quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

 
 
 Saudade é aquele sentimento de preto e branco querendo voltar a ser colorido.
 
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Vira e mexe a nostalgia me visita. O caso é que eu era feliz - e sabia.
 
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 Mas sei também que uma vida gostosa independe de uma certa configuração. Afinal, já tive muitas vidas completamente diferentes, e amava todas elas. E sim, no minuto em que me dei conta disso, a resistência que eu ainda guardava com relação à esta minha nova vida deu lugar a quê? Ao velho e bom sentimento de gostosura - algo que considero fundamental.
 
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No fim das contas, tudo o que você precisa perceber é o quanto gosta da sua própria companhia. Que aliás, é a única garantida, do começo ao fim da vida.
 
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E sim, é duro mas é verdade: quem não gosta de estar consigo mesmo, em geral, tem mesmo ótimos motivos pra isso.
 
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 O que eu digo é: busque dentro e não fora. Melhore a si mesmo, em vez de esperar isso do mundo. Reflita. Busque se conhecer. E se der, case-se com o amor da sua vida, que isso também sempre ajuda. Rs.
 
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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Um pensamento por dia

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Eu faço diários desde que aprendi a escrever, com 6 anos de idade. Mas esse ano comecei a fazer um outro tipo de diário também, além do de costume. É num caderninho que comprei na Barnes & Noble que se chama a thought a day (um pensamento por dia). Dentro, ele tem espaços para que a pessoa escreva uma frase por dia, uma a cada dia, por cinco anos. O legal é que cada página é um dia do ano. Então quando estiver escrevendo pelo segundo, terceiro ano etc, vou poder olhar pra cima e ver o  que eu estava pensando naquele mesmo dia nos anos anteriores. Achei isso tão legal! Quem quiser copiar a ideia pode fazer num caderninho normal, escrevendo no topo de cada página um dia do ano, por ex, 1o de janeiro. E aí em cima de cada entrada, basta só especificar qual ano foi aquele. 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Um porto seguro

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Acho que vai ser com esse nome que vai estrear no Brasil, lá pra abril, o filme que já está passando aqui, chamado Safe Haven. Ainda não assisti, mas estou fazendo melhor: comprei o livro (do maravilhoso Nicholas Sparks) e estou a-man-do. Esse é daquele tipo de livro que você só para de ler porque tem que fazer alguma outra coisa ou porque o sono não está mais deixando, senão continuaria lendo. É uma história linda, bem contada, e com uma mensagem poderosa. Ainda não cheguei nem na metade do livro, mas como vi os traillers do filme, já posso imaginar pra onde a história vai. E se for como estou pensando, é uma história de amor lindíssima. Ai, ai. Recomendo!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

A saga dos ovos nevados

Alguém lembra daquele e-mail que eu publiquei aqui uma vez, de um amigo meu contando a saga de um celular que ele tinha comprado de mim...? Pois bem. Aqui vai outro dele. Esse, recebi hoje à  tarde e, mais uma vez, estou rindo até agora. Dessa vez ele está contando sobre a experiência dele fazendo uma sobremesa diferente para impressionar a namorada. Segue a saga:


"Neste sábado eu fui fazer a receita daquele doce de ovo que eu tinha te falado, lembra?

 Pois é. Esse tal creme inglês é muito gostoso, mas tem que cozinhar em fogo BEM baixo, porque ele talha muito fácil! (talhou 2 vezes...)

Olha, Simone, fazer esse doce foi uma lição culinária de vida para mim (ou para homens em geral) ....
 
Aí vai: 

Lição 1: "Essência de baunilha" é um potinho pequeno de rótulo amarelo, que fica do lado das gelatinas. Essa informação é muito importante para que você não precise perguntar às pessoas onde fica a essência de baunilha! Tive que procurar em dois supermercados. E aconteceu quase a mesma coisa nos dois. Você se aproxima do cara que trabalha lá e:
- Posso ajudá-lo?
--- até aí tudo normal-------
 
-Pode. Eu queria saber onde fica a essência de baunilha.
 
A partir daí o cara dá um sorriso disfarçado e pensa: esse é viado, com certeza! 
 
- Sorvete de baunilha?
 
(o filho da puta pergunta só pra te sacanear)
 
-Não. Essência de baunilha. - você é obrigado a repetir.
 
----sorrisinho de novo-------------
 
- É... Não sei.
 
Lição 2: Colher de chá é colher pequena. Xícara de chá é xícara grande.
 
