quarta-feira, 18 de março de 2015

West Orange, 4 e pouco da tarde. A seguinte conversa tomou lugar:




Eu: Sabe que às vezes me dá uma impressão assim... Que essa Simone que está aqui nos EUA não é a oficial, sabe? É só uma das versões, dos universos paralelos.

Ele: ?

Eu: Não tem aquela história de que pra cada decisão importante, a gente toma uma diferente num universo paralelo? Então. Juro. Às vezes eu acho que essa Simone aqui é só uma dessas versões.

Ele: ...

Eu: Aliás, está na cara né. É óbvio que a Simone oficial está em Brasília, morando na asa norte, funcionária pública, tudo assim, normal. Essa aqui, que mora em West Orange, teve a filha em Livingston (onde gritaram "push" em vez de "empurre"), comprou a cachorra no Queens... Não. É óbvio que essa Simone é só uma das versões.

Ele: Mas você sabe que você é a oficial.

Eu: Rá! Isso é o que todas nós pensamos!! É claro que eu acho que eu sou a oficial! Aposto que você também acha que você é o oficial!

Ele: Como assim...?

Eu: Pois é. Você também não é o Marcelo oficial. O oficial está lá em Brasília, casado comigo, trabalhando na Claro. Tá muito feliz, por sinal. Aceitou um cargo de chefia...

Ele, dando risada: Ah é? E existem outros?

Eu: Vários outros! Deixa eu ver... Tem o Marcelo que ficou na Alemanha. Tá completamente doido, esse. Pintou o cabelo agora metade azul, metade laranja. Começou a andar com um povo esquisitão. Namorou umas alemãs malucas mas cansou e agora tem uns dois anos que está solteiro. Decidiu tentar a vida celibatária. Não é pra menos que ficou doido.

Ele, rindo mais: Ah foi?

Eu: Foi. Aí tem o Marcelo que foi pra Unicamp em vez da UnB. Ih, coitado desse. Casou com uma paulista varapau bem chatinha. Ela detesta sexo. Por conta disso, ele detesta ela. Mas fica casado, fazer o quê? Casaram porque ela, ironicamente, engravidou. Mas foi tudo um plano dela, que é manipuladora ao extremo e sabia que era o único jeito dele continuar com ela. Esse pobre coitado enfrenta o trânsito de São Paulo todo dia suspirando pensando que tem alguma coisa muito importante faltando na vida dele.

Ele: Ah é? O quê?

Eu: Eu! Só que o coitado não sabe disso!

- Nisso, um barulho na cozinha. Algumas coisas caem sozinhas de uma prateleira.

Eu: Tá vendo?? Agora foi o Marcelo do futuro que está por aqui tentando te alertar disso tudo!

Ele: Ah, o do futuro?

Eu: É, mas resta saber qual deles, né!! Ah, mas eu sei qual!

Ele: Qual?

Eu: O Marcelo da Alemanha, claro! Ele ficou doidão mas nem por isso menos inteligente. Aí, tava solteiro, com tempo sobrando, e andando com um povo meio malucão que conheceu no doutorado (ele acabou fazendo também, por puro tédio) e depois de passar noites e noites no computador pesquisando e programando acabou desenvolvendo um método de voltar no tempo. 

Ele: E olha que quem passou o dia com febre fui
eu.

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