quarta-feira, 21 de maio de 2014

Foi preciso a estrada, a distância, o fuso horário, o passaporte, o visto, a língua estranha. Foi preciso perder o rumo, não entender o mapa, brigar com o gps, pedir informação, tentar falar alemão em terra onde só se entendia francês. Foi preciso a curiosidade, a vontade, a sede, a coragem, a resistência, e a saudade. Foi preciso fazer malas para perceber que viajar mais leve é viajar melhor, e que só se deve levar o que se consegue carregar, e que na maior parte do tempo precisamos de muito menos do que imaginamos para continuar. Foi preciso ir para longe, bem longe, e voltar. E ir de novo, e retornar. E mais uma vez então, pela primeira vez com a segurança de estar acompanhada mas o frio na barriga da falta de data para voltar. Foi preciso morrer de rir, rir pra não chorar, chorar, chorar um monte, e chorando ou rindo continuar seguindo. Foi preciso pegar trens, aviões, barcos e até caiaque, andar por lugares que nunca imaginaria que existissem quanto mais que um dia eu estaria neles, e ver coisas tão diferentes de qualquer coisa com a qual eu pudesse comparar que o cérebro não teve outra escolha senão as ver, simplesmente. Foi preciso isso e outras coisas que a estrada nos dá para perceber que por mais que por mais que alguém se negue a se mexer que o mundo continua girando, mas que a vida se torna mais vida quando decidimos participar do movimento. Que a melhor zona de conforto é a que encontramos dentro de nós mesmos quando o espírito está centrado, que as terras pelas quais passamos jamais deixarão de existir dentro de nós, que existe tanto, tanto neste mundo a se ver e fazer, que as possibilidades são ilimitadas, e que a vida de peito aberto é a melhor que se pode viver. Conforto é bom e eu sempre gostei, mas finalmente percebi que ele fica melhor ainda entre uma aventura e outra. O calor, a chuva, o frio, o vento no rosto, as pernas cansadas, a saudade, e as memórias. Experimentar o que há para se experimentar, escolhendo bem e caminhando sempre. Se o que a gente veio fazer aqui é viver, então façamos isso direito.
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"Vai, vai, seja livre para ir. Esqueça os limites subjetivos da vida. Esqueça que o tempo é divido em horas. O sol é seu relógio. O mundo, sua casa."
 
 

4 comentários:

  1. Sempre lendo por aqui e aprendendo! Belo texto Si… Bjo, saudades.
    Vanessa

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    1. Oi, Vanessa! Que bom saber que você continua me visitando por aqui! = ) Beijo grande!!

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