sábado, 21 de julho de 2012

No Brasil

Algo maravilhoso sobre estar no Brasil é finalmente poder consumir a coisa em si e não "suas alternativas". Claro. Porque quando a gente nasce num lugar, aprende "como é o mundo" e a partir dali, as outras coisas serão sempre meras alternativas. Pão pra mim, por exemplo, é pão francês. O resto é imitação barata (ou cara). E por aí vai.

Os amigos, outra dádiva. Gosto das amizades que fiz recentemente em Nova York? Muito. Mas não se compara às amizades que tenho de tempos. Algumas que já duram dezenove anos. Uma amiga que vou ver semana que vem, conheço há vinte e quatro(!) anos. E olhe que ainda não fiz trinta. E não tem como. Estar com esses amigos e amigas é como se aconchegar naquele cobertorzinho mais macio e mais quentinho de todos. Tão simples. Tão gostoso. Tão fundamental.

 Estar em casa. Brasil, com seus jeitos e trejeitos, comportamento único e senso de humor inigualável. Brasília, com suas ruas retas, grama seca, prédios iguais e céu infinito. Lugares onde passei mil vezes, que me foram palco, me foram cenário, me foram cúmplices. É minha casa, e vai sempre ser.

 A verdade é que por mais que eu seja fluente em falar, escrever  - e até pensar - em inglês, me falta uma fluência: a de sentir em outra língua. Essa, duvido que um dia se adquira. Meu sentimento é todo brasileiro. É eufórico, grande, expansivo, exagerado, não economiza, não se encolhe, não se enquadra. Viver numa terra onde tem-se que traduzir a si mesmo o tempo todo, pode ser um tantinho cansativo.  E como em toda tradução, algo se perde. Aqui, é mais como lavoisier. Nada se perde, tudo se aproveita. E isso é de um alívio indescritível.

 De qualquer forma, a verdade é que um dia antes de embarcar pra cá, eu estava passeando pelas ruas do Village já sentindo uma saudade enorme antecipada de Nova York (e do marido, mas esse é todo um post a parte). Quando eu for embora daqui, a saudade dará as caras de novo, eu sei, em grande estilo. E eu, entre esses dois mundos? Estou muito feliz. Ou como diriam pros lados de lá, I´m pretty damm happy.

 E isso é sempre a única coisa que importa pra mim. Então, maravilha.

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