quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Eu descobri o sentido da vida.

 O que existia antes de qualquer coisa existir? Existe mesmo o nada? Tem alguma coisa do lado de fora do universo? O que acontece, exatamente, após a morte?
 
Você já se fez alguma dessas perguntas? Eu adoro pensar nessas coisas. E sim, como já era de se esperar, para a maioria delas eu continuo sem resposta. Mas para: "Qual o sentido da vida?", believe it or not, outro dia encontrei a resposta. 
 
 Ou melhor, deixa eu reformular: encontrei uma resposta. A minha resposta. Algo que fez sentido pra mim. Mas foi algo que fez tanto, mas tanto sentido, que para mim o mistério foi solucionado.
 
 E sim, estou falando do sentido desta vida, não do sentido da existência, que aí já acho um pouco muito para um ser humano entender. Mas eu me perguntava muito qual seria o sentido de estar aqui, se é que haveria algum.
 
Porque a vida é uma coisa engraçada. A gente não vê quando ela começa. Um dia, a gente simplesmente se sabe vivo. Vivo e cheio de características, desejos, impulsos, gostos, sentimentos, pensamentos, dúvidas... E no meio dessa bagunça que é o mundo, habitado por muitos outros seres totalmente diferentes da gente mas exatamente iguais quando se trata da natureza - a natureza humana.
 
 A gente vai vivendo. Aprende uma coisa, outra, assimila valores, aprende um certo/errado e vai caminhando. Alguns param para se perguntar qual seria o sentido disso tudo, e geralmente são os que conseguem relativizar certas questões "menores" como uma briga de vizinhos por conta de uma vaga de garagem, uma raiva que se passa no trânsito ou o desejo de se comprar alguma coisa. É a turma do: a vida é muito mais que isso, estamos aqui para ser zens, vamos nos perdoar e é preciso ama-aar as pessoas como se não houvesse amanhã... Já outros, se perdem nas questões mundanas e parece que não se lembram de que no mundo tudo também não passa de uma metáfora. É como se levassem a vida ao pé da letra. São acusados de serem materialistas, apegados, ambiciosos, mundanos, e por vezes, "rasos". [E o que seria uma pessoa "rasa" senão meramente alguém menos profundo do que aquele que o está julgando? E o que seria profundo, anyway? A profundidade não passaria pela capacidade de aceitar os outros e suas diferenças? Portanto qual dos dois estaria sendo mais "raso"?]
 
 Nunca fiz parte de nenhum dos dois times, porque sempre tive os dois lados. Queria a transcendência mas também a bolsa da Louis Vuitton. Medito e faço yoga de manhã e à tarde vou ao shopping. Na minha mesa de cabeceira o livro do Dalai Lama, a Bíblia e a Vogue convivem lado a lado. Por isso eu sempre ficava desconfortável com as explicações que ouvia ou conseguia formular para o sentido da vida.
 
A vida é desprovida de qualquer sentido. O sentido dela é a gente que dá. A vida não passa daquilo que a gente resolve achar que ela é. Não há sentido, a gente é que precisa de um e fica tentando encontrar. Really? Nah. Niilista demais. Gosto de Sartre mas não a ponto de concordar com ele. "Se Deus está morto então tudo é permitido"? Eu não caio nessa. Pra mim, Deus está vivinho da silva.
 
Então a vida é para expiação, sofrimento e preparação para uma outra vida? Não, acho que o nome disso é purgatório. A vida então é a nossa chance de "acordar", de se chegar no Nirvana, então vamos deixar nossas famílias e ir para o meio do mato meditar até encontrar a explicação plena? Socorro, no mato deve ser cheio de bicho. A vida é para ser negada, devemos fugir de todos os pecados, das "coisas do mundo", do materialismo, do consumismo...? Eu ein, me parece certinho demais. Prefiro o equilíbrio, até na hora de ser saudável. Precisamos domar nossos impulsos, negar os desejos, fugir das tentações? Mas não querer nada... não é um dos sintomas de depressão?
 
 O texto está te deixando confuso? Imagine como era dentro da minha cabeça.
 
