segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Sobre me tornar mãe

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Alguns me dizem que será a melhor coisa do mundo, a mais recomensadora, a mais maravilhosa. Outros me dizem que será a mais difícil, mais exaustiva, mais complicada. Eu não espero que seja nem um nem outro. Ou melhor, eu aceito que possa vir a ser um e outro. Ou talvez alguma outra coisa.
 
Minha gravidez foi bastante desejada e planejada, mas não entrei nessa esperando algum tipo de compensação, ou encontrar o paraíso, ou me sentir plena ou realizada ou sei lá o que. Também não entrei nessa pelo desafio, pra ganhar o troféu daquela que abdica de sua própria vida pelo filho, da mártir, da padecente no paraíso.
 
 Eu entrei nessa pura e simplesmente pelo motivo mais genuíno: porque queria muito ter essa experiência. Porque estou disposta a dar o meu melhor por essa vida que estou gerando, mas já sabendo que meu melhor estará longe de ser "o" melhor. O que eu queria ao desejar engravidar era passar por isso na vida. Viver a construção de um núcleo familiar meu, que começou com meu casamento e agora irá se ampliar. Me ligar ao meu marido por todo o sempre porque agora estamos unidos numa terceira pessoa que aqui dentro se forma. E quem sabe ensinar uma coisa ou outra a essa criaturinha, que eu nunca vi mas já sei que é fofa. (E se puxar para o pai, será também uma Einstein.)
 
 Eu decidi que queria ser mãe pelos mesmos motivos que decidi várias outras coisas que foram ou são grandes e importantes na minha vida - porque estou disposta a me entregar à experiência, traga ela o que trouxer. Porque queria muito viver isso, saber do que se trata, ver o que tem lá, aprender pelo amor e pela dor.
 
Se vou morrer de amores pela minha filha? Claro. Ela nem nasceu ainda e eu já morro. Outro dia estava vendo um filme que apareceu um bebêzinho sorrindo no meio de uma cena, que nem de drama era, e eu comecei a chorar copiosamente (hormônios...) no meio do cinema, de tanta felicidade por lembrar que em breve eu terei uma bebezinha minha.
 
Então, espero que vá ser incrível? Claro. Espero que vá ser difícil? Claro. Na verdade, espero que vá ser algo como o início de A Tale of Two Cities, de Charles Dickens:
 
"Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós, íamos todos direto para o paraíso, íamos todos no sentido contrário.”
 
 Ele estava falando da Revolução Francesa, mas algo me diz que poderia estar falando da experiência da maternidade. Ha ha.
 
Sim, imagino que vá acrescentar muita coisa boa a minha vida, e que os momentos bons superarão de longe os ruins. Mas estou longe de imaginar ou esperar ou mesmo querer a perfeição.

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