sábado, 2 de fevereiro de 2013

Reflexões filosóficas & minha cachorrinha

 A vida antes de comprar a Becky era mais fácil - o que prova que  fácil não quer dizer necessariamente melhor.
 
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O dia que ela teve que passar inteiro no hospital veterinário, por exemplo. Foi mais fácil arrumar a casa. Foi mais fácil quando o cara do condomínio veio fazer um conserto. Foi mais fácil me concentrar para escrever. Tudo o que tive que fazer naquele dia foi mais fácil. Mas foi melhor? Não foi.
 
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E se você for parar pra pensar, a maioria das coisas mais gratificantes da vida não são fáceis. Talvez justamente por isso, sejam gratificantes. Ou será que existe sentimento de gratificação vindo de coisas fáceis? Não consegui pensar num exemplo.
 
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 Eu aprendo tanto observando a Becky. Já aprendi, por exemplo, que é uma péssima ideia enfiar a cabeça embaixo do sofa pra tentar pegar uma bolinha com a boca. Em outras esferas, aprendo sobre humildade, sobre deixar passar o erro do outro (ela sempre faz vista grossa para os meus), sobre viver o momento presente e sobre as infinitas alegrias simples da vida. A gente aprende muito só de observar um cachorrinho ser feliz.
 
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 Ou então observando-a, pobrezinha, ficar apavorada. No dia que estávamos fazendo a mudança - a casa toda desmontada, pilhas de caixas de papelão e quase nada no lugar que costumava ficar - deve ter sido uma espécie de armagedon para a Becky. De repente o mundo que ela conhecia não existia mais, e ela não tinha a minima ideia do motivo. A reação dela? Latir, um monte. E se esconder dentro da casinha. Casinha essa que, não custou muito, foi  carregada junto com as outras coisas.
 
 Fiquei pensando que essa é exatamente a reação humana diante de coisas e fenômenos que não pode controlar. E que no caso de um armagedon para nós, se seconder nas casinhas adiantaria o mesmo tanto que adiantou para a Becky. Afinal, quanto desta vida está em nosso controle? Muito pouco.
 
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No caso da Becky, o fim da história foi feliz: passada a tribulação o que ela encontrou foi um apartamento maior para ela correr de um lado pro outro cercado de gramados infinitos (ao menos, na perspectiva dela) e por conta disso, passeios bem mais demorados. Ou seja, precisava latir tanto?
 
 Mas eu a entendo. Ah, como entendo.

2 comentários:

  1. Eu entendo que a nossa passagem por esta vida nada mais é do que aprender, com tudo e com todos,melhorar como ser humano e crescer. Antes de qualquer progresso entendo que o maior deles é respeitar cada criatura com as suas limitações. Cada um é o que é e merece ser amado desta forma.Lendo seu texto só posso te dar um beijão pela criatura que existe em você!

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