quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Food for thought

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 Saindo da academia hoje vi um policial de uniforme azul marinho, com um emblema escrito em letras grandes e amarelas: "polícía secreta". Pergunta que não quer calar: por que o uniforme da polícia secreta é bem mais chamativo que o da polícia comum?? Mistérios.

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Na aula de francês fica vindo alemão na minha cabeça. Quando tento falar alemão, vem inglês. Aí estou falando inglês e vem português. Meu cérebro me sabota.

(Na verdade, ele procura a próxima língua que sei um pouco mais do que aquela que estou tentando falar.)

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 Na minha turma de francês os colegas são americanos, mas tem duas moças latinas. Como para elas eu sou "não-americana", elas falam comigo em espanhol. Às vezes é para perguntar a resposta de um exercício. O pior é que eu entendo o espanhol, e aí respondo - ou em inglês, ou dizendo a tal palavra em questão em francês mesmo. De vez em quando sai em português. Se continuar desse jeito, vou poder dizer que falo quatro línguas - todas, muito mal.


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 Raramente fico sabendo das notícias lendo jornais. Acho um investimento de tempo muito grande, para amanhã já ter mudado tudo de novo.

 Já bem disse Caetano: quem lê tanta notícia? Aff.

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quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O que não dizer para uma mulher na tpm!

5 coisas pra NÃO se dizer a uma mulher na tpm:


  1. Você não está sendo muito razoável.
  2. Você vai comer mesmo todo esse chocolate?
  3. Você deu uma engordadinha?
  4. Fique calma!
e a pior de todas:

5. Você está de tpm??

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

 E disse Joseph Campbell no dvd O Poder do Mito, em resposta à pergunta de Bill Moyers:

Bill Moyers: - O que acontece quando uma pessoa vai atrás da sua felicidade?
Joseph Campbell: - Ela a encontra.

 Amo essa resposta. Até porque, acho que é simples assim mesmo. E ele diz mais:

"Siga sua felicidade e o mundo abrirá portas para você onde antes só existiam paredes."

É um bom espírito pra se começar a semana, não?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Você ainda não conhece??

 Você já conhece o gangnam stlye? Não?? Cuidado! Você está ficando por fora. Corra o dedo no explorer, digite as letras e descubra rápido do que se trata - antes que seja tarde demais! Afinal, se você não ficar rapidamente por dentro desse novo modismo, pode ser que ele passe, veja só, sem que você não tenha nem tomado conhecimento! Ha ha.

O caso é que a vida anda frenética. Anda se levando muito pouco tempo para algo já virar antigo. O fenômeno não me agrada, e o prognóstico não é nada bom: minha impressão é que o tempo de duração do que quer que seja vai ficar cada vez menor.

O orkut, por exemplo, está ultrapassadíssimo. Mas foi uma febre que até durou um tempinho razoável, uns cinco anos. Isso até que o Facebook caísse nas graças do brasileiro. Eu já tinha Facebook quando o pessoal no Brasil começou a descobri-lo, porque esse era o "orkut europeu". Criei minha conta lá em 2003, acho. E de lá pra cá, o Facebook nem parece mais o mesmo. Sim, porque também a atitude das pessoas no portal também vai mudando, com uma rapidez incrível. 

Quando entrei no site, o status da pessoa era uma frase a ser completada. O site dizia: Simone está..., e a pessoa tinha que completar. Então via-se "Fulana está... viajando." "Sicrano está... de férias." "Beltrana está... de carro novo." Algo por aí. E basicamente essa era a informação que se atualizava ali, de tempos em tempos. Devo dizer que o Facebook, antes da invasão brasileira, era um território muito mais calmo e menos exibicionista. Um lugar assim, mais europeu. Mas aí vieram mudanças no site, e é claro, os brasileiros e suas modinhas. E desde então é um tal de se substituir a coisa da semana passada por outra nova. E se é nova, é claro, só pode ser muuuuuuuito mais legal. Será?

