terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

A outra parte do perdão

Então a gente reconhece que errou e pede perdão. Me desculpa, eu errei, foi mal, my mistake, my
bad. E então vem a reação da outra pessoa, que pode perdoar ou não.

A impressão que dá é a de que, para que aquele que pede o perdão saia do limbo, é preciso que a outra parte perdoe. Se ela não perdoar, a pessoa permanecerá no banco dos réus, eternamente culpada e carregando a culpa do mal feito nos ombros. 

Será mesmo? 

 Não. Isso é só o que o outro lado, o do "eu não vou te perdoar nunca!!" gostaria que acontecesse. Mas não é o que acontece.

 A verdade é que quem já arrependeu já se liberou do fardo. Se ainda tomou a iniciativa de reconhecer e pedir perdão, realmente já está em outro estágio. Já passou pelo da culpa, do arrependimento, já cresceu com isso, e ficou preocupado então com quem pode ter sido parte da dor criada - e foi até ele para se desculpar. Logo, quem pede perdão não está carregando um fardo nas costas mas sim, compaixão no coração. E compaixão não pesa.

 Tem vezes que a gente pede perdão e parece que aí sim  a pessoa resolve ficar com raiva de novo porque agora se sente "no direito" àquela raiva. Na lógica dela, se estamos pedindo perdão é porque, obviamente, nós é que estávamos errados.

 Sim. Estávamos. Mas eles também estavam. Posso não estar englobando 100% das situações aqui, mas o caso é que na maioria esmagadora das vezes, não se briga sozinho. Não se cria uma situação ruim ou errada sozinho. Não se erra sozinho. Se existe um descompasso, geralmente ele foi criado por duas pessoas. Uma delas já entendeu sua parte, e se preocupou com a outra o suficiente para hastear a bandeira branca.

 (ou seja, a resposta ideal a um pedido de perdão seria: claro, tudo bem. Me perdoe também.)

 Mas aí a outra parte se recusa a perdoar. De quem é o azar? De quem já refletiu, aprendeu, sentiu compaixão e foi buscar a conciliação ou de quem não apenas decidiu não perdoar mas ainda resolveu resolveu revivier a raiva e carregar aquele peso até não sei quando?

 Pobre dos que não perdoam.

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