quinta-feira, 28 de junho de 2012

Eu não gosto dos dias em que não sai nenhuma postagem nova no meu blog, porque eu penso que o dia em que deixo de escrever é um dia em que perco uma oportunidade de colocar algo de bom no mundo. Mas o caso é que eu peguei um trabalho pra fazer que, apesar de muito interessante, está consumindo bastante meu tempo. Mas é a vida, né. Não se pode fazer tudo. De qualquer forma, vou ver se programo algumas postagens hoje ainda pra os próximos dias... Afinal, já muito bem disse o Padre Antônio Vieira (e eu concordo quase que inteiramente):

"O que não se faz, não existe. Portanto, só existimos nos dias que fazemos. Nos dias em que nada fazemos, apenas duramos." 


quarta-feira, 27 de junho de 2012

Meninas, atenção! Estava vendo ali no programa da Fátima Bernardes a mulher fazer propaganda dessas unhas falsas com gel e o pessoal falando que é uma maravilha, que não estraga a unha e tal... Pelo jeito, esse é um procedimento novo no Brasil. Aqui nos Estados Unidos isso já existe há um tempão e todo mundo fala que se ficar fazendo demais esse procedimento com gel, no fim acaba estragando - e muito - suas unhas verdadeiras. Cuidado!!

terça-feira, 26 de junho de 2012

Tem uma coisa que anda me fazendo rir já tem um tempo. Toda vez que vou dar uma olhada nas estatísticas aqui do blog, vejo que o post mais acessado até hoje é um que escrevi entitulado "10 maneiras de atualizar seu guarda-roupa". O que acho engraçado é que os acessos continuam firmes e fortes até hoje, mas essa é uma postagem de 2010. Considerando a frequência e rapidez com que a moda muda, daqui a pouco vou trocar o título do post para "10 maneiras de desatualizar seu guarda-roupa".

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Da falta de entendimento & compreensão

 O que eu mais gosto daquele livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, não são as coisas pelas quais ele se tornou famoso: crítica social, retrato de uma sociedade e de uma época, romance desmontável. Okay, essas coisas são até interessantes, mas há algo ainda melhor. O que eu acho brilhante no Vidas Secas é que o modo como as coisas que acontecem na história podem ser lidas como uma grande metáfora do modo como acontece a vida de todo mundo. Do tanto que a gente bate a cabeça à toa, do tanto de brigas e raivas sem sentindo a gente vai acumulando, do quanto a compreensão do ser humano é limitada.

 Pra quem nunca leu, a história é de uma família de retirantes tentando encontrar seu lugar e seu sustento em tempos difíceis. O leitor acompanha o drama do retirante diante da seca implacável e da pobreza, o que acaba levando a relacionamentos secos e dolorosos entre os protagonistas. E é justamente aí é que está: o problema dos relacionamentos secos e dolorosos.

 Eu não sei você mas eu, enquanto estava lendo, ficava com vontade de chacoalhar um personagem e outro e dizer: por que você não explica pro fulano a situação, pra que ele entenda? Por que em vez de resolver a situação com A, você foi e empurrou B, que não tinha nada a ver com o pato? Por que vocês não conversam??

 Ou então sabe aquelas complicações que a gente vê nos filmes, que um fica com raiva do outro por conta de um mal entendido, só que por algum motivo ninguém conversa ou ninguém explica nada, então o mal entendido vai se estendendo, estendendo...? E a gente do lado de cá pensando: por que eles não sentam e conversam?? Por que fulana deixou o cara sair pela porta sem dizer nada?? Etc etc.

 Pois é. O Vida Secas é todo assim. Os personagens estão o tempo todo cansados e com fome, aí acabam brigando uns com os outros, mais porque estão estressados com a situação de vida difícil do que por qualquer outra coisa. Ah, e tem outra: por não terem estudado, o entendimento deles é muitíssimo limitado. Isso resulta num tal de um empurrar o outro, o outro reagir pior aínda, aí o primeiro resolve perdoar, mas agora o outro já arrnajou outra confusão com não sei quem, e assim vai todo mundo se empurrando, e brigando, porque é a única coisa que eles aprenderam fazer e na verdade ninguém está é entendendo nada.

 Olha a metáfora com a vida!!!

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Por uma televisão no quarto

 Outro dia, escrevendo para uma amiga, lembrei de um episódio de infância que só agora, adulta, pude entender. Parece simples mas é profundo. O resumo da história é: quando eu era pequena, eu queria que a televisão fosse no meu quarto.