Recordem comigo. Houve o tempo de fazer check-in em todo lugar onde se ia - ultrapassado. Houve o tempo em que se relatava tudo o que se estava fazendo no dia, contando coisas bobas do cotidiano. (Esse coinscidiu com o início do Twitter, e acho que as pessoas ficaram confusas, tanto sobre como deveriam "se comportar" num site e no outro, quanto com a finalidade do próprio twitter.) (Algumas ainda estão.) Veio então a onda das frasezinhas de efeito, escritas no perfil -  rapidamente ultrapassada. Foi substituída pela onda das frazesinhas de efeito em forma de figuras, com letras bonitas e enfeitinhos - passou também. Veio a moda (irritante) de escrever como se estivesse falando com alguém quando na verdade estava falando de si mesmo. Era o tal do "bom dia para quem passou a noite acordada fazendo o bebê dormir." Argh. Por que não dizer "Passei a noite acordada fazendo o bebê dormir"? Ah, não. Mas isso aí seria voltar aos remotos tempos nos quais se relatavam os acontecimentos como no twitter e isso já ficou pra trás, é tão "maio de 2011", oras. A moda do # ainda perdura por conta das mesmas almas confusas ali de cima, que não fazem a diferença entre FB e Twitter. E a moda das montagens "O que é - como sua namorada vê - como seus pais enxergam - como realmente é"? Quem não viu zilhões dessas? Passou também. Houve o tempo dos joguinhos do Facebook, do aquário, das cidades, etc. Alguém ainda joga? Duvido. O tempo de se entregar uma rosa virtual, um abraço virtual. Alguém lembra disso? Também duvido. E por aí vai... O engraçado é que o comportamento das gerações, assim como no mundo real, no virtual muda também. O pessoal mais velho, que entrou há menos tempo no Facebook, por exemplo, parece que parou na moda das fotos & frases bonitas e ali ficou. Ruim? Que nada. Estão explorando aquilo ali, e se divertindo, ao meu ver, sem estar querendo saber qual é a próxima ondinha do momento.

A impressão que eu tenho é que hoje a pessoa mal descobre a coisa, e ela já está ultrapassada. E aí tem logo que passar para a próxima, para não correr o risco dela mesma ficar ultrapassada, porque isso sim seria a verdadeira tragédia.

 Será mesmo? Será que a tragédia não estaria justamente nessa tentativa insana de acompanhar o último tudo? Porque aí parece que passa-se o tempo com fome, querendo a próxima garfada, em vez de saboreando aquela que está na sua boca agora mesmo.

 Sei lá. De qualquer forma, para os que vivem suas vidas em busca da próxima novidade, procurem o clipe chamdo Gangnam Style, que é a nova musiquinha do momento, que trouxe a nova dancinha do momento. Não sei se está popular no Brasil, mas pelo mundo, com certeza. Estão lá os mais de 224 milhões(!) de acessos no youtube para não me deixar mentir. Ou vai ver que todo mundo já conhecia essa música e eu é que demorei a ficar sabendo. Afinal, e depois desse post eu nem precisaria dizer, ha ha, nunca fui muito fã dos modismos.

"Nada é tão perigoso como ser moderno demais. Fica-se com uma tendência a virar antiquado de repente." Oscar Wilde

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Blargh!

 Com atraso de apenas uns 5 anos, finalmente fiz uma coisa que devia ter feito na UnB: li o tal A paixão segundo G.H, de Clarice Lispector. 
Melhor ler revistinha!


 O que achei do livro? Isso: blargh. Aliás, bota umas exclamações no final: blargh!!!

 De-tes-tei esse livro. Muito.


