domingo, 29 de junho de 2014

Das fases

 Gosto de observar o comportamento humano, e o Facebook tem ajudado, risos. Pelo que eu reparo dos outros e de mim mesma, vejo que a pessoa passa por alguns estágios de  desenvolvimento emocional/ psciológico/ espiritual  na vida.
Primeiro ela tem que descobrir que ela é (fulana descobriu o pezinho... aprendeu a andar...), depois quem ela é (e aí as rebeldias da adolescência... mudou de curso de novo na faculdade...). Se tudo estiver dando certo, ela se apaixona por si mesma (e tome de selfies com frases batidas de efeito) e depois se apaixona pelo outro (e tome de declarações de amor, mudanças de status  de relacionamento, fotos do casamento). Aí ela se apaixona por um projeto que escolhe abraçar ("minha família linda", "minha casa bem decorada", "emprego novo!", etc). E então o tempo passa, e todas essas coisas vão passando... A pessoa começa a envelhecer, a beleza vai afrouxando, os familiares mais velhos começam a morrer e os mais novos começam a construir suas próprias famílias... O projeto que era tão importante já não é mais o centro da vida (a pessoa se aposenta, se dá por satisfeita com as coisas que conseguiu etc) então vem a fase mais sábia da vida: aquela na qual, com sorte, se chega com o coração pleno e o espírito em paz. Se a pessoa enquanto vivia cada uma dessas fases procurou também crescer em espírito, ela percebe que o apego a qualquer uma das coisas que deu tanta importância anteriormente é bobagem. Que inclusive o apego a si mesma e ao seu corpo é bobagem, porque isso também vai passar. Que a única coisa que importa é quem ela foi e se tornou por dentro, que valores ela cultivou, que ações somou, e que todas as outras coisas foram dádivas que passaram por sua vida para ajudá-la a se tornar uma pessoa melhor. Que não importa que posição ela tinha no trabalho, se ela era a mais bonita ou a mais feia, se ela teve muitas posses ou não... Porque a verdade é que tudo isso eram apenas elementos de um jogo muito maior - o jogo do desenvolvimento espiritual. Não importa as cartas que você teve na mão, mas sim como as jogou. Importa é se, sendo pobre ou rico, bonito ou feio, famoso ou anônimo, se você foi decente, justo, honesto, bom caráter...
Quem não percebe isso e passa pela vida dando importância máxima a cada coisa na qual está se apegando alguma hora deve ficar meio perdido ou vazio ou doido, e quando começar a envelhecer pode se ver preso a alguma das fases, tentando desesperadamente se agarrar à beleza da juventude (e tome de plásticas, botox, não sei mais o que)... Ou então talvez procure um novo projeto pra se dedicar (o que pode ser interessante, já que agora a pessoa pode contar com a sabedoria adquirida com os anos, e não deve mais sofrer as pressões de "ter que dar conta" da vida), ou continua se dedicando ao que veio fazendo a vida toda, ou se apega à família, mas agora com outros papéis...
 Seja qual for o caso, acho que o fundamental mesmo é a pessoa passar pelas suas fases com a consciência de que ela é muito mais do que aquilo no qual está se apegando. Que ela é apenas o veículo para uma consciência maior. Que todas as coisas passam e vão sempre passar, e que talvez a única que fique é quem ela está se tornando em essência.

2 comentários:

  1. Um belo texto e de muita sabedoria de vida! Legal que tenha sido escrito por você ,, minha querida e escritora preferida. Gostei porque ele reflete bastante o que penso e tenho tentado viver. Não é fácil mas é possível. Parabéns!!!

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