terça-feira, 31 de julho de 2012

Encarar, superar, entender.
É sempre um pouco mais escuro
antes de amanhecer.


sábado, 21 de julho de 2012

No Brasil

Algo maravilhoso sobre estar no Brasil é finalmente poder consumir a coisa em si e não "suas alternativas". Claro. Porque quando a gente nasce num lugar, aprende "como é o mundo" e a partir dali, as outras coisas serão sempre meras alternativas. Pão pra mim, por exemplo, é pão francês. O resto é imitação barata (ou cara). E por aí vai.

Os amigos, outra dádiva. Gosto das amizades que fiz recentemente em Nova York? Muito. Mas não se compara às amizades que tenho de tempos. Algumas que já duram dezenove anos. Uma amiga que vou ver semana que vem, conheço há vinte e quatro(!) anos. E olhe que ainda não fiz trinta. E não tem como. Estar com esses amigos e amigas é como se aconchegar naquele cobertorzinho mais macio e mais quentinho de todos. Tão simples. Tão gostoso. Tão fundamental.

 Estar em casa. Brasil, com seus jeitos e trejeitos, comportamento único e senso de humor inigualável. Brasília, com suas ruas retas, grama seca, prédios iguais e céu infinito. Lugares onde passei mil vezes, que me foram palco, me foram cenário, me foram cúmplices. É minha casa, e vai sempre ser.

 A verdade é que por mais que eu seja fluente em falar, escrever  - e até pensar - em inglês, me falta uma fluência: a de sentir em outra língua. Essa, duvido que um dia se adquira. Meu sentimento é todo brasileiro. É eufórico, grande, expansivo, exagerado, não economiza, não se encolhe, não se enquadra. Viver numa terra onde tem-se que traduzir a si mesmo o tempo todo, pode ser um tantinho cansativo.  E como em toda tradução, algo se perde. Aqui, é mais como lavoisier. Nada se perde, tudo se aproveita. E isso é de um alívio indescritível.

 De qualquer forma, a verdade é que um dia antes de embarcar pra cá, eu estava passeando pelas ruas do Village já sentindo uma saudade enorme antecipada de Nova York (e do marido, mas esse é todo um post a parte). Quando eu for embora daqui, a saudade dará as caras de novo, eu sei, em grande estilo. E eu, entre esses dois mundos? Estou muito feliz. Ou como diriam pros lados de lá, I´m pretty damm happy.

 E isso é sempre a única coisa que importa pra mim. Então, maravilha.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

1 ano

Os patos de Chesapeake, VA
Hoje está fazendo um ano que nos mudamos aqui para os Estados Unidos.

 Um ano que saímos daquele aeroporto carpetado com nossas malas e um carro alugado, em direção à nova fase, num calor úmido de 37 graus que mais pareciam 50. Eu, com tudo pela frente pra conhecer (inclusive a mim mesma). Apesar de familiarizada com a cultura americana, pouco acostumada a estar nesse país, e só recém-acostumada com a ideia de morar nele. Livrinho do DMV pra estudar e tirar carteira de motorista... Comprando de novo coisas como toalha de banho, pratos, copos, ferro de passar... Tentando me virar para chegar nos lugares a pé numa cidade onde faltavam calçadas - e pessoas - nas ruas. (Mas sobravam patos.) Tanta coisa pra aprender. Tanta coisa pra assimilar. Tanta coisa pra descobrir. Tanta coisa pra aceitar.

 Mas é claro que depois da tempestade sempre vem o arco-íris. Sim, porque se Chesapeake foi pra mim um tempo de desafios (e terremotos... e furacões... - sentido figurado e literal), Nova York está sendo um tempo de bênçãos. As coisas parecem simplesmente acontecer, suavemente, como milagres que se materializam na minha frente. Um mês e meio apenas aqui e já me sinto tão parte, tão em casa, tão bem, tão zen. Já tenho casa, vizinhos, academia, lavanderia, supermercado, igreja, sorveteria e uma rotina toda minha. Tenho pessoas, histórias, experiências, descobertas, novidades, aventuras, e lugares que desbravei sozinha. Conheci pessoas diversas, mulheres divertidas, extravagantes, inusitadas, e bem ao estilo dessa cidade cosmopolita, depois de conversar com gente de todo canto, terminei ficando bem próxima de uma irlandesa e uma canadense.

Quando cheguei em Chesapeake, tinha muita coisa dentro de mim precisando ser trabalhada, organizada, e colocada no lugar. Olhando assim, aquela cidadezinha pacata parece ter sido o lugar perfeito para um recolhimento forçado.