 Não. Okay. Deixa eu ser justa. Do começo eu até gostei. Os primeiros capítulos são mesmo muito bons. Tem umas frases lá que capturam certos sentimentos quase que com perfeição. Até poderia pulicá-las aqui, depois que minha raiva do livro já tiver passado. Mas o caso é que esse começo gostoso dura pouco, e aí logo ela começa a, sinceramente, viajar na maionese. Parece coisa de drogado alucinado - embora eu não saiba qual é a experiência de um drogado alucinado. Mas se é possível imaginar o desconforto, deve ser alguma coisa que se compara a ler esse livro.

 E não estou nem aí para o que a critica disse a respeito. A verdade é que a mulher não fala coisa com coisa. E se de vez em quando fala, simplesmente não vale a tortura de se ficar lendo tanta coisa viajante para, de vez em raro, ler uma frasezinha que seja boa. Ah, e que o título não te engane: não é sobre paixão que ela passa a maior parte do tempo falando. É sobre uma barata.

 Fala sério!!!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012



 Já fui de admirar os que sabem muito. Hoje admiro mais os que ensinam muito. Afinal, conhecimento é como dinheiro: beneficia muito mais gente quando está circulando.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012



"A educação é algo admirável, mas é bom recordar que nada que valha a pena saber pode ser ensinado."
Oscar Wilde


 Indeed. E o que não pode ser ensinado, tem que ser vivido mesmo e pronto.

 Um ótimo fim de semana!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

 É. tem fichas que demoram a cair pra mim.

 A Lorena sempre brincou falando que eu tenho efeito retardado. E eu tenho mesmo, pra muita coisa.

 As melhores coisas que fiz na vida, lugares incríveis, pessoas fantásticas, nada disso eu percebi de primeira. Teve vez que levou até mais do que só um tempinho. (o Colégio Militar, por exemplo. Durante todo o meu primeiro ano lá eu escrevia no diário que queria que lá fechasse ou explodisse. Ha ha. Isso, com 11 anos, que fique dito.)

 Parece que demoro mesmo pra ver certas coisas que as pessoas percebem rápido.

 Mas o negócio é que quando eu enxergo... Quando eu finalmente vejo... eu vejo melhor que ninguém.

Talvez porque quando eu percebo essa coisa, a percepção não estará vindo mais de primeiras impressões mas de muito pensar, observar, conviver e lidar com o assunto? E aí  quando a ficcha cai, o quadro vem mais completo? Ou será que é porque eu....

 Nah. Não estou afim de problematizar não. Só estou afim de aproveitar.

 Porque eu finalmente vi. E que maravilha que é.

Por uma vida mais autêntica

 O bom de simplesmente ser a gente mesmo é que se tem que pensar muito menos. Essa quem disse fui eu. Mas adoro essas, de Oscar Wilde, sobre o mesmo tema:

"Seja você mesmo. Todas as outras personalidades já tem dono."

 "Ser natural é a mais difícil das poses."

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Do escrutínio alheio

 Naquele livro do Verissimo que eu estava lendo outro dia, tem uma crônica contando o que acontece quando um casal decide instalar um microfone escondido no elevador do prédio onde moram para ouvir o que os amigos dizem quando estão chegando ou saindo do apartamento deles. Por um momento pensei, que ideia fantástica! Depois, pensando melhor, que ideia terrível. Afinal, provavelmente certas coisas que dizem sobre a gente seriam o tipo de coisa devastadora de se ouvir - justamente por serem verdades. Já muito bem disse Oscar Wilde: "É monstruosa a forma como as pessoas criticam as outras pelas costas, dizendo coisas absoluta e completamente verídicas." Ha ha. Realmente!!