 Explicando: lá em casa tinha uma tv no "quarto de televisão" (Aliás, bons os tempos em que usávamos as palavras em português mesmo. Não tinha nada de home ou suite master.) e uma no quarto dos meus pais. E eu lembro que, quando criança, mesmo sem ter tanto o hábito de assistir televisão, eu olhava aquela televisão em cima do móvel no quarto deles e queria tanto que ela estivesse no meu quarto.

 Hoje, lembrando desse sentimento, entendi o que é que, de fato, eu queria.

 Na verdade, era o seguinte: o quarto dos meus pais era um lugar muito seguro. Ali, todo mundo tinha todas as respostas. Tudo era mais calmo, mais tranquilo. Eu me sentia bem ali. Parecia que a cama deles era mais gostosa que a minha. Adormecer ali era mais gostoso que no meu quarto. As pessoas ali tinham todas as respostas, resolviam todos os problemas e sempre sabiam o que dizer pra que tudo ficasse bem. Era uma segurança bem diferente da que eu sentia em mim mesma, uma criança de uns 5, 6 anos de idade, com tanta coisa para aprender.

 Por algum motivo, eu identifiquei que o que tinha de diferente entre o quarto dos meus pais e o meu era a televisão - e por isso queria que ela estivesse no meu quarto. Ou seja, na verdade, não tinha nada a ver com a televisão em si. Era a segurança deles, dos adultos, que eu desejava ter em mim.

 E isso me faz pensar: quantas vezes a gente não projeta num objeto qualquer um desejo por, na verdade, estados de espírito? Quero esse sapato, essa bolsa, esse carro, essa roupa... Será que é a bolsa mesmo e o sapato mesmo que a gente quer?

E sim, tem vezes que é. Eu por exemplo, acabei de comprar uma mesa aqui pra casa, que coloquei num cantinho e transformei em escritório. Eu estava precisando dessa mesa, desejei tê-la, comprei e agora toda vez que olho pra ela ou a uso (como agora) fico feliz porque a mesa está cumprindo a função que eu queria. Mas... e as outras coisas? E aquele tanto de blusas que eu tenho? Aqueles vários sapatos? O que será que na verdade eu estava querendo, quando os comprei? Mais autoconfiança? Amor próprio? Atenção? Amor?

Acho que uma maneira simples de identificar se o que a gente queria era a coisa em si ou algo muito mais profundo é o nível de felicidade que o objeto nos traz depois que a gente compra, e por quanto tempo. Por exemplo, eu tenho um sobretudo lindo que um dia coloquei na cabeça que queria. Eu tinha visto numa revista americana, e por isso, não tinha como comprá-lo. Mas queria tanto que comprei o tecido e minha mãe levou uma costureira fazer. E ficou tão lindo. E até hoje (isso tem uns 7 anos) eu fico feliz quando olho o casaco. Porque sim, era o casaco que eu queria!

 Mas e algumas outras coisas, compradas e não aproveitadas? Era óbvio que foram compradas tentando suprir uma carência por algo que não é vendido em loja.

 Tenho a felicidade - e até o orgulho - de poder dizer que faço pouco esse tipo de compra. Costumo gastar meu dinheiro com comida, livros, cinema, revistas e okay, lingeries - que adoro comprar! Mas fico satisfeita comigo mesma de perceber que não sou tão vítima do consumismo desenfreado e vazio que se alastra por aí. Gosto de comprar coisas sim, mas geralmente para transformá-las em experiências. (uma batedeira, pra fazer meus quitutes e serví-los em jantares; um jogo, pra reunir os amigos em volta da mesa e ter horas de diversão etc) Qualquer outro dinheiro que eu tenha gasto de outra forma, acabou sendo para enriquecer os donos das lojas, e não a mim mesma.

 Há de se prestar atenção, meninos e meninas. Há de se prestar atenção para descbrir o que é que você realmente está buscando, quando deseja fazer uma compra. Para aí finalmente poder ir atrás da coisa certa.

 Porque mesmo que você consiga comprar tudo o que você quer, você nunca ficará feliz se aquelas coisas não forem as que, de fato, você estava precisando...

