegar no aeroporto, já que não tínhamos informações sobre nosso vôo e precisávamos ao menos nos apresentar no balcão da companhia para, se fosse o caso, remarcar a passagem. (ele não sabia sobre a condição da minha bota). Então, no momento em que ele disse "vamos", e que eu comecei a caminhar pelo corredor carpetado do hotel, mal conseguindo carregar aquele tanto de mala, sendo que ainda estava num lugar quente e seco, o desespero bateu fundo. Pegar metrô de que jeito, com aquele tanto de malas?? Daria tempo de colocarmos tudo pra dentro e depois de tirarmos tudo no breve tempo de abrir e fechar das portas dos trens?? Como faríamos nas longas escadas - que estariam também cobertas de neve?? Como eu faria pra caminhar no gelo com a bota rasgada?? E se eu me perdesse do meu marido?? Como faria para encontrá-lo(estávamos sem celular)? E depois no aeroporto?? E se tivéssemos que ficar por lá? Havíamos visto na televisão que nenhum vôo estava chegando ou saindo, e por isso estavam chamando os aeroaportos de "Hotel JFK" e "Hotel La Guardia".
 Foi nesse momento que eu rezei e pedi pra Deus, do fundo do coração, um milagre.

 E o que acontece? No minuto em que colocamos os pés para fora do hotel, uma vã preta enorme aparece. Sim, era um táxi (apesar de que nada estava rodando na cidade) (e apesar de que os táxis de Nova York são aqueles amarelos e de tamanho de carro de passeio). Sim, ele cobraria um preço camarada. Sim, caberia no carro nós dois E nossas sete malas. Sim, a vã foi tranquilamente até o aeroporto, sem contratempo algum. E sim, quando chegamos no aeroporto - lotado e caótico - qual seria um dos dois únicos vôos que sairiam aquela noite? Exatamente. O nosso. 

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Milagre número 2:

Chesapeake, 2012, madrugada. Estou acordada, com insônia (coisa raríssima para mim) e de repente, tenho um ataque de pânico. (Para os felizardos que nunca tiveram um, é a coisa mais atormentadora do mundo. É terrível. Não desejo a ninguém). Estava em meio a leitura de um livro de nova era ("O Poder do Agora", de Eckhart Tolle) e, apesar de saber que o ataque de pânico veio da junção de diversas razões, em todo caso eu absolutamente NÃO recomendo esse livro. De qualquer forma, eu passei por um mau pedaço aquela noite, e no meio de tudo, resolvi, de uma forma instintiva, abrir a Bíblia. Por que eu procurei a Bíblia naquela hora, só pode ser mesmo a mão de Deus. Que deve ter sido a mesma mão invisível que me fez, por qualquer razão, deixar de trazer outros tantos livros que eu queria ter trazido comigo para trazer esse, que na época, nem significava tanto pra mim. Enfim. Peguei aquela Bíblia enorme e resolvi que abriria num lugar qualquer e que então leria, para quem sabe, me acalmar um pouco. E onde é que eu abro?

Uma pausa aqui: onde é que eu abro, tendo uma Bíblia enorme e super grossa na minha mão e sem ter a mínima noção do conteúdo de cada livro?

Em Isaías 57, 14-20. Que tinha como título: "Consolação dos fiéis aflitos". E dizia (trechos): "... auxilio todavia o homem atormentado e humilhado... realmente, não desejo controvérsias sem fim [era justo um dos meus questionamentos - e razão para pânico], nem persistir sempre no descontentamento, senão o espírito desfalecerá diante de mim, assim como as almas que criei. Por causa do crime do meu povo, me irritei por um momento; feri-o, dando-lhe as costas na minha indignação, enquanto o rebelde agia segundo sua fantasia. Vi sua conduta, disse o Senhor, e o curarei. Vou guiá-lo e consolá-lo, (...) Paz àquele que está longe e paz àquele que está perto [também tudo a ver com o  que eu estava pensando] Mas os ímpios são como um mar encapelado, que não pode acalmar-se, cujas ondas revolvem lodo e lama. Não há paz para os ímpios, diz meu Deus."