 O problema, acho, não estaria então em se dizer essas verdades (não na cara das pessoas, please), mas somente quando fossem, de fato, verdades. Passou disso, seriam julgamentos e aí entraria-se no terreno do preconceito. Mas honestamente, é possível não avaliar uma pessoa ou situação? Acho que não. A gente avalia até para tentar entender, para saber como é que a gente se coloca diante daquele fato ou daquela pessoa. Então sabe, parei de me culpar por fazer julgamentos na minha cabeça, porque acho que é assim mesmo. O importante, penso, é eu saber que não deveria estar julgando, que muito julgamento é precipitado, e aí agir conscientemente de forma mais aberta e curiosa em relação ao algo ou alguém, até para ver se é isso mesmo ou se eu estava enganada, em vez de virar a cara por conta de qualquer impressão inicial. Aquela coisa bem Sócrates: eu sei que nada sei. Mas ainda assim, vou tirar minhas conclusões. É triste? Talvez. Mas provavelmente inevitável. Bem que Wilde também já tinha dito, "o mundo é um palco, mas seu elenco é um horror". Horríveis somos todos. E fascinantes também.

 Para o leitor está pensando: "que coisa horrorosa, ela admitindo que julga os outros", saiba que se você pensou isso já está me julgando, tsc tsc, que coisa feia. Saiba que eu estou do lado de cá pensando: que feio a pessoa que julga os que admitem que julgam os outros. E assim vai. É a vida. E é bonita, e é bonita.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Ah, o amor, o amor!

Amar às vezes anda junto com sofrer. No início, a gente sofre por não saber se é correspondido, ou sofre por não ser, e às vezes sofre por não corresponder. E quando tudo dá certo, termina o sofrimento? Muito pelo contrário. Aí sofremos com a ausência do ser amado, sofremos de saudades, de ciúmes, ou com eventuais desentendimentos. Mas é claro que está tudo justificado já que a parte boa... Ah, é tão boa! Sobre esse assunto, tem uma fala perfeita no filme de Woody Allen A última noite de Boris Gushenko. Nele, uma das personagens faz o seguinte discurso:
 "Amar é sofrer. Para evitar o sofrimento, não se deve amar Mas então, sofre-se por não amar. Portanto, amar é sofrer, não amar é sofrer, sofrer é sofrer. Ser feliz é amar; logo, ser feliz é sofrer. Mas o sofrimento deixa a gente infeliz, portanto para ser infeliz deve-se amar, ou amar para sofrer, ou sofrer por excesso de felicidade. Espero que você esteja entendendo."

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

 E no desfile de 7 de setembro em Brasília duas mulheres correram pela esplanada semi-nuas. Não, elas não se enganaram de festa e acharam que era carnaval. Era protesto mesmo. As causas abraçadas de peito - literalmente - aberto eram a violência sofrida por mulheres e a construção da hidroelétrica de Belo Monte. Causas nobres. Mas uma coisa me intriga nessa história, e também em outros protestos. É a correlação dos temas. O que tem haver a hidroelétrica de Belo Monte com a violência sofrida por mulheres? A gente escuta o povo dizendo: estou protestando conta a corrupção e a matança dos pandas selvagens. (??) Mas sim, imagino que a pessoa diga: ah, já que vou tirar a roupa mesmo, vamos aproveitar e protestar logo contra um monte de coisa. Era o que as duas da Esplanada estavam fazendo. Matando logo vários coelhos com uma chacoalhada só.

Com pouco tempo de Nova York, essa coisa do peito de fora nem me espanta mais. Aqui, talvez por ser permitido por lei às mulheres mostrarem os seios se quiserem, já vi tantas sem blusa por aí que já estou quase achando normal. O que é uma pena para as que gostam de protestar. Afinal, banalizado o peito de fora, o que é que elas fariam em seguida para chamar atenção? Marido, pare já de imaginar.

Da saudade e nostalgia

Se eu já andava com um pé na nostalgia e na saudade do Brasil, hoje então, 7 de setembro, vou colocar os dois. E que ninguém tente me desenrolar da minha bandeira verde e amarela ou senão, só de castigo, eu canto o hino nacional. Ah, meu Brasil brasileiro... Tão mulato e faceiro.

 (Estou hoje com uma tendência a citações. Sei que como já dizia a minha tia, "quem cita os outros não tem ideias próprias", mas vai fazer o quê? Cada dia o escritor acorda de um jeito.)

