quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Do escrutínio alheio

 Naquele livro do Verissimo que eu estava lendo outro dia, tem uma crônica contando o que acontece quando um casal decide instalar um microfone escondido no elevador do prédio onde moram para ouvir o que os amigos dizem quando estão chegando ou saindo do apartamento deles. Por um momento pensei, que ideia fantástica! Depois, pensando melhor, que ideia terrível. Afinal, provavelmente certas coisas que dizem sobre a gente seriam o tipo de coisa devastadora de se ouvir - justamente por serem verdades. Já muito bem disse Oscar Wilde: "É monstruosa a forma como as pessoas criticam as outras pelas costas, dizendo coisas absoluta e completamente verídicas." Ha ha. Realmente!!

 O problema, acho, não estaria então em se dizer essas verdades (não na cara das pessoas, please), mas somente quando fossem, de fato, verdades. Passou disso, seriam julgamentos e aí entraria-se no terreno do preconceito. Mas honestamente, é possível não avaliar uma pessoa ou situação? Acho que não. A gente avalia até para tentar entender, para saber como é que a gente se coloca diante daquele fato ou daquela pessoa. Então sabe, parei de me culpar por fazer julgamentos na minha cabeça, porque acho que é assim mesmo. O importante, penso, é eu saber que não deveria estar julgando, que muito julgamento é precipitado, e aí agir conscientemente de forma mais aberta e curiosa em relação ao algo ou alguém, até para ver se é isso mesmo ou se eu estava enganada, em vez de virar a cara por conta de qualquer impressão inicial. Aquela coisa bem Sócrates: eu sei que nada sei. Mas ainda assim, vou tirar minhas conclusões. É triste? Talvez. Mas provavelmente inevitável. Bem que Wilde também já tinha dito, "o mundo é um palco, mas seu elenco é um horror". Horríveis somos todos. E fascinantes também.

 Para o leitor está pensando: "que coisa horrorosa, ela admitindo que julga os outros", saiba que se você pensou isso já está me julgando, tsc tsc, que coisa feia. Saiba que eu estou do lado de cá pensando: que feio a pessoa que julga os que admitem que julgam os outros. E assim vai. É a vida. E é bonita, e é bonita.

Um comentário:

  1. Muito boa! Julgar é inevitável mesmo! Se fosse para não julgarmos, seria necessário tirar nosso cérebro...

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