 Sobre esse segundo milagre falarei menos, paradoxalmente, porque a história é muito maior. De qualquer forma, foi aquela noite terrível que deu início ao nascimento da minha verdadeira fé.

 E essa paz tão grande.... Esse contentamento.... Essa alegria tão gostosa... Essa, eu desejo a todo mundo.

(Aos espíritos céticos que estiverem dizendo que foi meu "cérebro" que encontou essa passagem, já que muito provavelmente algum dia na vida ele já a havia registrado, ou que estiverem encontrando explicações diversas e outras para as coisas que contei aqui, deixo vocês todos na mão de Deus. Afinal, e graças a Deus, não cabe a mim a conversão de ninguém. Esses trabalhos difíceis, eu deixo pra Ele. A mim, cabe contar a história, e foi o que eu fiz. E agradecer, que é o que eu venho fazendo, diariamente.)

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sim, Ele existe.

 Você acredita em Deus? Eu acredito.

 Mas não foi sempre assim. Apesar de ter nascido numa família católica, ter estudado em colégios católicos, ter feito catequese, primeira comunhão, crisma, ter participado e trabalhado em movimentos de igreja como Vem e Segue-me, ter ido à incontáveis (e na época, tediosas) missas, e até de ter me casado na igreja, até pouco tempo meu relacionamento com Deus era mais de desconfiança que de confiança. E eu me achava muito esperta.

 Me achava esperta por questionar, por tentar encontrar resposta para perguntas que ninguém jamais encontrou ou encontrará (ao menos não enquanto estivermos na condição humana). Me achava esperta por ler todo tipo de coisas escritas sobre o assunto sem nunca me comprometer com nenhuma delas. Me achava esperta por conhecer o que pensou tal filósofo sobre o assunto, e saber citar tal e tal autor.

 Com essa, aprendi um tanto sobre diversas religiões e não-religiões. Me identifiquei com pedaços de uma aqui, partes de outra acolá, e pensei ter finalmente a verdade descoberto no Budismo por conta de sua filosofia máxima: desconfie de tudo e todos, inclusive do próprio Buda. Dessa, eles derivam o "nada de fanatismos". Pois é. Achei que eu tinha encontrado "a verdade suprema" no Budismo porque ele diz essas coisas. Na verdade, eu havia encontrado a verdade suprema... sobre minha própria maturidade espiritual. Desconfiar de tudo e todos. E não ser fanático. Era exatamente onde eu estava no caminho espiritual.

 Mas uma coisa sempre me incomodou no Budismo. O fato de que Buda disse que ele acessou a verdade suprema sobre o universo e sobre todas as coisas e seres que existem, e que partindo disso podia afirmar: Deus não existe.

Nossa. Ouvir isso na aula de Budismo (meu primeiro contato mais profundo com essa linha de pensamento) foi como um soco no estômago. Era isso? Então a partir de agora eu seria órfã mesmo? Deus não existe???

 Como se o choque não fosse suficiente, os budistas completam: logo, como Deus não existe, tudo o que acontece com a gente é por conta da lei do karma. Se nossa condição é ruim é porque fizemos por merecer e se queremos melhorar, é fazer por merecer. Em outras palavras: se vira, negão.

 Uau. Então além de órfã, agora eu também estava carregando nos ombros o peso do mundo - e de todas as outras encarnações, nas quais, vai saber o que eu andei aprontando.

 Era uma realidade dura e difícil. Mas o pior é que pra mim, ela fazia total sentido.

 Então assim fui seguindo a vida.

Agora uma pausa no post para esclarecer o seguinte: continuo gostando de muito do pensamento budista, principalmente do que eles dizem sobre não se entregar à fanatismos, e também sobre sermos responsáveis sim por nossa vida, etc. Mas...

Sim, existe um Deus. E Ele é tão, mas tão bom, que eu não precisei passar meses meditando na floresta para finalmente acessar alguma verdade divina para saber que Ele existe.