 
Lição 3: Não confie naquela informação: "Rende x porções". É mentira. Normalmente é 2/3 daquilo. Para saber o número real, multiplique por 0,65. Ou seja 6 porções da receita = 4 porções na realidade.
 
 
Lição 4: Eu pensava que quanto menos ingredientes tivesse a receita, mais fácil ela seria. Engano meu. O que determina se a receita é fácil ou difícil é a "altura" do fogo. Fogo alto = fácil. Fogo baixo = difícil. Isso é importante para a próxima lição.

Lição 5: Se na receita estiver escrito "mexa em fogo baixo, sem parar, até engrossar", fudeu. Fuja dessa! É a maior mentira que existe! Acredite, não importa o que você esteja fazendo, não importe o quanto você mexa, não importa o fogo, os ingredientes, sua paciência, sua boa vontade, sua fé, sua reza... o negócio não vai engrossar."

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Eu sou ié-ié

 Definitivamente, de cool eu não tenho nada.
 

 Todas as noites na hora do jantar eu cozinho, coloco mesa, guardanapos bonitinhos, música de fundo etc. Aí hoje eu resolvi fazer diferente, ou "radicalizar" como eu diria, tentando ser "cool" (mas já me valendo do meu "vocabulário de velha coroca", segundo meu marido) Pois bem. Hoje resolvi fazer, em vez de comida, hambúrguer com batata frita. (A cultura americana está, obviamente, me corrompendo). Comida em andamento com o devido cheiro de fritura na cozinha, resolvo ser ainda mais "ié-ié" e decido que - pasmem - nem mesa ia colocar. Mas aí acho que pode ser um pouco demais, e resolvo perguntar pro marido, tomando o cuidado de manter meu climinha rebelde. Então digo:
 - Amor, você quer que eu coloque a mesa ou comemos no sofá mesmo, dada a natureza da refeição?
 
 "Dada a natureza da refeição"?! Dessa até eu tive que rir. Não tem jeito. Sou mesmo muito filha do meu pai. 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

10 ideias românticas & originais

No melhor clima de Valentine's day (o dia dos namorados daqui), deixo de presente algumas ideias interessantes para despertar, manter ou aumentar a paixão de seu objeto de desejo. Porque sem paixão, não há solução! Risos.
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1. Quando ele não estiver olhando, pegue a câmera digital ou o celular dele e tire uma foto sua segurando um papel com um "eu te amo" ou alguma coisa fofa escrita, pra ele achar de surpresa.
 
2. Se vocês moram juntos, não use sua chave para entrar em casa como você faz todos os dias. Toque a campainha. Quando ela vier atender, cumprimente-a com um longo beijo.
 
3. Crie o clima: velas em vez de luz acesa. Música em vez de televisão ligada. Uma garrafa de vinho aberta, em vez de qualquer outra coisa que você estaria comendo. Veja o que acontece.
 
4. Escreva uma carta de amor (ou um cartão) e mande a ele/ela pelo correio - mesmo que vocês morem juntos.
 
5. Seduza pelos sentidos. Mulheres: lingerie nova. Homens: perfume gostoso. Ou melhor ainda, use aquele que você usava bem no início do relacionamento - e ela adorava.
 
6. Mande a ele uma mensagem no celular dizendo: jantar hoje, nossa casa, 7pm. Convite pessoal, intransferível, irrercusável.
 
7. Façam um piquenique, nem que seja na sala de casa! Deitem para olhar as estrelas, nem que seja num planetário.
 
8. Sabe aqueles 5 quilos que você perderia se o relacionamento tivesse terminado? Ou aquela tinta no cabelo ou aquele curso novo? Faça essas coisas agora.
 
9. Conversem, simplesmente. Conte a ela uma história sua que ela nunca ouviu. Pergunte a ele algo que sempre quis saber.
 
10. Invente que haverá um daqueles eventos chatos mas que não tem como não ir no próximo fim de semana. Quando o dia chegar, conte a verdade: que em vez do evento chato, você planejou um dia todo divertido, fazendo as coisas que ele/ela mais gosta! = )

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

As 10 coisas mais gostosas do carnaval

 Eu nunca fui muito de carnaval, mas não é por isso que deixo de aproveitar essa época que, bagunças à parte, é um tempo feliz, de festa e comemoração - e isso é sempre bom. Aqui nos states não tem carnaval. Mas pra mim, que tenho Globo internacional e nunca fui de pular carnaval mesmo, a diferença é mínima! Ha ha. 

