terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Pra mim, a vida é longa.

 Sempre ouço as pessoas dizerem que elas tem a impressão de que o tempo voa e que a vida passa num piscar de olhos. Até entendo o que querem dizer com isso mas acho curioso -  porque eu tenho a impressão oposta. Sempre vivi com a impressão de que a vida é longa, beeeeeeem longa.
 
Essa impressão não vem de acreditar que eu ainda vá viver muitos e muitos anos (que acredito), mas sim de olhar pra trás e pensar em tanta coisa que já aconteceu até hoje... Tantos anos, tantas semanas, tantas situações, mil e uma coisas, e quando eu penso, são apenas 31 anos. Sei lá. Às vezes acho que baseado nas minhas histórias e em tudo que já vivi, eu já devia ter uns 50 anos.
 
 Já parei pra pensar no porquê dessa impressão oposta a da maioria das pessoas, e chego a algumas hipóteses.
 
 Pode ser por algo tão básico e objetivo com o fato de que aproveito meu tempo muitíssimo bem. Logo, os dias pra mim costumam ser mesmo mais longos que para a maioria das pessoas.
 
Pode ser também pelas minhas mil histórias, coisas que fiz, e passei, e vi, e aprontei (risos) e vivenciei. Morei em países diferentes, viajei para lugares exóticos, trabalhei em ambientes diversos, fiz amigos de várias nacionalidades etc etc. Sendo assim, quando olho para trás, minha vida é quase como aqueles dias de passeios intensivos que se faz nessas viagens curtas: são poucos dias mas a impressão é de que foram bem mais.
 
 Pode ser ainda porque minha memória é muito boa, então posso ter uma noção diferente do passado do que quem se lembra de menos coisas. Quando começo a lembrar do que passou, é quase como se estivesse vendo um filme: lembro de cores, cheiros, falas, detalhes. E ter essa noção mais completa me dá a impressão mais acertada dos fatos, bem menos resumida do que a maioria das pessoas deve ter.
 
No fundo, acho que realmente é uma combinação dessas três coisas, mas tem ainda uma quarta que eu acho que é a que pesa mais: o fato de eu estar de fato presente na maioria dos meus momentos. Acho que é muito comum as pessoas fazerem as coisas sem nem prestarem atenção no que estão fazendo. Estão almoçando pensando no que vão fazer depois. Conversam com alguém mas ao mesmo tempo estão com a cabeça em outra coisa. Estão num lugar mas a cabeça está em outro. E isso deve fazer a vida passar voando. Ou melhor, isso faz a vida simplesmente não passar. Porque se você está num lugar mas a cabeça está em outro, a verdade é que naquele momento você não está, de fato, em lugar nenhum. E se você passou os últimos 30 ou 40 anos em lugar nenhum, não teria mesmo como achar que passou devagar. Na verdade, deve mesmo ter passado num piscar de olhos.
 
 Ligado ao fato de se estar no lugar onde se está, vem a questão de se aproveitar realmente cada coisa. Eu acho uma graça incrível nas coisas tidas como comuns, banais ou normais. Por exemplo, eu adoro sons de máquinas de lavar funcionando, ou de carros passando lá fora, ou de pessoas conversando ali embaixo, porque me trazem aquela paz que diz que tudo está em ordem no mundo. As bolhas que se formam quando se está lavando a louça, o cheiro de um shampoo ou condicionador, o momento que diminuem as luzes no cinema antes do filmes começar... Desses, tenho outros mil exemplos de coisas que acontecem todos os dias e a todo tempo, que são tão tão gostosas, e que pra tanta gente passa batido.
 
 O interessante é que quando você começa a prestar atenção nesse tipo de coisa corriqueira, a vida ganha tanta graça e fica tão interessante, que você passa a quase não precisar dos "grandes acontecimentos" - apesar de gostar quando eles acontecem. Mas você percebe que uma manhã de quarta-feira é tão gostosa quanto uma véspera de ano-novo. (Bem mais gostosa, eu diria.)
 
 Se a gente for parar pra pensar, a vida é formada mesmo por essas coisas corriqueiras somadas às que você decide fazer por iniciativa própria, adornadas pelas situações que você cria para si mesmo e intensificadas pelas emoções que você se permite experimentar.
 
Acho que para se perceber o quanto a vida é longa (e incrível), basta abrir o coração e cuidar de viver o aqui e agora, aceitando e abraçando o que quer que se apresente. Que tal encarar o mundo hoje atentamente e de peito aberto? 
 
And breath in, and breath out. :)

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