segunda-feira, 23 de março de 2015

Então ela me confessa que anda doida para viver um grande amor mas que está muito difícil arrumar namorado. E eu digo a ela: e daí?  Por acaso você precisa de mais alguém pra viver um grande amor? Ela ri, acha que estou brincando. E até soa como se eu estivesse, mas de verdade, não estou. Digo a ela: a gente precisa do outro para viver um relacionamento. E relacionamento só precisa de um comum acordo, nem precisa de amor. Mas para um grande amor, um daqueles que a gente sente com cada célula nossa que ama cada célula do outro, um daqueles que a gente suspira, sonha, quer sair dançando, ou rir a tarde inteira, quer contar pra todo mundo, quer até contar pra ele, pra esse a gente só precisa do nosso próprio coração, oras. O que irá acontecer com esse grande amor, se ele será correspondido ou não, se vai dar casamento, namorinho ou nem uma ficada, isso fica por conta do script do destino. E o gênero da vida costuma passar pelo suspense. As pessoas se enganam em achar que o amor só pode nascer do encontro de dois corações, olho no olho, abraços e beijos. Não. Isso é amor correspondido. Mas para viver um grande amor, a única coisa que a pessoa precisa é abrir o próprio coração. "Mas aí é pedir pra sofrer!", ela me retruca. "Ou pra ser a pessoa mais feliz do mundo.", eu respondo. E em caso de sofrimento, continuo, faça como recomenda Marisa: faça sua dor dançar. Se recusar a abrir o coração até que alguém abra o dele pra você, isso sim deve ser sofrimento. Pior, é aceitar a posição de coadjuvante da própria vida. É ficar sentanda esperando ser tirada pra dançar. É ser escolhida em vez de escolher. Oras. Quer tanto viver um grande amor? Ouse se apaixonar então!" 
Ela suspira.
Rá. Quem dise que um grande amor é coisa fácil?


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