 Também não precisei negar o mundo, como pregam alguns. Nem renunciar à vida normal e mundana. Não precisei entrar numa dieta natural, nem em jejum, nem sair desse mundo no qual por algum motivo eu nasci e me encontro. Não precisei chegar na escala mais alta e mais divina da evolução espiritual para então ter um grande insight sobre a verdade divina e aí ver que Ele existe.

 Eu não precisei de  n a d a  disso.

 Do que eu precisei? De chamar por Ele. De pedir. De desejar bem fundo: Deus, cuida de mim. Olha pra mim. Me ajuda.

 E então eu vi - Ele é real.

 No post de amanhã vou contar alguns milagres incríveis que aconteceram na minha vida, por conta disso.

 Quem acompanha o blog sabe que eu adoro relativizar as coisas. Não me apegar a verdades absolutas e me enriquecer com diversos pontos de vista. Mas uma coisa eu vou dizer: ter fé é bom demais. E descobrir que Deus existe então...

 Continua amanhã.

domingo, 20 de maio de 2012

De mudança

Start spreading the news
We´re leaving today
We want to be a part of it:
New York, New York!

 Sim. É para lá que estamos nos mudando hoje. Para ela. A cidade que nunca dorme. A capital do mundo. Cenário de tantos filmes, palco de tantas vidas. Daqui pra frente, será das nossas também.


sábado, 19 de maio de 2012

Uma palavrinha

 Para os que não sabem, já tinha quase dois meses que eu não entrava aqui no blog para postar. (Por isso até não tenho respondido aos comentários - mas leio todos e os adoro.) Este post aqui - que estou digitando nesta noite de 5a feira para publicá-lo já no sábado, é uma grande exceção. Todos os outros posts que vem sendo publicados, eu havia escrito em março, e aí programei para irem aparecendo aos poucos no blog. Isso porque estive recebendo visitas e já sabia que durante as semanas que elas ficariam aqui, eu não teria tempo para mais nada. Agora que elas foram embora, eu continuo sem tempo. Mas agora o motivo é outro: mais uma vez, estamos nos mudando. Desta vez, para um lugarzinho muito especial...

 Ainda tenho alguns posts programados que irão aparecer no blog. Escrevo isso aqui só mesmo para dizer que se eu sumir de repente, é porque estou ocupada com a nova vida. Mas não desistam de mim! Passem aqui quando der. Que eu continuarei escrevendo sempre... Sempre que der!

 Amanhã conto para onde estamos indo...

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Procura-se

Quem falou que todo homem é exigente?

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Beleza continua não pondo mesa

 Não garanto a autoria nem sei onde esse texto foi publicado originalmente. De qualquer forma, ele dá uma resposta interessantíssima a uma velha questão: a da mulher bonita e interesseira em busca de um marido rico. Adorei!!
 
 Segue o texto. É grandinho mas vale muitíssimo a pena!
 
 
 
A resposta do diretor da JP Morgan Investimentos para uma garota bonita procurando marido rico.

Ela postou a seguinte mensagem em um fórum popular direcionada a ele:

O que devo fazer para casar com um cara rico? E prosseguiu:
...

“Eu fiz 25 anos neste ano. Sou muito bonita, tenho estilo e bom gosto. Quero casar com um cara com salário anual igual ou superior a 500 mil dólares.

Você poderia dizer que eu sou gananciosa, mas um salário anual de U$ 1 milhão é considerado apenas como classe média em Nova York.

Creio que minha exigência não é alta. O que devo fazer para me casar com pessoas ricas como você?

Entre aqueles que eu já namorei, os mais ricos tinham U$ 250 mil dólares de renda anual e parece que este foi o meu limite.