 Então, seguindo os pensamentos, eu ia continuar dizendo que acho linda a nostalgia pelo Brasil e mais lindo ainda os brasileiros que tem amor incondicional à patria, que não é perfeita mas é abençoada por Deus e bonita por natureza. Mas só aceito esse tipo de fala de quem já morou fora, ou saiu do país, ou deu umas viajadas ou pelo menos é muito bem informado sobre o resto do mundo. Lembra nas provas de matemática, que pra ganhar os pontos não bastava só escrever o resultado mas sim tinha que mostrar o desenvolvimento? Pois é. O tipo de conclusão o-Brasil-é-o-melhor-país eu só aceito se me mostrar o desenvolvimento. Ou senão vira coisa de brasileiro bitolado.

Mas para quem já saiu por aí e chegou a essa conclusão, que maravilha. Maravilha que é amar o país ao qual a gente pertence - coisa que não deve ser default. Fico pensando em quem nasceu no Oriente Médio, na Coreia do Norte, na India ou na China (a que não é mostrada ao mundo), se é possível amar lugares assim, com problemas demais e soluções de menos. Sei que no Brasil existem problemas (ah, como sei) mas o que existe lá é também uma infinidade de coisas maravilhosas. As paisagens, a diversidade, o estado de espírito e o jeito do brasileiro. As comidas, o aconchego, as praias, a solidariedade, o riso fácil. O gosto das coisas, o cheiro das coisas, o ritmo da vida. Tanta coisa boa. Tanta coisa.

Tem um primo do meu marido que citou alguém, que já esqueci quem (ha ha), que havia feito uma comparação perfeita entre a vida no exterior (se referindo a países de 1o mundo) e a vida no Brasil, que dizia algo como: "No exterior é bom, mas é uma droga; e no Brasil é uma droga... mas é bom!" Palavras exatas. Quem já morou fora deve saber do que estou falando.

Eu diria que o Brasil é o melhor país pra se viver? Sim. Com toda certeza? Pra terminar, vou citar meu amigo Tardelli que sempre diz: "posso não ter toda a certeza, mas estou absolutamente convicto."

 Um ótimo feriado a todos!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Mal acostumados?

 Se alguém diz, "fulana foi mal acostumada", a gente sabe logo do que se trata. Provavelmente teve muito luxo ou muito conforto ou mimos, ou acostumou com algum tipo de situação muito boa etc etc. Mas pensando bem, não teria mais lógica dizer que essa fulana então foi "bem acostumada"? Por que o povo repete que é "mal acostumado" aquele que foi acostumado com situações extremamente boas?? O que tem de mal nisso? Mal acostumado não seria aquele que está acostumado com o que é ruim??

 É o que eu me pergunto nessa tarde de quarta-feira, pós-faxina na casa.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Numa sentada

 Entre uma saída e outra, ontem li um livro inteirinho. Foi o "Em algum lugar do paraíso", de Luis Fernando Verissimo (2011: objetiva, 194pgs). Maravilhoso. Recomendo, mil vezes recomendo. Deixo aqui trechos da crônica que dá nome ao livro, Em algum lugar do paraíso, que como tantas outras, é ótima:

"O tempo não tem pontos fixos, o tempo é uma sombra que dá a volta na Terra. Ou a Terra é que dá voltas na sombra. Nossa única certeza é que será sempre a mesma sombra - o que não é uma certeza, é um terror.

Na nossa fome de coordenadas no tempo nos convencemos até que dias da semana têm características. Que uma terça-feira, por exemplo, não serve para nada. Que terça é o dia mais sem graça que existe, sem a gravidade de uma segunda - dia de remorso e decisões - e o peso da quarta, que centraliza a semana (pelo menos em Brasília), ou a concentração da quinta, ou a frivolidade da sexta. Gostaríamos que passar pelos dias fosse como passar por meridianos e paralelos, a evidência de estarmos indo numa direção, não entrando e saindo da mesma sombra. Não passando por cada domingo com a nítida impressão de que já estivemos aqui antes.

