quinta-feira, 20 de junho de 2013

Era um biquini de bolinha amarelinho

 Desde que começou a fazer calor, tenho sido frequentadora assídua da piscina aqui do condomínio. Até então estava alternando entre dois biquinis muito lindinhos comprados aqui (thanks, Target!). Mas hoje resolvi pegar no fundo do armário um biquini velhinho (o que eu tinha de mais comportado no Brasil, e que aqui entra na categoria dos "pequenos ainda aceitáveis") e que escolha deliciosa foi essa. Ir à piscina usando um biquini brasileiro fez toda a diferença.
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 De repente percebi que os biquinis americanos (como várias outras coisas aqui) são pensados e arquitetados com objetivos claros visando alcançar metas pré-definidas. E sim, também muito americanamente, eles de fato entregam o que prometem: barriga zero, peito maior, bumbum no lugar. Se mesmo com toda essa ajuda, a mulher ainda não se sentir totalmente segura para desfilar seu duas-peças, pode sempre recorrer aos bronzeadores artificiais, maquiagens de pele, cremes tipo "airbrush" ou sprays que deixam a pele com aquele brilho típico das modelos da Victoria Secret. Espelho, espelho meu: existe um corpo mais pensado que o meu? 
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 Já o biquini brasileiro segue o molde de como as coisas geralmente são feitas no Brasil: no lugar de planejamento, espontaneidade. No lugar de pretensões, brincadeiras. E assim, aquelas duas peças acabam apenas almejando serem apenas o que são - uma roupa de banho - e se tiverem que cumprir outra função, que seja a de divertir, encantar, seduzir ou instigar. Não sei se é o corte mais arredondado, as tiras mais finas ou mesmo o tecido mais maleável mas o biquini brasileiro tem bossa. E em sua silenciosa despretenção, diz muito. Diz que sim, meu corpo não é igual o das modelos das revistas, mas isso não quer dizer que ele não seja um corpo perfeito. Porque o que é perfeição anyway? É ser magérrima, lisa, reta, varapau? É ser malhadíssima, esculpidíssima, marombeira? Quão distorcidos andam os conceitos?
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 O que o biquini brasileiro diz é que perfeição é entender o corpo como seu maior e melhor instrumento, porque é nele que você experimenta a vida. É gostar de quem você é - ou melhor, "é", eu nem diria, poque somos muito mais que nossos corpos, mas então gostar de onde você "está", curtir o corpo que está ocupando. É cuidar do corpo porque ele é nosso templo e nosso possibilitador de vida, mas um cuidar com carinho de quem ama, e não com obsessão de quem ficou tão cego em suas metas que já não se importa de maltratar.
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O biquini brasileiro me abraça e me valoriza, e porque não quer que eu caiba numa forma pré-determinada, não está tentando fazer com que eu pareça ser mais x ou menos y. E assim acaba me realçando ao mesmo tempo que me relaxa, me embelezando ao mesmo tempo que me perdoa. Sem seus enchimentos, e push-ups e armações e cintas embutidas, o biquini brasileiro termina por mostrar aquilo que eu tenho de melhor -  que é o que realmente sou: um conjunto único, de verdade, com suas curvas, sua saúde, sua alegria e sua beleza.
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 Pode ser que a diferença na verdade tenha sido porque meu biquini brasileiro é velhinho e os americanos, recém comprados, ainda estão resistentes, apegados mais aos moldes do manequim que do meu corpo. Pode ser que eu devesse comprar biquini em outro lugar. De qualquer forma, valeu a reflexão.

2 comentários:

  1. Já sei! Vou levar na mala um biquine prá Si!Não posso saber de nada que as pessoas que eu amo gostam que eu vou logo comprar.KKK Não tenho mais jeito não e não quero mudar.

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