Eu estou aqui humildemente para fazer algumas perguntas:

1) Onde solteiros mais ricos saem? (Por favor, liste os nomes e endereços de bares, restaurante, academias)
2) Qual faixa etária devo segmentar?
3) Por que a maioria das esposas são apenas de aparência mediana? Eu conheci algumas garotas que não têm aparência e não são interessantes, mas elas conseguiram se casar com homens ricos.
4) Como você decide quem pode ser sua esposa e quem só pode ser a sua namorada? (Minha meta agora é casar)

Ms. Linda Pretty,

A resposta filosófica do CEO do Morgan J.P:

Prezada Sra. Pretty,

Eu li o seu post com grande interesse. Acho que há muitas garotas por aí que têm perguntas semelhantes a sua. Por favor, me permita analisar sua situação como um investidor profissional, minha profissão, em que acumulo décadas de experiência.

Minha renda anual é superior a U$ 500 mil, atendendo às suas necessidades, por isso espero que todo mundo acredite que eu não estou perdendo tempo aqui.

Do ponto de vista de uma pessoa de negócios, é uma má, ou melhor, péssima decisão casar com você. A resposta é muito simples, então, deixe-me explicar.

Coloque todos os detalhes de lado, basicamente, o que você está tentando fazer é uma troca de "beleza" por "dinheiro": a pessoa A proporciona beleza e a pessoa B paga por isso, justo e acordado, mesmo que subjetivamente.

No entanto, há um problema mortal aqui: sua beleza vai desaparecer, mas meu dinheiro não terá partido sem nenhuma boa razão. O fato é que minha renda poderia aumentar de ano para ano, mas você não pode ser mais bonita ano após ano. A não ser artificialmente, o que, de modo geral, é bem menos interessante.

Assim, do ponto de vista da economia, eu sou um ativo de apreciação, e você é um ativo de depreciação. Não é apenas uma depreciação normal, mas a depreciação exponencial. Se for esse o seu único trunfo, o seu valor será muito pior, 10 anos depois.

Pelos termos que usamos em Wall Street, cada fator comercial tem uma posição, namorar com você também seria uma "posição de negociação".

Se o valor comercial caiu, vamos vendê-lo e não é uma boa idéia mantê-lo por longo prazo – o mesmo se passa com o casamento que você queria. Pode ser cruel dizer isto, mas para tomar uma sábia decisão, todos os ativos com grande valor de depreciação terão de ser vendidos ou "locados".

Qualquer pessoa com mais de U$ 500 mil dólares de renda anual não é um tolo, nós queremos namorar você, mas não vamos casar com você. Eu aconselharia que você esquecesse, sua busca/peregrinação olhando apenas para todos os indícios/locais de como/porque se casar com um cara rico. E pelo jeito, você poderia fazer a si mesma uma pessoa rica, independentemente dos U$ 500 mil anuais. Creio que suas chances seriam melhores do que encontrar um marido rico, porém, insensato.

Espero que essa resposta ajude você e a todas as moças com dúvidas similares.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Da importância do papo furado

Já pensei diferente mas hoje eu considero o papo furado como algo importantíssimo. Não porque sou mulher e como tal, necessito falar um certo número de palavras por dia - risos. Mas porque é por meio do papo furado que se constroem relacionamentos sólidos.

 Principalmente para que já tem filhos: procure não deixar pra conversar com eles somente quando forem "coisas importantes". Se você deixar pra conversar com uma pessoa somente quando tiver que falar sobre algo sério etc e tal, quando essa hora chega o canal de conversa simplesmente não estará aberto. Aí a coisa fica toda formal, quase truncada. A coisa fica diferente se antes da hora da conversa séria vocês já dominarem o terreno do papo furado. Sim, porque o papo furado é leve, gostoso e fácil de se ter. E aí, dentro de sua despretenção, ele vai fazendo uma coisa muito importante que é promover a aproximação. O bom papo furado deixa as pessoas próximas, e manter o canal aberto.

 Pense nas amizades mais sólidas que você fez ao longo da vida. Amigos de infância, de colégio, vizinhos ou colegas de trabalho. Como foi que esses relacionamentos foram construídos? Exatamente. Provavelmente em cima de muito papo furado!