Já que não há coordenadas e pontos fixos no tempo, contentemo-nos com metáforas fáceis. O novo milênio se estende como um imenso pergaminho à nossa frente, esperando para ser preenchido. Podemos escolher nosso destino, desenhar nossos próprios meridianos e paralelos e prováveis novos mundos. É verdade que a passagem do tempo não se mede apenas pelo retorno dos domingos, também se mede pela degradação orgânica, e que a cada domingo estaremos mais perto daquela outra sombra, a que nunca acaba, suspiro e reticências. Nenhum de nós chegará muito longe no novo milênio. (Minha meta é chegar à Copa do Mundo de 2014, o que vier depois é gratificação.) Mas é bom saber que o novo milênio está aí, quase inteiro, à nossa espera."

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Eu & o tiramissu

Ontem à noite dei as últimas colheradas num tiramissu que eu tinha feito. Estava simplesmente divino. (Depois passo a receita) Enquanto saboreava, voltava a pensar aquilo que tinha me vindo à cabeça desde a primeira colherada que havia dado no doce dias antes: como assim eu ainda não havia feito essa receita?? A pergunta ganha a entonação certa (enigmática & bem dramática) quando você considera o seguinte:
  1. Eu sempre AMEI tiramissu, mesmo antes de provar pela 1a vez;
  2. Toda vez que tive a chance (em restaurantes, delicatessen), foi o que eu escolhi como sobremesa;
  3. Só pra comprovar que, de fato, eu realmente AMO esse doce;
  4. Eu venho cozinhando bem já há, pelo menos uns oito(!) anos;
  5. Sendo que sobremesas, que sempre foram meu forte, eu já fazia há mais tempo;
  6. Eu vivo fazendo sobremesas.
 Ou seja: como assim eu ainda não tinha feito esse doce???

 Posso penssar numa explicação. Ela está no 1o livro de receitas que comprei na vida, justamente por conta de uma receita de tiramissu. Eu devia ter uns 15 anos, e um dia, farda do Colégio Militar, almoçando no Brasília Shopping, comprei um livro entitulado "Sobremesas Deliciosas", algo assim. O que havia me encantado era justamente a foto do tiramissu. Mas aí, sem experiência com livros de receita, só fui ver o modo de fazer em casa - e como era complicado! Eu ia precisar de processador, batedor tal, da forma tal pra fazer o bolo(!) pro tiramissu, dos ingredientes esquisitos tais e tais... Era tanta dificuldade pra uma pessoa sem tanta experiência na cozinha que eu resolvi deixar o bendito pra lá e me contentar com outras coisas.

 E assim se passaram quase outros quinze anos sem que eu tentasse de novo.

 Quinze anos sem tentar uma coisa porque um dia ela pareceu muito difícil. Quinze anos sem tentar uma coisa porque em UM livro de receitas o modo de fazer era complicado. Quinze anos sem tentar fazer a receita que eu mais gosto de comer, sendo que já tem vários anos que acumulei experiência suficiente na cozinha pra fazer coisas bem mais complicadas que esse doce.

 E nesse meio tempo, fico pensando, quantos mil pavês eu tentei, mousses, bolos, pudins, doce disso, doce daquilo... Coisas que eu nem gosto tanto assim, tentei fazer. Mas por que não continuei indo atrás daquilo que eu mais gostava???

 Estão vendo onde quero chegar? Quanto tempo na vida a gente não passa postergando aquilo que a gente realmente queria fazer por conta de uma ideia que se formou lá atrás?? Quanto tempo na vida a gente não passa dizendo que "é impossível" algo que pode até ter sido, mas num tempo lá longe, quando as possibilidades (e nossa própria maturidade) eram muito diferentes/menores?? Quantos anos a gente vai ficar sem comer nosso doce preferido porque UM livro de receita fez parecer complicado???

 Fica a reflexão. Ótima segunda-feira!