sábado, 19 de julho de 2014

O dia que eu achei que não estava grávida


Dizem que grávida fica meio... descompensada. Pra dizer o mínimo, talvez. Eu juro que não estou tããão doida assim. Mas tenho meus momentos. Por exemplo, esse episódio do início da gravidez, do dia que de repente me passou pela cabeça: peraí, e se eu não estiver mesmo grávida?? E aí...
 
Eu estava passando aspirador na casa, televisão ligada, vassoura, balde, rodo, tudo espalhado, Becky passando de um lado pro outro etc etc, quando de repente, não mais que de repente, me passa pela cabeça:
"Peraí. Estou achando que estou grávida mas só fiz dois exames de farmácia. Não fiz o de sangue! E se eu não estiver grávida???"
 
Pronto. Bate o desespero.
 
Largo o aspirador no meio da casa e corro pro computador. No google: "teste de gravidez falso positivo", e pronto. Em meio segundo, minha tela está infestada de histórias e mais histórias de falsos positivos.
 
O quê??? Então isso é possível??? Minha vida toda diziam que se desse negativo poderia ser positivo ainda, mas que positivo era positivo mesmo... E agora essas histórias...
 
Penso nos meus sintomas. Tontura... Podia ser por conta de fome ou outra coisa. Seio dolorido: tpm. Sono: apenas cansaço. Enjôo: ainda não tinha tido. Ah meu santo, ah meu santo, ah meu santo. Não podia ser. Ou melhor, não podia não ser!
 
Meu coração dispara. Será possível que talvez eu não esteja grávida???
 
Levanto, pego a chave do carro e minha bolsa e do jeito que estou (sim, roupa de fazer faxina, cabelo preso pra cima, tv ligada etc) saio correndo - literalmente - pegar o carro pra ir até o laboratório mais próximo. 
 
"Moça, quanto é o exame pra saber se estou grávida??"
"Esse exame, só com pedido médico."
 
O quê?? Como assim, vão negar ao cidadão, ou melhor, à cidadã o direito de saber se está grávida ou não?? E depois dizem que isso aqui é America, land of freedom. Que absurdo. Mas diante daquilo, o que fazer?
 
 Correr pro consultório da ginecologista, é claro.
 
 Entro esbaforida na sala de espera e talvez pelo meu estado, suada, ofegante, trocando as palavras, consigo o pedido sem problemas.
 
 Volto ao laboratório. Tiro o sangue.
 
"Fica pronto que horas?"
"Só amanhã."
 
 O que?? Só a-ma-nhã??? Eu não vou conseguir aguentar!!! Eu tenho que saber hoje. Eu tenho que saber agora!!! Vocês não estão entendendo!!!
 
 A mulher do laboratório, percebendo meu desespero, tenta me acalmar:
 
"Calma... Talvez você não esteja grávida..."
E eu: "Não!!! Eu quero estar!!!"
Então ela me olha com uma cara de "eu nunca vi uma pessoa tão preocupada porque talvez pode não estar grávida" e me propõe: "amanhã eu chego aqui às 7am. Toma meu cartão. Pode ligar a partir desse horário que te dou o resultado."
 
Agradeço, mas não me dou por vencida. Vou até a farmácia. Testes de gravidez, onde estão vocês? Pronto. Vou levar esse aqui, um dos mais caros, que é de uma marca diferente da que eu tinha feito. Três testes de duas marcas diferentes não podem dar errado, certo?
 
Volto pra casa, e direto pro banheiro. Instruções do teste: "usar a primeira urina da manhã".
 
Ah não!!!! Estão de brincadeira!!! Não pode ser...
 
Então me dou momentaneamente por vencida. Só me resta ligar para o marido e amigos e passar a atazaná-los.
 
Pro Marcelo:
"E se eu não estiver grávida??"
"Ué, amor! Você fez os testes, não fez? Então provavelmente está. Já fez o de sangue. Agora relaxa. Se não estiver, a gente continua tentando." Não me satisfez.
 
Pro Tardelli:
"E se eu não estiver grávida??"
"Simone, olha o tanto de problemas reais que existem no mundo... A crise econômica, o Oriente Médio... Olhando assim, isso aí não é um problema. Problema seria se você não quisesse estar mas estivesse suspeitando que estivesse. Se não estiver, você continua com o árduo trabalho de tentar, ha ha ha."
Okay, mas também não me satisfez.
 
Pra Lorena:
"E se eu não estiver grávida??"
"Olha como você está se comportanto!! Tá completamente doida! É óbvio que você está grávida!"
Hum. Espero que ela esteja certa. Mas eu precisava de uma confirmação oficial.

Então as horas passam, eu termino a faxina, e não consigo pensar em mais nada. A noite vem, o marido chega, tenta me acalmar sem sucesso, vamos dormir.

E é óbvio - eu não durmo. Fico acordada, olhando o relógio pensando: a partir de que horas será já dá pra considerar "a primeira urina da manhã"?? 3am? 4am? E tome de beber água.

A agonia só aumenta - e agora ainda estou apertada pra ir ao banheiro. Resolvo então pegar a Bíblia. Só Jesus nessa causa mesmo. Abro em qualquer lugar, randômico, e o texto onde meu dedo para é no mínimo intrigante:

Zacarias 8:19 "Eis o que diz o senhor dos exércitos: o jejum do sexto mês como também os do quinto e do nono serão doravante para Judá dias de regozijo e de alegria, dias de festa."

Okay, tá falando em sexto mês, nono mês... Só pode querer dizer que estou grávida, certo? Em Deus dá pra confiar, né? Ou será que estou viajando na interpretação??

5am. Começa a clarear. Okay. Vou fazer o teste caro que comprei.

3 minutos, andando de lá pra cá no banheiro, coração mais que disparado.

"Positivo."

Positivo. Positivo!!!

Às 7am tenho a nova confirmação do laboratório: honey, congratulations. You're definetly pregnant!

E então, nova comemoração, quase tão eufórica quanto a do dia que havia feito os dois primeiros testes.

2 comentários:

  1. Risos... Até nessas horas, vc eh mirabolante, Simone. Definitivamente vc é mesmo uma criatura ímpar!

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