[Nota: papo furado é diferente de jogar conversa fora. Pra mim, jogar conversa fora é aquela coisa de conversar com a pessoa que sentou do seu lado no avião ou com o vendedor da loja numa cidade que não é sua, ou seja, falar com pessoas que você provavelmente nunca mais vai ver na vida. Ainda assim é interessante, já que nessas a gente aprende alguma coisa, ouve uma coisa inusitada, e de repente faz até uma amizade. O papo furado seria falar com aquelas pessoas que já sabem quem você é e que você vê todos os dias, ou seja, pessoas com as quais nem esse tipo de informação você precisa trocar. Que aí com essas sim é possível levar um papo furado de verdade! Rs.]

sábado, 12 de maio de 2012

É freud!!

Tem umas músicas que eu não sei como é que conseguiram chegar ao conhecimento do público. Ah sim. Porque pra gente chegar a ouvir uma música, muita gente tem que ter antes, pelo menos, concordado que aquilo pode ser chamado de música. Pensem: teve alguém que a escreveu, outro que fez a melodia, outro que resolveu cantar, outro que resolveu gravar, outro que resolveu colocar numa programação de rádio... Enfim. Por isso é que eu fiquei abismada quando ouvi uma linda canção poética naquele cd Festa Sertaneja volume II. E é uma pena que uma coisa dessas esteja lá, entre outras tantas músicas legais. Pra quem já ouviu a pérola, vai a letra comentada.


(O charme já começa no belíssimo título. Mas apesar de não gostar nada da palavra, tenho que concordar com ele. Ou com eles, no caso. Os "avassaladores".)

Os comentários vem em azul.


Sou Foda Versão sertaneja
Sou foda (Realmente! No pior sentido da palavra.)
Na cama eu te esculacho ("esculacho"? isso por acaso é bom?)Na sala ou no quarto
no beco ou no carro... (ah, entendi o que ele quer dizer com "esculacho")Eu sou sinistro (Já vi que é)
melhor que seu marido (Só se ela for casada com o diabo em pessoa)Esculacho seu amigo (Ué, o amigo também? o cara é bi?)
no escuro (ih...)
eu sou um perigo. (Estou vendo...)Avassalador (Uh!)

Um cara interessante (Como objeto de pesquisas, talvez...)Esculacho seu amante (Então a mulher com quem ele fica tem marido, amante, e ele, que também fica com o amigo dela?)
Até o seu ficante (E tem um ficante na história? Agora me perdi no enredo.)Mais não se esqueça
que eu sou vagabundo (Está gravado em minha memória.)
depois que a putaria começou rolar no mundo
Pra te enlouquecer
Pra te enlouquecer (Pelo jeito, enlouquece mesmo. Olha o que fez com você!)Todas todas que provaram não
conseguem esquecer. (Só se for porque coisas ruins são traumáticas)Sou foda. (indeed)Eu sou sinistro. (Literalmente.)
Ó o pente, ó o pente, ó o pente, ó o pente
(olha a letra sem sentido, sem sentido, sem sentido...)

(E agora vem a parte mais bonita, na qual o autor nos presenteia com algumas filosofias profundas e difíceis de acompanhar)
Traição é traição
Romance é romance
Amor é amor
e um lance é um lance.

(Isso foi profundo. E profundo é profundo e raso é raso. Todo mundo entendeu?)

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Lost in translation

 No Brasil, nascida, criada e bacharelada em português, desde sempre eu estudei inglês. Quando estava na Suécia, enquanto aprendia sueco, me comunicava em inglês. De volta ao Brasil, novamente vivendo em português, fui aprender alemão. Mas durante o curso de verão que fiz na Alemanha, me virava em inglês. Morando depois na Suíça, enquanto ouvia alemão, francês e italiano, me comunicava em inglês e fui dar aulas de português. De volta ao Brasil, fui me aprofundar e dar aulas de inglês, sem esquecer do alemão. E agora nos Estados Unidos, pensando em português mas levando a vida em inglês, estou estudando francês. E eu me pergunto: será que isso é coisa de português?