Já quando cheguei aqui em Nova York, estava pronta pra abraçar essa cidade, mas nunca pensei que minha vida fosse tomar uma forma tão boa tão rápido. Mas pensando bem, o que eu nunca tinha pensado mesmo era que um dia fosse vir morar em Nova York.

 A vida nos presenteia com milagres quando nos redemos a eles.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Uma loja chamada Macy´s

Você conhece a Macy´s de Nova York? Pois é. Eu também achava que conhecia.

Justiça seja feita, eu já havia ido lá algumas vezes. Houve a lendária primeira vez, na qual marido, de brincadeira, me desafiou a andar todos os onze andares - e eu fui - me arrastando, mas fui. Houve as outras vezes nas quais andei só no andar térreo, pra olhar cosméticos por alto e no máximo acabei subindo uma escada rolante ou duas antes de ir embora sem comprar nada (a maioria das vezes). Houve a vez que entrei lá na maior pressa com a missão de encontrar a jato uma bota de inverno que fosse confortável e bonita a um preço bom, já que era nosso segundo Natal visitando Nova York e a bota tão linda que eu tinha levado rasgou nos primeiros dez passos que dei pra fora do hotel. Houve a vez que marido e eu fomos lá pra lanchar no mc donald´s que tem no 7o andar e a conversa estava tão boa que quando fomos reparar, a loja já tinha fechado. E houve ontem.

 Ah, ontem. Começou com a seguinte diferença: foi a primeira vez que entrei lá com um objetivo que não o de passear. Precisava pegar uma encomenda de última hora, pra levar no cantinho que ainda resta na mala. Então lá fui eu, lista na mão, focada. E sim, parecia que seria só mais uma ida àquela loja enorme, que eu não entendo pra quê tão grande. Mas de repente, não mais que de repente... Coisas mágicas começaram a acontecer. Não sei se foi a música alta, a falta de janelas pro lado de fora ou a bebidinha que a mocinha estava dando na entrada pro pessoal experimentar, mas a seguinte sequência de fatos tomou lugar. Um: eu finalmente entendi qual é a lógica da loja e como encontrar coisas lá. Dois: me vi maravilhada com quantas coisas diferentes(!), de marcas variadas aquela loja tem. Três: comecei a ficar distraída e a perder o foco da lista - coisa que nunca acontece comigo. E nessa hora então percebi: a Macy´s havia me conquistado.

E paixão, você sabe como é. Muito sentimento, pouca clareza. Lembro de planejar uma ida ao banheiro e quando ver, estar maravilhada no meio da sessão de sapatos. Lembro de me aproximar de uma vendedora para pedir informação e sem perceber, entrar na maior conversa. Em algum momento devo ter elogiado o esmalte que ela usava, porque no momento seguinte, e com a ajuda dela, estava em frente ao vidrinho daquela cor exata -  porque, que surpresa, vendia lá também. Lembro de sentir fome e só então notar que já era hora do almoço. E que, peraí, até agora eu ainda não tinha ido ao banheiro.

 Você sabia que naquela Macy´s tem uma loja só de casacos de pele chiquérrimos, como aqueles das madames de filmes antigos? E que além das lanchonetes de praxe, lá tem não só um, mas três Starbucks? E desde quando começou essa moda na qual uma "roupa de zebra" significa uma roupa que tem, de fato, zebras na estampa? Há quanto tempo eu não saía pra fazer compras??

 No fim, após ter almoçado, comprado esmalte, e encontrado coisas que eu achava que teria ir em outras lojas pra pegar, terminei descobrindo que a única coisa mesmo que eu tinha ido lá buscar - ironia das ironias - eles não vendem. E aliás, deve ser a única coisa que não vendem lá. Porque o resto, acredite, eles vendem.

 Enquanto saía de lá correndo pela primeira porta giratória que avistei, antes que eu fosse tragada por aquele mar de mercadorias, tirei minha grande conclusão: que a Macy´s fica bem mais interessante quando você não vai lá só pra passear, mas sim... Pra comprar alguma coisa! Óóóó!! (E olha que as compras nem eram pra mim.)

Às vezes fico pensando que sou a criatura mais passada do planeta.

(Mas sim, na ocasião em que entrei lá naquele Natal na maior pressa, consegui encontrar a bota que precisava em menos de 20min por menos de 60 dólares. Conclusão: passada si, pero no mucho.)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Na corrida

 Mais uma vez, estou postando na corrida. Minha vida anda a mil por hora. E então outro dia, caminhando em passos rápidos dentro de uma estação de metrô, em meio à multidão que também andava com pressa, comecei a pensar sobre o sentido da correria. Isso, enquanto pensava também que na estação de metrô da 42St a gente tem que andar tanto pra chegar no trem de conexão (que está lá pra encurtar o caminho), que deveriam colocar um trem de conexão só pra nos conectar a ele. Ha ha. A propósito, é assim que se mantém seis quilos perdidos em recente regime de fome (que durou pouco mas foi certeiro) e ainda perde-se mais um sem nem perceber. É correndo dentro de estações de metrô, subindo escadas que eram pra ser rolantes mas na prática nunca se tem tempo pra esperar, é andando não-sei-quantos quarteirões num dia só, e sim, a sauna que anda Nova York deve estar ajudando a liberar as toxinas. Melhor que qualquer spa.

