sexta-feira, 22 de maio de 2015

Há de se beber nas fontes



 Tem pessoas que bebem direto das fontes: leem os livros, veem os filmes, estudam, leem a Bíblia, vão à igreja, vão à terapia, assistem à peça, visitam o museu... Enfim, buscam a informação direto na origem, e a partir daí a destrincham, processam, tiram suas próprias conclusões e seguem melhor. Essas pessoas costumam ser daqueles muito interessantes de se conversar e conviver. Elas sempre sabem de alguma coisa que você não sabia, e ao mesmo tempo que aprendem com você, te acrescentam também bastante do que elas já aprenderam.

 Ao mesmo tempo, tem pessoas (preguiçosas, geralmente) que  ficam querendo a coisa já "mastigada", e então ficam buscando seu alimento ali no primeiro grupo: grudam nos que bebem da fonte e ficam ali, tentando sugar alguma coisa pra eles. Se acham espertos porque acreditam estar tendo menos trabalho. E estão mesmo - só que estão consumindo o que já foi consumido. Estão vendo o mundo não com os próprios olhos, mas com olhos alheios. Em vez de ter o prazer de dar as mordidas, estão realmente recebendo a coisa já mastigada. Eca.

Esse segundo grupo costuma vampirizar o primeiro. Grudam em quem está bebendo da fonte porque eles também tem sede. Mas tudo o que conseguem para si é o que respinga da boca de quem está de fato bebendo. Como nunca ficam saciados, continuam ali, grudados, sugando os coitados que estão indo buscar nos lugares certos.

 É muito importante reconhecer quem são essas pessoas e cortá-las de nossas vidas. Afinal, aquele ditado em inglês está absolutamente certo, e sim, misery loves company. As pessoas que estão vibrando num nível de energia mais baixo, mesmo que muitas vezes não percebam, ficam tentando levar quem está numa melhor para a vibe delas, em vez de tentarem se elevar ao nível do outro. De repente o vampirizado começa a se sentir mal, cansado, mal humorado, de mal com a vida, e não sabe por quê. Justo ele, que sempre foi uma pessoa tão feliz, tão pra cima, e que amava tanto a vida? Pois é. É porque tinha uma sanguessuga grudada nele, levando embora sua energia vital.

 Não acho que quem beba na fonte deva ficar alimentando quem não bebe. Quem faz isso só está impedindo o outro de descobrir o mundo por si mesmo. Em vez de deixar que ele busque sua refeição, fica atirando migalhas. E o que termina acontecendo é que uma hora o "sugado" se esgota. É porque ele é uma pessoa como qualquer outra, que precisa ir à fonte para matar sua sede. Mas aí se ele fica tentando suprir algum outro, chega num momento que ele termina por não conseguir mais suprir a si mesmo. E aí afundam os dois. Agora que tive essa compreensão, não vou mais fazer isso.

 Tenho a felicidade de dizer que sempre fui às fontes beber. E que minha principal fonte é Deus.

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