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sobre o perdão

Uma das bases da seicho-no-ie é o perdão dos antepassados. Por muito tempo eu me perguntei o porquê disso. Por que isso seria importante, se os tais antepassados nem mais aqui estão? Aliás, se em muitos casos, a gente nem sabe quem eram eles...? Outra: "perdão" dos antepassados? Quem falou que eu estou com raiva? Eu nem os conheço...

 O engraçado é que, mesmo pensando assim, cada vez que eu ouvia falar isso, de perdoar antepassados, surgia em mim também uma resistência enorme, que assumia a forma do pensamento: "Eu não. Não estou interessada nisso. Que perdoar o quê!!" Loucura tudo isso, não? Tanto o pensamento "seicho-noista" quanto à minha resposta a ele.

 Será que é mesmo loucura?

 Depois de pensar nisso por muito tempo... Ler bastante... Conversar com quem frequenta a seicho-no-ie... Ter alguns insights... E levantar a questão mais um tantão (por alguns anos, pensei nisso em algum momento)... Eis as conclusões:

 - Sim, é preciso perdoar os antepassados. Porque perdoar os antepassados, é perdoar os que convivem com a gente hoje. Afinal, pra dar um exemplo, seu pai e sua mãe agem assim porque o pai e a mãe deles agiu com eles assim, porque o pai e a mãe dos pais deles havia agido com eles de tal jeito, e por aí vai... A tendência é que as coisas evoluam a cada geração. Mas existe sempre uma origem na geração anterior para o comportamento da que está aí hoje.

- Portanto e de uma outra forma, perdoar os que estão aí hoje é perdoar os "erros" de todos os outros que já passaram.

 E aí você pensa: eu ein. Perdoar pra quê?? Eles não merecem!!!

 Quem sou eu pra julgar, mas okay, pode ter casos nos quais talvez eles não "mereçam" mesmo. Mas o perdão dentro do nosso coração não é uma coisa para os outros. É pra gente mesmo. É pra gente se libertar dos sentimentos ruins. É pra gente parar de carregar o peso. É pra gente virar a página. É justamente para aquela realidade ruim deixar de existir. Sim, porque enquanto a gente não perdoa, as coisas ruins continuam existindo - na nossa própria cabeça.

As pessoas pensam que perdoar alguém quer dizer admitir que o que tal pessoa fez foi certo. Não é isso. (Até porque, não cabe à gente julgar ninguém. O julgamento quem vai fazer é Deus.) Perdoar, pra mim, é entender e aceitar que, dadas as condições daquela pessoa, não tinha mesmo como ela agir diferente. Nesse momento, a gente deixa de se debater querendo que algo tivesse sido diferente (o que é bem inútil) e faz as pazes com o passado.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Rapidinhas


Outro dia a Lady Gaga postou no Twitter uma foto dela sem maquiagem, sem acessórios e sem aquelas roupas espalhafatosas que ela normalmente aparece usando. Em suma, uma foto em que ela aparece normal. Foi a coisa mais estranha de se ver.
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Não sei se a moda já chegou aos supermercados do Brasil, mas em todo caso eu vou avisar: o tal do iogurte grego é tão bom quanto os presentes que eles são famosos por dar.
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E depois eles se perguntam porque é que as americanas andam tão infelizes com os próprios corpos e com a auto-estima em baixa. A julgar pelas propagandas na tv e revistas, pelo jeito elas tem uma grande dificuldade em aceitar que são...  humanas. Ah, sm. Porque além de não gostarem de ter pelos (e essa eu, por ser brasileira, acabo até achando normal - e não é o caso das europeias...), elas também são contra poros, curvas, unhas naturais, sinais, rugas e envelhecimento. Não aceitam que o tempo passa, que a lei da gravidade existe, que o metabolismo tem seu ritmo e que o corpo de uma mulher de 50 não se parece com o de uma de 18. Ou seja, não aceitam as coisas mais naturais do mundo. Aí fica difícil ficar satisfeita com o que quer que seja. É como decidir que em vez de azul, o céu deveria ser lilás, e aí passar a vida inventando mil artifícios para assim o enxergar.
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E numa terra em que o normal é quase sempre considerado pior, nem o cara da Aveia Quaker escapou. Acredite se quiser, até ele teve que entrar na faca - ou melhor, no Photoshop. Para quem ainda não reparou, há alguns meses o velhinho sorridente de chapéu preto e cabelos brancos perdeu a papada e o queixo duplo, ganhou bochechas mais finas, um novo corte de cabelo e até uma tintura melhor. Isso porque, como todo mundo está careca de saber, imagem vende, e por isso, argumentaram,  essa transformação já veio tarde. Agora, cá pra nós, se o problema era esse, que negócio é esse de ficar ajeitando o queixo duplo da cara daquele cara?? Se o problema era a imagem, não teria sido mais fácil tirarem de uma vez por todas o velho de cabelo grande e colocarem ali a foto do Tom Cruise? Até eu comeria mais aveia.
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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Lembrete

