terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um pouco de Clarice

 Agora que já passou a raiva o estranhamento do famosíssimo A paixão segundo G.H, deixo aqui algumas frases que amei e sublinhei no meu livro. As escolhi por serem exatas, por serem certeiras, por serem verdadeiras, por serem inusitadas, por serem banais, e de tão banais chegarem a ser filosóficas... Enfim, por serem muitíssimo Clarice. Sim, posso não ter gostado do livro, mas da autora, amo!

"Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra?"
"A covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la."

"Como se explica que o meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que for sendo? Como é que se explica que eu não tolere ver, só porque a vida não é o que eu pensava e sim outra - como se antes eu tivesse sabido o que era! (...) No entanto, na infância as descobertas terão sido como num laboratório onde se acha o que se achar?"

"Eu vi. Sei que vi porque não dei ao que vi o meu sentido."

"Arrumar é achar a melhor forma."

"Pela primeira vez eu me espantava de sentir que havia fundado toda uma esperança em vir a ser aquilo que eu não era."

"Eu lutava porque não queria uma alegria desconhecida."

"A lei manda que só se fique com o que é disfarçadamente vivo. E a lei manda que, quem comer do imundo, que o coma sem saber. Pois quem comer do imundo sabendo que é imundo - também saberá que o imundo não é imundo. É isso?"

"De morrer sim, eu sabia, pois morrer era o futuro e é imaginável, e de imaginar eu sempre tivera tempo. Mas o instante, o instante este - a atualidade - isso não é imaginável, entre a atualidade e eu não há intervalo: é agora em mim."

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