 Mas voltando à correria - já que é assim que escrevo o post, e portanto não deveria me permitir digressões -  estava pensando se faz sentido correr tanto na vida, já que o destino final todo mundo sabe mesmo qual é. Passar a vida indo de um lado pro outro, correndo atrás de... De que, mesmo? Tão rápido quanto o pensamento me surgiu, veio a resposta dele: sim, pode fazer sentido. Mas somente se a maior parte das suas experiências diárias estiverem sendo altamente satisfatórias. Aí parte da pressa se torna apenas um pequeno preço a pagar. É o tal do valer a pena. A expressão é mesmo muito boa. Valer a pena, ou as penas. Algo pode ter mesmo um lado penoso, mas se compensa, então vale. A pena.

 Quando se está correndo tanto para pular de uma coisa a outra que termina-se não aproveitando mais as coisas para as quais você estava com pressa de ir, porque já se tem que pensar na próxima, aí é hora de pisar no freio - o trem descarrilhou. Eu já ia escrever: não faça isso, mas vou preferir o "faça diferente", e já vou explicar por quê.

 Claro que é justamente num dia em que eu disse ao meu cérebro que não posso mudar de assunto é que ele quer porque quer mudar. Mas é óbvio. Dei o comando no negativo. "Cérebro, não mude de assunto.", e aí como 90% do comando diz "Cérebro, - - - mude de assunto", é claro que ele ignora o quase irrelevante "não" e faz exatamente o contrário. Duvida? Pois tente não pensar numa maçã vermelha. Já pensou, né? Eu sabia.

 Mas voltando ao assunto, antes que meu tempo para o post se esgote, eu vou concluir: a correria vale a pena se o que estiver motivando-a for algo que para você seja de fato vital, ou divertindo ou prazeroso ou importante. Ou senão toda a sua energia, recursos e disposição estará indo para sustentar aquele tipo de corrida que praticam os hamsters em suas rodinhas: o tipo que não leva a lugar algum.

 Não foi o caso deste post. Escrevi correndo porque estava voltando de uma tarde longa mas deliciosa, e me preparando para uma noite cheia, de coisas melhores ainda. E me diverti escrevendo, então é o que conta.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Receita de moqueca de peixe

 Orgulhosíssima de mim mesma. Ontem fiz uma moqueca de peixe que ficou de-li-ci-o-sa. Então, apesar de ainda estar sem tempo de vir escrever melhor, passo aqui pra deixar a receita. Se alguém se inspirar, poderá comer, ainda hoje, um prato que fica muuuuuuuito bom!!

 E sim, não se deixem levar por esse nome, "moqueca", que soa como algo difícil... (pelo menos, pra mim, soava, ha ha). Mas que nada, é facílimo fazer. E também não se assustem com a lista enorme de ingredientes, porque maioria das coisas ali é tempero.

Moqueca de peixe

Ingredientes:

4 filés de tilápia
limão
4 dentes de alho
1 cebola grande
1 pimentão verde
1 pimentão amarelo
2 tomates
1 lata de leite de coco
Azeite (comum e de dendê)
Tabasco vermelho
curry, tomilho, manjericão
salsinha, cebolinha, coentro
sal, pimenta do reino

Preparo:

 Antes de começar, corte os filés de tilápia em quadrados médios, e tempere com sal, pimenta, limão e um dos dentes de alho picadinho. Numa panela funda, esquente o azeite e refogue o alho picadinho, a cebola picada grosseiramente e os pimentões (em tiras). Acrescente o sal e a pimenta (a gosto), 1 colher de chá de curry, e os tomates (picados em cubinhos). (Se sair um "caldinho" quando partir o tomate, jogue também). Aí coloque o peixe, e em fogo médio, deixe cozinhar por 5 minutos, mexendo de vez em quando. Acrescente o leite de coco e os temperos restantes (tudo a gosto...) e cozinhe por mais 10 minutos em fogo baixo. Se no final, você achar que o caldo está muito líquido, coloque um pouquinho de farinha de trigo pra engrossar de leve. (Eu devo ter colocado 1 colher de sobremesa, mais ou menos, na minha). E é isso aí! Sirva com arroz branco. Delícia!