E lembrem-se meninos e meninas: para quem só tem martelo, tudo o que aparece na frente, é classificado como prego.

Por isso é tão importante ter nosso próprio ponto de vista, independente. Por isso é importante beber em fontes diversas e buscar conhecer quem somos, a fundo. Só assim é possível ter uma vida completa, livre e satisfatória.

Para isso? Ler muito, ouvir muito, buscar sempre. Ouvir quem sabe alguma coisa da vida. Pensar um tanto, mas não demais. Escolher bem como você preenche seu tempo. Filtrar as coisas. Afastar-se das más influências. Aproximar-se das boas. Ter fé. Alimentar-se bem. Estar presente. Amar. E sempre buscar o crescimento pessoal.



sábado, 5 de maio de 2012

Essa foi escrita durante o mês que passei sem escrever no blog.



Um ótimo fim de semana a todos. Seja passando por bons ou maus momentos, que a poesia sempre faça parte!

















A tristeza




é o contraponto




da alegria.




Sem uma




a outra




também não




seria.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Como ser um místico

[obs: Este texto não é meu. Encontrei-o num blog de humor. Decidi publicá-lo porque fiquei rindo de mim mesma na 1a vez que li. Passei tanto tempo acreditando em coisas místicas e me interessando por "caminhos obscuros que pouquíssimos haviam descoberto" que acabei me afastando de Deus. E aí quando a gente se reaproxima e vê como Ele é tudo de bom e tudo de simples, só resta rir de si mesmo ao olhar pra trás e lembrar de certas coisas...]


1 - Invente alguns paradoxos sem sentido (tais como «a única verdadeira luz encontra-se nas trevas» ou «cada passo em frente é um passo atrás»).

2 - Use com um ar misterioso provérbios sem qualquer significado (tais como «em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão» ou «quanto maior é a altura, maior é a queda»).

3 - Professe uma crença em pelo menos um absurdo metafísico palpável, tal como na afirmação que Tudo é o Uno Único ou que a Realidade Comum é meramente uma Ilusão Básica em Comparação com a Vera Luz da Divindade. Não se esqueça de falar com Letras Maiúsculas.

4 - Dê a entender de maneira obscura que a Via para a Iluminação, apesar de Longa e Árdua, será no Fim Cumprida; e sugira que um bom método para o conseguir é entrar numa Relação Física de Comunhão consigo mesmo.

5 - Adote permanentemente um Sorriso Benigno, que para todos os efeitos práticos não se consiga distinguir do Esgar Inane.



Fonte: http://critica.no.sapo.pt/bluffer7.html

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Do ofício de escrever




Eu estou escrevendo um livro.