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Apparently, I´m funny

 Semana passada, fui me matricular numa academia. Me pediram para preencher uma ficha, o que prontamente fiz, com a seriedade habitual que dispenso a assuntos importantes. Por isso, fui surpreendida quando o cara da academia pegou minha ficha de volta... e deu a maior gargalhada. Depois, não se contentando em rir sozinho, ainda chamou outros que estavam passando, para verem a tal da ficha.

 Num primeiro momento, fiquei ligeiramete preocupada, sem entender do que estavam rindo. Será que eu tinha escrito alguma palavra totalmente errada? Marcado algum campo que gerou duplo sentido? Nada disso. Estava tudo correto. O que estavam achando engraçado era, na verdade, uma enorme diferença cultural.

O lado da brasileira: antes de começar a de fato preencher a ficha, havia corrido o olho nas questões e estranhado ver que tinham colocado a mesma pergunta três vezes, escrita apenas com palavras diferentes. Por isso, tentei entender mais profundamente o que queria cada pergunta, para dar respostas mais satisfatórias. Entre as diversas questões, perguntavam por que eu havia procurado aquela academia, qual era meu objetivo ao ir à academia, e ainda quais eram minhas metas indo lá. Não é tudo a mesma coisa?

 O lado dos americanos: se acabaram de rir ao ler que eu havia procurado aquela academia (resolvi me concentrar no "aquela") "porque queria frequentar um lugar bacana", que meu objetivo ao ir à academia era "malhar" (ué? qual outro?) e que minha meta era "nenhuma específica, apenas manter o peso e a saúde." Os caras simplesmente não estavam acreditando. Como assim, ela vem aqui sem nenhuma "meta"??

 Gente, e para que "meta", se o exercício em si é o que eu estou buscando?

 Americano é totalmente "goal-oriented" (voltados às metas). Isso pode ser bom em áreas específicas, mas não dá pra se viver a vida toda assim. Onde ficam o prazer pelo prazer, a diversão, a magia, a espontaneidade? Que stress.

 Ao sair de lá matriculada, o cara ainda estava se divertindo comigo. Apertou minha mão dizendo "you´re funny!! You´re funny!!" ("Você é engraçada!"). Bom, se meu modo de viver serviu também para divertir alguém, então que seja.

terça-feira, 19 de junho de 2012

E a cidade de Middleborough em Massachusetts está dando multa para quem falar palavão em público. O pior é que quem achou ruim, não pode nem xingar a nova resolução. Ou se xingou, pagou a considerável quantia de 20 dólares.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Um post contra os excessos

Se tem uma coisa que é importante é o saber quando parar.

A escassez é ruim. Mas estou pra dizer que o excesso é ainda pior.

É o tal do timming. Quando se perde, já era. A piada perde a graça, o momento perde o brilho, o passeio vira martírio, os brinquedos perdem o valor, a companhia fica irritante, o que era bom fica ruim.

 Sem tem uma coisa bem americana que me agonia é o tal do mais, mais, mais. Querem sempre se superar. Vamos fazer mais, melhor, maior!!!

 Deus que me livre. O ser humano tem limitações. Temos só dois braços e duas pernas (portanto, pra quê mil relógios e não-sei-quantas calças?), uma cabeça, um coração, 24 horas no dia... Cada um de nós é somente uma pessoa, portanto, que ideia ridícula isso de querer ter cada vez mais, acumular mais , possuir mais, comprar mais, fazer mais.

 Aff. Que canseira.

 Achei lindas as comemorações do Jubileu da Rainha Elizabeth em Londres, justamente por conta disso: os europeus sempre sabem parar. Comem com moderação. Vestem-se com moderação. Compram com moderação. São elegantes sem passar da medida. E sim, até fazem coisas grandes (como o Jubileu da rainha, ou, pra continuar com exemplos ingleses, o recente casamento de William e Kate) mas que terminam alguma hora. E por isso, a coisa fica interessante.

 Aqui, às vezes exagera-se tanto que a coisa perde a graça. Entra naquela parte do gráfico onde a coisa fica constante, não interessa o quanto mais se acrescentar.

