quinta-feira, 13 de junho de 2013

Faça sua dor dançar

  Fazer a dor dançar. O que seria isso? Já tentei explicar pra um amigo meu mas não sei se consegui. Vou tentar explicar aqui.
 
 Mas antes de dizer o que é isso, vou dizer o resultado disso, que é a melhor parte: faça sua dor dançar e vai encontrar felicidade mesmo quando tudo não estiver perfeito - ou seja, sempre.
 
Então, vamos lá. Fazer a dor dançar, 101:
Aproveite tudo de ótimo que você tem na vida, sempre. E quanto àquelas coisas que não vão tão bem, aprenda a vê-las com um pouco de poesia, um pouco de reticência, um pouco de expectativa (se ainda não teve final feliz é porque ainda não terminou), um pouco de esperança, e até um pouco de suspiros bons. Consiga lembrar e achar graça, encare e aceite como parte da vida, e dependendo vai dar até pra achar interessante. Mas isso tudo, por favor, sem resignação - que resignação pra mim, é pior que a morte.
 
 Fazer a dor dançar não significa gostar da dor, que isso deve ser até algum tipo de transtorno. Fazer a dor dançar é sim, continuar lutando pra transformar o que está doendo em algo que seja bom, mas enquanto isso, conseguir ver o lado interessante da dor, o lado poético da dor, o lado bonito e por que não dizer, o lado bom da dor - nem que seja que ela existe para te permitir apreciar tão mais(!) quando não estiver mais doendo.
 
----------------------------------------------------------------------
 
 Tem um exemplo muito bom disso no meu beloved "Pride and Prejudice" ("Orgulho e Preconceito"), de Jane Austen. No capítulo 24 (ou o 1o capítulo da 2a parte), quando Jane está sofrendo por amor, o pai das meninas diz a Lizzy:
 
"So Lizzy", said he one day, "your sister is crossed in love, I find. I congratulate her. Next to being married, a girl likes to be crossed in love a little now and then. It is something to think of, and gives her a sort of distinction among her companions."
 
 Tadução livre minha: "Então Lizzy", disse ele um dia, "sua irmã está sofrendo por amor, acredito. Eu a parabenizo. Logo depois de "ser casada", garotas gostam de sofrer um pouco por amor de vez em quando. Dá a elas algo em que pensar, e um certo destaque entre as amigas."
 
 Ha ha. Ah, Jane Austen entendia de fazer a dor dançar.
 
-----------------------------------------------------------------------
 
A propósito, essa frase exata, como usei no título do post, retirei da 1a música do cd novo da Marisa Monte, que colocou em palavras exatas algo que eu já pensava e fazia há muito tempo.

3 comentários:

  1. Concordo plenamente com a parte da resignação ser pior do que a morte.

    Um abraço,
    Hellen.

    ResponderExcluir
  2. Não é mesmo?? Abração, amiga! = )

    ResponderExcluir
  3. Que amigo burro, heim?!

    Gustavo. Rs....

    ResponderExcluir

Deixe sua opinião ou simplesmente um "alô"!