As 10 coisas mais gostosas do carnaval, na minha opinião:


1. Os dias de feriado!

2. Ver os apresentadores dos jornais dando notícias leves e sorrindo;

3. Ficar até de madrugada vendo os desfiles das escolas de samba. (entre um cochilo e outro)

4. Confete e serpentina! Tem algo de poético e nostálgico nessas duas coisas.

5. Acompanhar a apuração do desfile na 4a feira de cinzas, torcendo pela sua escola preferida.

6. O clima de festa que fica nesses dias em qualquer lugar que a gente vai, de supermercado a loja de 1,99.

7. Ver as crianças fantasiadas na rua, fofas.

8. Os programinhas que surgem nessa época, tipo churrasco ou festinha, que não teriam acontecido se todo mundo estivesse na rotina normal.

9. Os bloquinhos de rua, que parecem ser uma diversão saudável pra quem gosta.

10. Ver na tv cenas de multidões suadas atrás de trios e pensar: ainda bem que não estou lá. Ahh...!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A vida, como ela anda


 Quando você raramente se muda, qualquer outro lugar que você vá, parece totalmente diferente. Mas depois que você se muda umas várias vezes, percebe que na verdade, todo lugar é mais ou menos igual. Ou melhor, existe uma quantidade de coisas comuns a qualquer lugar - o que ajuda um tanto no processo de se sentir em casa. Ainda mais se o lugar novo for lindinho demais, com o clima frio que você adora, e mais um monte de outras coisinhas fofas e adoráveis. Ai, ai. *suspiros*

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Você faz um favor a alguém e a pessoa, para agradecer, te dá o maior presente. O que você usa para agradecer esse presente que ganhou em agradecimento? Um cartão? Uma thank you note?  Como agradecer o agradecimento da outra pessoa? Se eu mandar um cartão, será que vou estar obrigando a pessoa a me ligar pra agradecer o cartão que eu mandei agradecendo o modo como ela me agadeceu?  Essa cultura americana às vezes me confunde.

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 E ontem tive minha primeira aula de hidroginástica na academia nova, aqui de perto de casa. A turma, senhoras de sessenta pra cima e um senhorzinho simpatico que pelo jeito é o galã da turma. O  pessoal é super simpatico e animado, mas a aula, uma confusão dos infernos. Uma passou a aula toda gritando "ein??" e balançando os braços pra cima. Outra lá, velhinha de tudo, não importava o que a professora dizia, ela ficava pulando no mesmo lugar com o maior sorrisão. Outra achava que estava batendo o maior papo com a professora, quando na verdade elas estavam falando de coisas totalmente diferentes. Uma falando de um supermercado ali de perto e a outra respondendo sobre o clima. E eu, olhando tudo aquilo e adorando. Vou tentar fazer o máximo pra nunca matar essa aula, que é uma animação só.

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Saindo da academia, passei numa Walgreens, onde constatei o seguinte: estranhamente, o lugar que você tem mais opções para comprar cigarros aqui (que eu tenha percebido) é dentro da farmácia. Ironia ou senso de oportunidade?

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 E hoje estamos sendo presenteados mais uma vez com uma nevasca daquelas. Pode ser a última do inverno, então deixa eu ir lá fora aproveitar.

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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Casa Arrumada

Carlos Drummond de Andrade falou exatamente o que eu acho. Aliás, mais importante do que ser o que eu acho, é o que eu vivo.
 
"Casa arrumada é assim:

Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha? Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo? Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar."
 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A tática da bolsa

 Um dos últimos livros que tive o prazer de ler foi o maravilhoso Diálogos Impossíveis, de Luis Fernando Verissimo (Objetiva, 175pgs). Vou deixar aqui uma das crônicas de que mais ri:

