quarta-feira, 3 de abril de 2013

 Uma coisa que me aflige um pouco quando penso em um dia ser mãe é o fato de que vou ter que guiar e ensinar alguém. Um pouco do mesmo sentimento vinha quando meus aluninhos perguntavam coisas como: "Tia, é pra pular uma linha?". Sei lá, menino. Pule quantas quiser, se quiser, o caderno é seu, não é? Então por que é que você quer que eu decida?
 Claro que eu não respondia isso. Mas no fundo era o que dava vontade. Não por preguiça ou má vontade, mas por achar que eles não tinham nada que seguir o que eu estava dizendo. Afinal, quem era eu pra eles? Uma quase estranha que colocaram lá na frente com o giz na mão. Por que então eu saberia dizer o que ficaria melhor em cada caderno? Tá, eu sei que era meu papel, blábláblá, mas isso nunca me fez estranhar menos esse tipo de pergunta. E o "tia, posso ir ao banheiro?" então! Putz.
 Talvez seja por isso que sempre preferi dar aulas para adultos: porque não gosto tanto de guiar. Aliás, não gosto de guiar e nem de ser guiada. Acho que cada um deve se conhecer e descobrir o que é melhor pra si, enquanto vai se relacionamento com os demais. É o tal do "cada um na sua mas com alguma coisa em comum" com um pouco de "não me siga - também estou perdido". Ha ha.
 Por isso gosto tanto daquele pensamento do escritor e filósofo Albert Camus, que diz:
 "Não caminhe na minha frente, porque talvez eu não possa (ou queira!, eu diria) segui-lo. Não caminhe atrás de mim, porque talvez eu não possa guiá-lo. Caminhe ao meu lado e seremos amigos."
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