quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sobre o perdão

Uma das bases da seicho-no-ie é o perdão dos antepassados. Por muito tempo eu me perguntei o porquê disso. Por que isso seria importante, se os tais antepassados nem mais aqui estão? Aliás, se em muitos casos, a gente nem sabe quem eram eles...? Outra: "perdão" dos antepassados? Quem falou que eu estou com raiva? Eu nem os conheço...

 O engraçado é que, mesmo pensando assim, cada vez que eu ouvia falar isso, de perdoar antepassados, surgia em mim também uma resistência enorme, que assumia a forma do pensamento: "Eu não. Não estou interessada nisso. Que perdoar o quê!!" Loucura tudo isso, não? Tanto o pensamento "seicho-noista" quanto à minha resposta a ele.

 Será que é mesmo loucura?

 Depois de pensar nisso por muito tempo... Ler bastante... Conversar com quem frequenta a seicho-no-ie... Ter alguns insights... E levantar a questão mais um tantão (por alguns anos, pensei nisso em algum momento)... Eis as conclusões:

 - Sim, é preciso perdoar os antepassados. Porque perdoar os antepassados, é perdoar os que convivem com a gente hoje. Afinal, pra dar um exemplo, seu pai e sua mãe agem assim porque o pai e a mãe deles agiu com eles assim, porque o pai e a mãe dos pais deles havia agido com eles de tal jeito, e por aí vai... A tendência é que as coisas evoluam a cada geração. Mas existe sempre uma origem na geração anterior para o comportamento da que está aí hoje.

- Portanto e de uma outra forma, perdoar os que estão aí hoje é perdoar os "erros" de todos os outros que já passaram.

 E aí você pensa: eu ein. Perdoar pra quê?? Eles não merecem!!!

 Quem sou eu pra julgar, mas okay, pode ter casos nos quais talvez eles não "mereçam" mesmo. Mas o perdão dentro do nosso coração não é uma coisa para os outros. É pra gente mesmo. É pra gente se libertar dos sentimentos ruins. É pra gente parar de carregar o peso. É pra gente virar a página. É justamente para aquela realidade ruim deixar de existir. Sim, porque enquanto a gente não perdoa, as coisas ruins continuam existindo - na nossa própria cabeça.

As pessoas pensam que perdoar alguém quer dizer admitir que o que tal pessoa fez foi certo. Não é isso. (Até porque, não cabe à gente julgar ninguém. O julgamento quem vai fazer é Deus.) Perdoar, pra mim, é entender e aceitar que, dadas as condições daquela pessoa, não tinha mesmo como ela agir diferente. Nesse momento, a gente deixa de se debater querendo que algo tivesse sido diferente (o que é bem inútil) e faz as pazes com o passado.

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