Em grego, veneno e remédio são a mesma palavra - porque para um virar o outro, é só uma questão de quantidades.

sábado, 16 de junho de 2012

Mais um da Sophie Kinsella

 Terminei de ler outro dia o livro mais novo da Sophie Kinsella, I´ve got your number, e amei! O que dizer desse livro? Quem é fã da autora (ou de chick-lit) não vai se decepcionar. A história: Poppy Wyatt perde seu anel de noivado às vésperas do casamento, na mesma ocasião em que tem também seu celular roubado. No meio da confusão, acaba encontrando um aparelho de celular numa lixeira, do qual, no desespero, toma posse. Acontece que o tal celular pertencia à assistente pessoal de um executivo, que recebia e-mail atrás de e-mail e precisava da ajuda da assistente. Daí pra frente, um acaba entrando na vida do outro e por conta disso, terminam por ganhar um olhar totalmente novo e uma perspectiva diferente sobre suas próprias vidas. Enfim, esse é outro livro lindinho com uma história daquelas que, só de ler a sinopse a gente já até imagina  o que vai dar mas se surpreende com algumas reviravoltas do enredo. E sim, de todos os livros dela, achei esse o mais "real" e profundo. E claro, bem no estilo Kinsella, vários episódios do livro são mesmo hilários, daqueles que a gente, de fato, ri alto. Gostei muito e recomendo!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Ainda me agonia

Se tem uma música que me agonia é aquela It must have been love, do Roxette. Tá, eu sei que ela é mais velha que minha bisavó. Mas de vez em quando ela ainda toca, e toda vez que eu ouço fico indignada com a letra. Na música ela fala do quanto está difícil viver naquele dia tão frio de inverno, do quanto ela está sofrendo, fala que ela acorda sozinha e o apartamento está silencioso, etc etc. E aí vem o conhecido refrão:


It must have been love
but it´s over now.
It must have been good,
but I lost it somehow...

[Deve ter sido amor,
 mas agora acabou.
Deve ter sido bom,
mas de alguma forma eu o perdi...]

 Agora gente, onde é que essa mulher estava enquanto esse relacionamento se desenrolava? Que negócio é esse de "deve ter sido amor... deve ter sido bom... de alguma forma eu perdi..." Será que ela estava presente em algum momento nessa relação? Me dá vontade de gritar: não é à toa que você perdeu o cara, ô cabeça de vento!! Ficou com a cabeça na lua e agora está aí sofrendo!

 Mas aí quando a gente lembra que essa banda é sueca, e lembra do quanto os suecos são blasés diante da vida, quase dá pra entender. Quase.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Simpatias para arranjar marido

Para as que ficaram a ver navios ontem, dia de Santo Antônio é dia de renovar as esperanças. Quem sabe o santo casamenteiro não dá uma forcinha? E para aquelas que não quiserem contar somente com a ajuda divina, deixo aqui algumas das minhas exclusivas e especialíssimas simpatias para arranjar marido. Testei todas, com sucesso. Se funcionaram comigo, vão funcionar com você também!

 As melhores simpatias para arrumar marido 

1. Simpatia da calcinha branca 

Com uma calcinha branca nova, caminhe em sua casa até a frente de um espelho grande e dê três pulinhos. Note as partes que balançaram mais do que deveriam e academia nelas.

2. Simpatia da noite de lua cheia  

Numa noite de lua cheia, compre três livros novos de assuntos diferentes. Leia-os até antes da próxima lua cheia. Livros lidos, ligue para aquele cara que você gosta há séculos e o convide para sair. Dê três pulinhos para comemorar quando ele topar. Na noite em que forem se encontrar, tome um bom banho com pétalas de rosas vermelhas, coloque sua roupa mais descolada e seu salto mais poderoso e leve-o a um local tranquilo onde poderão conversar. Se faltar assunto, recorra ao que leu nos livros. Mas lembre-se de falar menos e ouvir mais.

3. A mais garantida delas

 Essa é para as que já estão comprometidas mas querem casar: seja simpática. Deixe dessa bobagem moderna de querer se colocar em primeiro lugar e sair atropelando o relacionamento como um trator e coloque vocês como casal em primeiro lugar. Tenha vida própria, mantenha seus interesses e seus amigos mas lembre-se de abrir um espaço muito especial ao amor na sua vida. Lute um pouco contra seu gênio e contra a mania de ter que estar sempre certa, e esqueça as bobagens que a mídia prega sobre como um relacionamento ideal deve ser. Tente aprender com cada briga e tente ser uma pessoa melhor a cada dia, para beneficiar a si e ao outro. Não esqueça nunca o quanto aquela pessoa é importante e especial. Trate-a com o devido carinho e respeito. E se o sujeito estiver demorando demais para fazer o pedido, diga com todas as letras o que anda passando na sua cabeça. Se falhar, é porque o problema foi na escolha do candidato - não da simpatia!