Se é o primeiro que escrevo ou o vigésimo, isso vai do ponto de vista. Se qualquer coisa que tiver começo, meio e fim e dezenas de páginas no meio contar como livro, então já escrevi inúmeros. Se pra ser livro precisar de uma história desenvolvida, personagens, enredo, capítulos etc, já comecei diversos e terminei três. Agora se pra ser chamado meeeesmo de livro a história precisar de personagens bem desenvolvidos que aparecem como protagonistas, par romântico, complicador, antagonista e coadjuvantes; se tiver que ter uma história principal e outras secundárias sendo levadas ao mesmo tempo, costuradas umas nas outras na medida exata; se tiver que ter enredo, aclimatação, desenvolvimento, reviravoltas, clímax e desfecho; se tiver que contar uma história interessante o suficiente para prender a atenção, corriqueira o suficiente para que o leitor se identifique e ao mesmo tempo original o suficiente para que desperte algum interesse; e se essa história tiver que ser contada com muitas tiradas de humor, algumas colocações filosóficas e diversas sacadas interessantes; se tiver que ser escrita com o número exato de palavras, o bastante para não apressar o enredo mas o suficiente para não cansar o leitor... Enfim, se precisar de tudo isso para ser chamado de livro, então eu admito: esse é o primeiro que estou escrevendo.



Escrever um livro nos moldes do que coloquei aí em cima pode ser comparado a produzir um filme. Minha grande vantagem como escritora: orçamento ilimitado. Posso fazer aparecer helicópteros, iates, aviões, vestidos caríssimos, diamantes enormes, mulheres e homens lindíssimos, lugares espetaculares e quantos personagens e figurantes eu quiser, que é tudo de graça. Mas a facilidade termina por aí. O resto do trabalho envolvido na construção de uma história - e que num filme é feito por uma equipe imensa, vide as letrinhas brancas passando ao final - como escritora fica todo pra mim.



Eu tenho que criar o enredo, esboçar o roteiro, inventar os diálogos, criar as piadas e encarnar todas as personalidades da história. Eu tenho que decidir onde começa e termina uma cena, se é melhor cortar ali ou se deixo estender mais um pouco, se fulano, sendo um senhor de meia idade que tivera uma infância pobre, usaria mesmo aquele termo para dizer alguma coisa ou reagiria daquela forma numa certa situação, para o texto ficar verossímel. Tenho que pensar no figurino, nos cenários, no enquadramento, nos efeitos especiais e quem diria, até na trilha sonora. E enquanto faço isso, tenho que me desdobrar um pouquinho mais e estar ao mesmo tempo nos bastidores com a mão na massa criando, dirigindo e ditando o ritmo, enquanto permaneço também sentada confortavelmente em frente à história, pipoquinha na mão, assistindo a mágica se desenrolar na minha frente - até para julgar se posso chamar aquilo ali de "mágica" ou não. E isso sem esquecer de encarnar ainda a revisora chata, e sair passando a caneta vermelha em tudo o que estiver sobrando, faltando ou com grafia duvidosa. É trabalho que não acaba mais.



Uma vez escrito, o bom texto parece ter a medida exata. Não sobram palavras nem faltam ideias. Tudo se ajusta perfeitamente, como um quebra-cabeça depois de montado. Uma vez pronto, a impressão é que o texto sempre esteve ali. O que o leitor esquece é que ele não estava. E não estaria, não fosse pela persistência de uma cabeça pensante, que topou abraçar o próprio isolamento a fim de povoar um mundo totalmente novo com criaturas interessantes e cheias de vida, que passarão a existir e a fazer companhia a quem quiser se enveredar pela história.



[Aliás, eu sei que o Gabriel Garcia Marquez estava falando de outra coisa no seu Cem anos de solidão. Mas com esse título, poderia ter desenvolvido, fácil, a história de qualquer escritor.]



Ler e escrever são ambas atividades solitárias mas com uma grande diferença: quem está nos bastidores da história, em vez de se entreter com a presença de personagens que falam, pensam e sentem como se vivos fossem, conta somente com sua própria companhia, e com o eterno espaço em branco que teima em aparecer ao final de cada palavra. Mas acho que esse é ao mesmo tempo o grande desafio e a melhor recompensa: a possiblidade de pegar um espaço vazio do mundo e preencher com um pedaço da gente mesmo. E no processo, quem sabe até entreter, divertir ou encantar uma criatura ou outra.