quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Blá blá blá

Uma das coisas que eu mais gosto de fazer na vida é conversar. Adoro. Não me canso nunca.
 
 Quer dizer...
 
 Não me canso nunca das boas conversas. Porque há conversas e conversas. E se por um lado tem essas que não me canso nunca, tem outras que já fico cansada antes mesmo delas terem começado.
 
 Aquele tipo de conversa social na qual coisas tem que ser ditas apenas para preencher o espaço vazio que fica entre duas pessoas que não são nem próximas o suficiente para conversarem sobre coisas "de verdade" mas nem desconhecidas o bastante para poderem ficar em silêncio - não sou lá muito fã. Mas até faço porque, bom vivo em sociedade, ha ha, e também porque muitas vezes é nesse tipo de papo que a gente descobre pessoas bacanas com quem depois será possível ter o melhor tipo de conversa.
 
Aquele tipo no qual o outro é um chato de galocha. Deus que me perdoe, mas Deus que me livre! Sabe aquelas pessoas que tem a manha de não conseguir falar uma só coisa que seja remotamente interessante? Ou os que só reclamam? Ou só conseguem falar mal dos outros ou da vida? Ou os com síndrome de precisão, que ficam buscando as palavras exatas e acabam soando como um noticiário que tenta inutilmente ser imparcial? Ou os que esquecem que você pode ter outras coisas pra fazer e emendam uma história mais chata na outra... Os que não tem entonação e ficam falando naquele-mesmo-ritmo-sem-emoção-nenhuma? Os com talento para o insosso? Ui.  Dá sono só de pensar.
 
 Aquele tipo unilateral, que um lado só fala, fala, fala... Ou melhor, um lado só suga, suga, suga... Sabe aquele, "mas chega de falar de mim, vamos falar de você. O que você acha de mim?" Deus que me livre. É o tipo de conversa que me esgota. Dá vontade de dizer para o sem-noção: escuta, você percebeu que não está pensando alto, mas sim falando com uma outra pessoa? Pessoa esta que, assim como você, também tem seus próprios interesses? Argh. Ou então: se é para alugar meu ouvido, pelo menos vamos estabelecer um bom preço antes.
 
O melhor tipo: aah, são tantos! Amo conversas em tom confessional, secretas, malucas, viajantes... Conversas abertas, sinceras, honestas, corajosas. Conversas em que se começam um milhão de assuntos e não se termina nenhum porque são tantas coisas a se discutir e tantas opiniões que um quer dar ao outro que quando você vê, começou falando de política, terminou em meditação e no meio de tudo ainda trocou uma receita de bolo. Conversas e que se contam as novidades e se atualiza a vida, não só por meio das notícias mas principalmente por meio dos sentimentos e pensamentos e impressões que vem relacionados a cada uma delas. Conversas em que você realmente vê quem é o outro e mostra quem você é, conversas em que se pode abrir o coração, e pedir a opinião um do outro, e dizer as maiores barbaridades sem medo de se expôr, e dizer honestamente o que se pensa do que o outro disse... Conversas nas quais um quer realmente escutar o que o outro acha da sua loucura. Conversas nas quais se fica sabendo de coisas interessantes, e úteis, e malucas, e inteligentes, e que de repente uma frase dita bate fundo e de lá surge um insight... Conversas em que quase se chora de tanta comoção num momento e em outro se morre de rir... Conversas nas quais os dois estão engajados, os dois estão se divertindo, e nenhum dos dois está a fim de dizer tchau. Esse é o tipo de conversa que gosto e o único que realmente me interessa. Aquele que não é um monólogo, nem uma obrigação e nem uma tortura mas sim, uma deliciosa troca.

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