 Risos.

terça-feira, 12 de junho de 2012

 Brasília. Chesapeake. Nova York. Estamos vivendo nosso terceiro ano de casamento, já em nosso terceiro endereço. Nunca pensei que fosse ter que fazer tantas mudanças. Mas não me importo. Contanto que uma coisa seja constante na minha vida: ele.
A frase que estava no nosso convite de casamento havia sido escolhida a dedo. E é o que estamos vivendo.


"Dê-me tua mão e não me importarei com a distância a ser percorrida.
Seguiremos juntos até onde existir vida."

Ao amor da minha vida, um feliz Dia dos Namorados!

 Não importa o contexto ou o endereço, meu amor por você não muda nunca. E se mudar, é porque cresce.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Do frenesi das visitantes

 Como eu já havia contado, do meio de abril ao meio de maio recebemos lá em casa uma dupla de mães: a minha e a do meu marido. (Digo "lá em casa" porque na época ainda estávamos no espaçoso apartamento de Chesapeake, que tinha dois quartos e dois banheiros). Durante esse tempo, elas passaram alguns dias em Nova York e nos finais de semana as levamos para conhecer Washington e as históricas Williamsburg, Jamestown e Yorktown. Mas durante todos os outros dias era marido no trabalho e eu passeando com elas.

Pergunta de vestibular: qual vai ser o maior atrativo de uma "grande metrópole" como Chesapeake para visitas que vieram do Brasil? É óbvio: as lojas. E sim, Chesapeake podia ser pequena, mas as lojas de lá tentavam compensar esse fato. (Aliás, é até estranho que numa cidade tão pequena coubesse tantas lojas enormes.)

 Para a sorte geral da nação, o nosso carro também é grande, ou senão todo o processo teria sido dificultado. E quando eu digo "processo", quero dizer o frenesi das compras. Quando eu digo "dificultado" quero dizer que pelo menos conseguíamos acomodar tudo no porta-malas. Sim, porque quando eu digo "as compras" quero dizer muuuuuuuuuuuuuitas compras.

 Quantos "u" eu coloquei ali? Bom, dobrem isso. Tripliquem. Elevem à quinta potência. E acrescentem o sinal de fatorial.

Foi por aí mesmo. A coisa chegou a tal ponto que as seguintes frases foram ditas: (de verdade)

- Acho que vou levar essa almofada. (Uma pequena almofada de 60cm x 60cm)

- Esse vou colocar no fundo da mala. (Minha mãe imaginava que o fundo da mala dela era como a casinha do scooby doo ou aquelas barracas do episódio do Chapolim, no qual eles iam acampar e aí saiam tirando escadas, mesas, cadeiras e mais todo tipo de coisa de uma barraca minúscula)

- Será que não tem como despachar um container pro Brasil?

- Seria bom se pudesse mandar de navio...

- Esse também é pro fundo da mala.

- Mas e agora, onde vou colocar o pato?
- Que tal na mesma mala que está o pé do abajur?

 E por aí em diante.

 As coisas que elas não conseguiram colocar nas malas, elas mandaram como encomenda. Tantas caixas, que na penúltima vez que fui ao correio, a gerente da agência veio conversar comigo, provavelmente desconfiada que eu fizesse parte de algum esquema ilícito de exportação. Na última vez, achei melhor procurar um correio na cidade ao lado.

A chinesa do restaurante do outlet olhou pra mim um dia e disparou, com aquele sorrisão dos orientais: "Vem aqui todo dia, né!!"

Até a vizinha de baixo estranhou no dia que me viu arrumando minha mudança aqui pra NY, dizendo que achou que tinha gente se mudando para lá - de tanto que nos viu subir a escada carregando coisas.

 No fim das contas, lá se foram elas de volta ao Brasil. Com suas malas, suas compras, e seus relógios de parede. Sim, eu disse relógios de parede. Esses, elas conseguiram comprar na lojinha de um museu no último dia da viagem, em meio à minha programação para um dia "light e sem perigo de fazerem compras". Mas o pior é que dessa nem posso rir, já que comprei um também. Que é inspirado naquele quadro do Salvador Dali e seus relógios que derretem.

Quando eu vi aquele relógio achei tão legal que eu simplismente tinha que comprá-lo.