 A tática da bolsa

Luis Fernando Verissimo

 A Jussara estava afim de um cara e bolou um plano para conhecê-lo. Ou para ele a conhecer. Um plano minucioso, que descreveu para as amigas como se fosse uma operação militar. Em vez de conquistar um reduto inimigo, Jussara conquistaria o cara, que se renderia ao seu ataque. Ela acreditava que, no amor, como na guerra, audácia era tudo.
 Jussara sabia que José Henrique - o nome do cara era José Henrique - tinha dinheiro e não tinha namorada firme, duas precondições para seu plano valer a pena. Era bonito, era um intelectual (andava sempre com um livro embaixo do braço) e tinha hábitos regulares. Todos os dias saía do trabalho e sentava-se numa mesa de bar, sempre a mesma mesa, para comer uma empada e tomar uma cerveja (só uma, e ele não fumava nem tinha qualquer outro vício aparente) antes de ir pegar seu carro num estacionamento próximo. Geralmente bebia sozinho e ia direto para casa, onde morava com a mãe viúva.
 O ataque, de acordo com a melhor tática militar, deveria ser de surpresa. Mas surpreendente apenas o bastante para ser inesquecível sem assustar o cara. A ideia da Jussara era que, no primeiro contato, ele já descobrisse tudo sobre ela. O que ele faria com esta informação dependeria do que viesse depois. Ou, como disse a Jussara, "dos desdobramentos". Mas no primeiro instante ele teria que saber tudo a seu respeito. Como conseguir isso?
 Com a bolsa. As amigas se entreolharam. Com a bolsa? Com a bolsa. Jussara entraria no bar remexendo na sua bolsa, fingindo procurar alguma coisa com tanta concentração que se esqueceria de olhar para a frente, esbarraria no José Henrique, derramaria todo o conteúdo da bolsa na mesa à sua frente, ou no chão ao seu lado.
 - E o conteúdo da bolsa dirá tudo que ele precisa saber a meu respeito, entendem? Serei eu dentro da bolsa. Tudo que eu sou, tudo que eu gosto. Ele vai me ajudar a colocar as coisas de volta dentro da bolsa e em poucos minutos conhecerá minha alma e minha biografia.
 Jussara já sabia o que colocaria dentro da bolsa. Um bonequinho de pelúcia que certamente enterneceria o cara, mostrando seu coração bom e algo infantil. Envelopes com sementes, mostrando sua preocupação com o meio ambiente. E um livro, para ele saber que ela também lia. Mas precisava decidir: que livro? Estava aceitando sugestões. Poesia? Matha Medeiros? Karl Marx? Pornopopeia? O Pequeno Príncipe? Qual faria maior efeito? Escolheram um Saramago, desde que não fosse muito pesado.
 
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 E o encontro se deu. Todo o conteúdo da bolsa da Jussara caiu na frente do cara, que ajudou a botá-lo de volta, como previsto. Mas ele nem notou o livro e as outras coisas. Pegou um estojo de maquiagem da Jussara e disse:
 - Eu uso o mesmo blush!
 
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 A Jussara culpa seu fracasso numa falha que costuma frustrar as operações militares: reconhecimento insuficiente do terreno.
 - Faltou pesquisa - lamenta.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Reflexões filosóficas & minha cachorrinha

 A vida antes de comprar a Becky era mais fácil - o que prova que  fácil não quer dizer necessariamente melhor.
 
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O dia que ela teve que passar inteiro no hospital veterinário, por exemplo. Foi mais fácil arrumar a casa. Foi mais fácil quando o cara do condomínio veio fazer um conserto. Foi mais fácil me concentrar para escrever. Tudo o que tive que fazer naquele dia foi mais fácil. Mas foi melhor? Não foi.
 
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E se você for parar pra pensar, a maioria das coisas mais gratificantes da vida não são fáceis. Talvez justamente por isso, sejam gratificantes. Ou será que existe sentimento de gratificação vindo de coisas fáceis? Não consegui pensar num exemplo.
 
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 Eu aprendo tanto observando a Becky. Já aprendi, por exemplo, que é uma péssima ideia enfiar a cabeça embaixo do sofa pra tentar pegar uma bolinha com a boca. Em outras esferas, aprendo sobre humildade, sobre deixar passar o erro do outro (ela sempre faz vista grossa para os meus), sobre viver o momento presente e sobre as infinitas alegrias simples da vida. A gente aprende muito só de observar um cachorrinho ser feliz.
 
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 Ou então observando-a, pobrezinha, ficar apavorada. No dia que estávamos fazendo a mudança - a casa toda desmontada, pilhas de caixas de papelão e quase nada no lugar que costumava ficar - deve ter sido uma espécie de armagedon para a Becky. De repente o mundo que ela conhecia não existia mais, e ela não tinha a minima ideia do motivo. A reação dela? Latir, um monte. E se esconder dentro da casinha. Casinha essa que, não custou muito, foi  carregada junto com as outras coisas.
 
 Fiquei pensando que essa é exatamente a reação humana diante de coisas e fenômenos que não pode controlar. E que no caso de um armagedon para nós, se seconder nas casinhas adiantaria o mesmo tanto que adiantou para a Becky. Afinal, quanto desta vida está em nosso controle? Muito pouco.
 
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No caso da Becky, o fim da história foi feliz: passada a tribulação o que ela encontrou foi um apartamento maior para ela correr de um lado pro outro cercado de gramados infinitos (ao menos, na perspectiva dela) e por conta disso, passeios bem mais demorados. Ou seja, precisava latir tanto?
 
 Mas eu a entendo. Ah, como entendo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013