sexta-feira, 6 de julho de 2012

Na corrida

 Mais uma vez, estou postando na corrida. Minha vida anda a mil por hora. E então outro dia, caminhando em passos rápidos dentro de uma estação de metrô, em meio à multidão que também andava com pressa, comecei a pensar sobre o sentido da correria. Isso, enquanto pensava também que na estação de metrô da 42St a gente tem que andar tanto pra chegar no trem de conexão (que está lá pra encurtar o caminho), que deveriam colocar um trem de conexão só pra nos conectar a ele. Ha ha. A propósito, é assim que se mantém seis quilos perdidos em recente regime de fome (que durou pouco mas foi certeiro) e ainda perde-se mais um sem nem perceber. É correndo dentro de estações de metrô, subindo escadas que eram pra ser rolantes mas na prática nunca se tem tempo pra esperar, é andando não-sei-quantos quarteirões num dia só, e sim, a sauna que anda Nova York deve estar ajudando a liberar as toxinas. Melhor que qualquer spa.

 Mas voltando à correria - já que é assim que escrevo o post, e portanto não deveria me permitir digressões -  estava pensando se faz sentido correr tanto na vida, já que o destino final todo mundo sabe mesmo qual é. Passar a vida indo de um lado pro outro, correndo atrás de... De que, mesmo? Tão rápido quanto o pensamento me surgiu, veio a resposta dele: sim, pode fazer sentido. Mas somente se a maior parte das suas experiências diárias estiverem sendo altamente satisfatórias. Aí parte da pressa se torna apenas um pequeno preço a pagar. É o tal do valer a pena. A expressão é mesmo muito boa. Valer a pena, ou as penas. Algo pode ter mesmo um lado penoso, mas se compensa, então vale. A pena.

 Quando se está correndo tanto para pular de uma coisa a outra que termina-se não aproveitando mais as coisas para as quais você estava com pressa de ir, porque já se tem que pensar na próxima, aí é hora de pisar no freio - o trem descarrilhou. Eu já ia escrever: não faça isso, mas vou preferir o "faça diferente", e já vou explicar por quê.

 Claro que é justamente num dia em que eu disse ao meu cérebro que não posso mudar de assunto é que ele quer porque quer mudar. Mas é óbvio. Dei o comando no negativo. "Cérebro, não mude de assunto.", e aí como 90% do comando diz "Cérebro, - - - mude de assunto", é claro que ele ignora o quase irrelevante "não" e faz exatamente o contrário. Duvida? Pois tente não pensar numa maçã vermelha. Já pensou, né? Eu sabia.

 Mas voltando ao assunto, antes que meu tempo para o post se esgote, eu vou concluir: a correria vale a pena se o que estiver motivando-a for algo que para você seja de fato vital, ou divertindo ou prazeroso ou importante. Ou senão toda a sua energia, recursos e disposição estará indo para sustentar aquele tipo de corrida que praticam os hamsters em suas rodinhas: o tipo que não leva a lugar algum.

 Não foi o caso deste post. Escrevi correndo porque estava voltando de uma tarde longa mas deliciosa, e me preparando para uma noite cheia, de coisas melhores ainda. E me diverti escrevendo, então é o que conta.

2 comentários:

  1. Tô correndo pra ir te encontrar agora depois do trabalho. Deve valer! :-)

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