 Okay, okay. Talvez eu entenda um pouco do frenesi.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Texto muito bom

Esse quem me mostrou foi minha mãe, que recortou de uma revista e trouxe pra mim aqui nos states. Valeu a pena: eu adorei! (Até porque, eu já fiz muito a mesma coisa que o autor disse no texto: correr pra dar um pulo na piscina quando o dia estava muito quente!) Compartilho aqui:

Tattoo - Luiz Toledo

 O avião, o submarino e até o macarrão que me desculpem, mas a grande invenção do homem foi a piscina.
 Principalmente nesta estação, em que somos submetidos ao que Drummond chamava de "a ditadura do calor", a piscina é um asilo térmico.
 Havendo uma brecha no dia, eu corro pro clube para um mergulho.
 E a vida melhora: além de refrescar o corpo, a água fria hidrata a alma e desanuvia a cabeça. Descobri que muitos problemas não sabem nadar.
 Nesse ambiente aquático, fiz outra constatação: sou uma das poucas pessoas sem tatuagem. As tattoos vieram para ficar - sem trocadilho.
 Alguns transformam seu corpo em verdadeiras batalhas mitológicas.
 Outros preferem mostrar-sem bem-humorados: tatutam um código de barras na nuca, pegadinhas de cachorro pela perna.
 Os minimalistas ou tímidos têm uma estrelinha no pulso. Mas me disseram que isso é só o começo: aquilo tem tudo pra virar uma constelação. Quem faz uma tatuagem não para mais.
 Uma garota supergraciosa (de frente) tinha um escorpião de mais ou menos meio metro nas costas. Imagino ser seu signo, mas, por via das dúvidas, costumo nadar longe dela - e dele.
 Certamente, toda tatuagem tem uma história e um significado, mas, salvo engano, a maioria tem a função de decoração.
 Ao contrário das de antigamente, comuns nos braços de marinheiros e confinados, que vinham de dentro, emergiam das profundezas da pele.
 As de hoje são de fora pra dentro.
 De qualquer forma, não deixa de ser louvável a tentativa de interiorizar um tigre.
 O problema é o para sempre. As tattoos são para sempre. Para sempre é muito tempo.
 Por falar nele, este sim é um implacável tatuador: o tempo.
 Desse ninguém escapa.
 Tabalha dia e noite.
 No corpo todo.

ps. Ia ilustrar esse post com a foto de alguma tatuagem mas não achei nada bonitinho. Agora, fica a reflexão: como tem doido nesse mundo! Alguém já deu uma olhada no google images nas coisas que as pessoas tatuam no próprio corpo? Dio mio...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Days of our lives



New York, I love you

 A elegância da 5a Avenida, as luzes de Times Square. Os passeios preguiçosos pelo Central Park, as mesinhas do Bryant Park. As barraquinhas de sorvete do Herald Square. Naquele dia mais quente, molhar os pés na fonte do Washington Square. O aconchego do Village e o ar descolado do Soho. As confeitarias do Queens - ah, as confeitarias! Os musicais sempre em cartaz, os cinemas da 42St, os programas que via pela tv e que agora posso fazer parte do auditório, as mil peças de teatro, os shows, e feiras, e museus, e livrarias. Saber que a loja da Godiva - e todas as outras - não irão a lugar algum. Os táxis amarelos, as pessoas andando nas ruas, a diversidade de nacionalidades e estilos que não se encontra em nenhum outro lugar do mundo. Nova York, eu te amo.

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New York, I hate you

 O ritmo acelerado, o passo rápido, a batida frenética. As mil linhas de metrô pra entender, os mapas para me familiarizar, as mil decisões que tenho que tomar em 1 segundo na cidade que nunca dorme - e tampouco espera. Por onde será que é, quanto será esse ônibus, pra onde será que ele vai, será que eu tinha que ter descido ali, por que esse metrô passou direto da estação que eu queria? Como é que eu entro nesse prédio, será que a Park é depois da Madison, será que esse elevador é confiável pra eu entrar, será que esse beco está mesmo esquisito ou sou eu que sou caipira? É gente demais, é loja demais, é letreiro demais, é opção demais, é muito de tudo e eu nunca gostei nem de baixar várias músicas ao mesmo tempo porque me sentia perdida num universo onde eu não dominasse tudo. Portanto, Nova York, eu te odeio.