 Pois bem. Eu nunca me conformei que estava neste mundo simplesmente para perseguir as coisas mundanas, e que o objetivo de tudo seria conseguir comprar coisas, ter um bom emprego, uma família ou qualquer outra coisa que eu considerasse boa e fim. Morreu, acabou. Mas também nunca me conformei que fui posta nesta vida, cheia de minhas característcas humanas para ter que negá-las, ou me livrar delas. Se o objetivo fosse ficar zen sem desejo nenhum, porque me teriam feito como um ser desejante?  Se o objetivo todo fosse o outro mundo, por que me colocaram nesse? Também não fazia sentido.
 
 O objetivo da vida é viver a própria vida e pronto? Ou o objetivo da vida seria viver para um depois dela?
 
 Então eu descobri que são as duas coisas. E que as duas se complementam de maneira perfeita.
 
Cheguei à seguinte conclusão: o objetivo da vida é mesmo para que o espírito evolua. Só que o único jeito do espírito evoluir (pelo menos enquanto encarnado) é a gente mergulhar de cabeça na vida mundana. A gente tem sim que se envolver nas pequenas questões a ponto de querer brigar por uma vaga de garagem. Porque só assim vamos aprender a tolerância e o perdão. A gente tem que se envolver mesmo na vida a ponto de querer comprar não-sei-o-quê ou querer ficar bonita ou ter a bolsa da moda. Porque aí as coisas vão se desenrolando e a gente vai aprendendo sobre humildade, e desapego, e onde está nosso real valor, etc etc. Ou seja, o único jeito da gente cumprir plenamente o que veio fazer aqui - que é, de fato, evoluir como espírito - é se envolvendo completamente com a vida e suas questões mundanas. Não é à toa que a gente já nasce cheio de desejos e impulsos. É porque a gente veio aqui para isso mesmo: temos que jogar o jogo.
 
No final do filme Gravidade a personagem da Sandra Bullock se encontra numa situação da qual não saberá se vai sair viva então fala algo como: "Eu não sei o que vai acontecer. Ou essa nave vai se partir e eu vou morrer queimada e despedaçada ou eu vou sobreviver e continuar vivendo, mas aconteça o que acontecer, vai ter sido maravilhoso." Joseph Campbell diz sobre alguém que chega no fim da vida: "Não importa o assento que você esteve ocupando no teatro, terá sido um grande show." Acho que é exatamente por aí.
 
Não importa tanto o que acontece com a gente, mas sim as lições que a gente tira das coisas. A vida é isso: uma oportunidade para o espírito evoluir. E olha o quanto a gente pode se divertir fazendo isso?! Não é mesmo maravilhoso?

11 comentários:

  1. Adorei seu texto e a reflexão que você fez, minha escritora preferida! E como eu sempre tenho algo a acrescentar, acrescento: A vida é boa demais prá ser compreendida, ela é prá ser vivida.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Falou e disse a mamãe!! = ) Beijo grande!!!

      Excluir
  2. Muito bom o texto Simone. Fico encantada com a maneira leve como você escreve. Leveza nas palavras e na vida. Como você bem disse: "uma oportunidade para o espírito evoluir".

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Dra Eulimar, que honra "vê-la" por aqui! = ) Obrigada pelo comentário!! Beijos

      Excluir
  3. Amei o texto! ¨Tiro lições da suas palavras: " Não importa tanto o que acontece com a gente, mas sim as lições que a gente tira das coisas... temos que evolui". Beijo grande.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Regina! Fico muito feliz de saber que gostou do meu texto. Beijos!

      Excluir
  4. Agradeço muito a todos que se manifestaram por conta desse texto, seja aqui nos comentários, seja no facebook ou mesmo por e-mail. Eu já amo escrever. Mas escrever e ver que algumas pessoas foram tocadas por algo que eu disse... Aí é maravilhoso!! = )

    ResponderExcluir
  5. Fantástico!! Perfeito! Simplesmente, amei! Beijão.

    ResponderExcluir
  6. Enquanto rega-se o alface, faz-se os poemas.

    :-)

    ResponderExcluir

Deixe sua opinião ou simplesmente um "alô"!