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New York, New York

Na última segunda-feira à noite, eu participei de um workshop maravilhoso, entitulado Urban Goddess for Chocolate and Transformation (Deusa Urbana para Chocolate e Transformação). Que foi uma noite na qual uma nutricionista/psicóloga reuniu 15 mulheres no lugarzinho mais lindo e confortável do mundo, deu uma paletra que AMEI, e depois de nos propôr atividades divertidas e interessantes, concluiu a noite com um exercício que, através da degustação de chocolates(!) cada mulher iria trabalhar em si a "deusa" que lhe estava faltando. Saí de lá maravilhada, feliz da vida, bem alimentada e já trocando mensagens no celular com uma irlandesa super gracinha que conheci e de cara gostei. Em qual outro lugar do mundo eu encontraria um evento TÃO minha cara assim - e ainda outras várias mulheres que estavam procurando pela mesma coisa? Arrisco dizer que só aqui mesmo.


 Nova York, você não é perfeita. Mas para quem sabe escolher, sabe aproveitar, gosta de descobrir, conhece a si mesmo e não tem medo de se lançar, estou pra dizer que realmente, sua fama não é à toa. Que lugar. Que lugar!



quarta-feira, 6 de junho de 2012


 Em breve, muitos posts novos pra vocês!

sábado, 2 de junho de 2012

Sobre o seleto clube dos meus amigos

  Quem me conhece sabe de uma coisa: em essência, sou de facílimo acesso. Eu sou aberta, eu falo tudo, eu estou lá, eu não me escondo. Coloco as cartas na mesa, a alma na vitrine, entrego de badeja, digo tudo mesmo. Levanto hipóteses, questiono a vida, planejo loucuras, executo algumas, sonho com outras, e me divirto com praticamente tudo. Sou a mais certinha e a com menos juízo, a mais responsável e a mais cuca fresca, a que pensa em todos os fatores e a que se deixa levar por alguns impulsos, a que às vezes é até repetitiva mas só porque a vida também acaba sendo. Sou a mistura exata de tudo isso em particularidades que não ultrapassam nem um centímetro o tamanho delas mesmas, e que são só minhas e de mais ninguém. Mas isso sabe os que de fato me conhecem.
Já ao outro grupo de pessoas conhecidas, o grupo dos que "sabem de mim", dispenso uma cortesia formal. Eles tem notícias, até sabem por onde ando, a quantas ando, que aconteceu isso e aconteceu aquilo, mas fica por aí. A estes, sou fechadíssima. Para o grupo dos que sabem de mim, dou o mesmo tipo de resposta que o pessoal dá nas entrevistas: tudo ótimo, mergulhada no trabalho, uma decisão mútua, um pouco complicado, projetos diversos, incompatibilidade de agendas, paz no mundo e fim das guerras, esse tipo de coisa batida. O pior é que muitos deles sequer chegam a perceber.
E não é que eu ache graça em cultivar um clubinho exclusivo para uns e excluir dele outros não. Acontece que pessoas fechadas para si mesmas, para mim e para a vida me interessam muito pouquinho. Conversas insossas me aborrecem. Tem gente em que bato o olho e já me dá vontade de bocejar.
Em contrapartida, sou absolutamente fascinada pelas pessoas que são abertas. Fico interessadíssima em saber tudo de quem também quer me contar tudo, e ainda por cima, quer saber tudo de mim. Acho o máximo que alguém tão ser humano quanto eu possa pensar tão diferente e enfrentar a vida com outras estratégias, e ver uma situação de um ângulo que eu nunca veria. Esses me intrigam, me instigam, me fazem querer saber sempre mais. A esses darei a maior atenção, procurarei sempre, farei mil perguntas, investigarei mais um pouco, vou querer saber de tudo, peraí conta do começo, o que foi que ele disse, o que foi que você disse, e o que você estava pensando, e vestindo, e fazendo, esse tipo de coisa. O que você sentiu, o que achou que fosse, e daí se é esquisito, e daí que não é o que esperavam, me conta mais, me conta de novo.
Entre o grupo dos que me conhecem e o grupo dos que sabem de mim, a distância é abismal. Como saber em qual grupo fulano se encontra? A resposta vem de outra pergunta: o quanto foi que fulano se abriu comigo? Meu clubinho ultra-exclusivo dos amigos íntimos está sempre aberto pra receber pessoas de verdade. Há também os que só já não fazem parte porque faltou oportunidade, mas com certeza eu gostaria de vê-los lá. Mas só se vierem com a alma aberta, que falsidades e aproximações com outras intenções eu farejo a quilômetros. E fujo na direção oposta, com minhas respostas que não dizem nada.

sexta-feira, 1 de junho de 2012